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João Jairo Moraes Vansiler. A universalidade poética de Rilke na formação do Grupo dos Novos: Tradução e Confluências na Amazônia brasileira

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE LETRAS E COMUNICAÇÃO PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM LETRAS João Jairo Moraes Vansiler A universalidade poética de Rilke na formação do Grupo dos Novos: Tradução e Confluências na Amazônia brasileira Belém-Pará 2014 i João Jairo Moraes Vansiler A universalidade poética de Rilke na formação do Grupo dos Novos: Tradução e Confluências na Amazônia brasileira Dissertação de mestrado apresentada por João Jairo Moraes Vansiler ao curso de Pós-Graduação em Letras, área de concentração em Estudos Literários, Universidade Federal do Pará (UFPA), sob a orientação da Profª. Dra. Izabela Guimarães Guerra Leal, para a obtenção do título de Mestre em Letras. Belém-Pará 2014 ii Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP) Biblioteca do ILC/ UFPA-Belém-PA Vansiler, João Jairo Moraes, A universalidade poética de Rilke na formação do Grupo dos Novos : Tradução e Confluências na Amazônia brasileira / João Jairo Moraes Vansiler ; orientadora, Izabela Guimarães Guerra Leal Dissertação (Mestrado) Universidade Federal do Pará, Instituto de Letras e Comunicação, Programa de Pós-Graduação em Letras, Belém, Rilke, Rainer Maria, Crítica e interpretação. 2. Tradução e interpretação. 3. Crítica. I. Título. CDD-22. ed iii A universalidade poética de Rilke na formação do Grupo dos Novos: Tradução e Confluências na Amazônia brasileira Data de aprovação: Banca Examinadora Orientadora Dra. Izabela Guimarães Guerra Leal UFPA Dra. Tânia Sarmento-Pantoja (Examinadora interna) UFPA Dr. Maurício Mendonça Cardozo (Examinador externo) UFPR iv Baudelaire Der Dichter einzig hat die Welt geeinigt, die weit in jedem auseinanderfällt. Das Schöne hat er unerhört bescheinigt, doch da er selbst noch feiert, was ihn peinigt, hat er unendlich den Ruin gereinigt: und auch das Vernichtende wird Welt. Rainer Maria Rilke, Baudelaire Somente o poeta juntou as ruínas de um mundo desfeito e de novo o fez uno. Deu fé da beleza nova, peregrina, e, embora celebrando a própria má sina, purificou, infinitas, as ruínas: assim o aniquilador tornou-se mundo. Baudelaire, de Rilke, versão de José Paulo Paes, v Para Beatriz e Nair vi AGRADECIMENTOS Agradeço, Às pessoas da família, pela força sempre dedicada a minha pessoa e aos meus estudos: seu João, dona Edineia, Jú, Jade, Jardson, Ailton e aos sobrinhos... Às eternas Nair e Beatriz. À pessoa e à Professora Dra. Izabela Guimarães Guerra Leal, pela dedicação e confiança. Aos colegas da turma de 2012 e ao grupo de pesquisa Tradução e Recepção. Aos amigos Guilherme, Dani, Marcelo Carvalho, Rafael Oliveira, Jorge Coimbra, Lídia Coimbra, Maria do Carmo Calado, Ney Ferraz Paiva, ao pessoal do Medrado e a todos os distantes espalhados pelos quatro cantos do mundo. Aos professores examinadores desde a qualificação: Dra. Christiane Stallaert (Cat. Uni. Leuven, Bélgica), Dra. Tânia Sarmento-Pantoja (UFPA) e o Dr. Maurício Mendonça Cardozo (UFPR). À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES, pela bolsa de incentivo, tornando possível a realização deste trabalho. Ao Eterno por estar em tudo ao mesmo tempo agora! vii RESUMO Esta dissertação objetiva pensar os desdobramentos que as traduções da poesia de Rainer Maria Rilke alcançaram no cenário do Suplemento Literário da Folha do Norte - SL/FN e em outros periódicos das décadas de 1940 e 1950, em que foram publicadas. Consideramos que estas traduções foram um indício de intensificação da abertura universalizante das letras paraenses às novidades modernistas iniciadas na Semana de Arte Moderna de Tais traduções foram cruciais para a formação do Grupo dos Novos, composto principalmente de nomes como Benedito Nunes, Mário Faustino e Paulo Plinio Abreu, além do antropólogo alemão Peter Paul Hilbert. O suporte teórico-metodológico será a utilização dos conceitos de Weltliteratur (Literatura universal) de Goethe e Reflexionsmedium (Médium-de-reflexão) de Benjamin. Estas matrizes interligarão os campos da história, da filosofia da linguagem e da tradução para refletirmos sobre o impacto dessas traduções na Amazônia brasileira da época. Outro conceito importante nesta dissertação é o de Bildung (formação), pensado a partir da leitura de Antoine Berman quando ele o relaciona à tradução, incluindo vários fenômenos que envolvem as relações tradutórias entre culturas e línguas. Ao final, por meio da reflexão tradutológica de Haroldo de Campos, visamos observar possíveis confluências nas produções poéticas e críticas de Mário Faustino, Manuel Bandeira e Paulo Plínio Abreu, como resultante do processo relacional promovido por estas traduções. Palavras-chave: Tradução; Rilke; Grupo dos Novos; Crítica; Poesia. viii ABSTRACT The purpose of this Master's thesis is to identify how translations of Rilke's poetry were relevant in the scenario had been published, on magazine Suplemento Literário da Folha do Norte - SL/FN and others. We believe that these translations were indicative of a rise in the process of literary universalization on Pará, to innovations of Modern Art Week, These translations were crucial to the literary formation of Grupo dos Novos, which was composed by Benedito Nunes, Mário Faustino, Plinio Paulo Abreu and others in addition to the German anthropologist Peter Paul Hilbert. For this work we explore the concepts of Weltliteratur by Goethe and Reflexionsmedium by Benjamin. We also use the concept of Bildung, from the reading of Antoine Berman, which relates it to the translation. These concepts will link to history, philosophy of language and translation in order to reflect the impact of these translations in the Brazilian Amazon, at the time they were made. Through the translation theory of Haroldo de Campos, we aim to investigate possible confluences in poetic productions and criticism by Mario Faustino, Manuel Bandeira and Paulo Plínio Abreu as a result of the relationship between the work of these poets and Rilke, promoted through these translations. Keywords: Translation; Rilke; Grupo dos Novos; literary criticism; Poetry. ix ÍNDICE DE FIGURAS Figura 01: Auguste Rodin, Voz Interior ou A Meditação sem Braços... p.70 Figura 02: Figura 03: Auguste Rodin, O pensador, detalhe da composição A Porta do Inferno... p.72 Rosa-dos-ventos desenhada por Peter Hilbert para ilustrar a capa da revista Norte... p.85 Figura 04: Zebba e Hilbert planejando o dia de filmagem de Uirapurú... p.86 Figura 05: Sam Zebba, Paul Hilbert e dois índios Urubú-Ka apor... p.87 Figura 06: Figura 07: Manuel Bandeira... Mário Faustino... p.93 p.93 Figura 08: Escultura que se desdobrou em o Archaïscher Torso Apollos... p.95 Figura 09: Auguste Rodin, O pensamento... p.99 Figura 10: Laocoonte e seus filhos... p.102 Figura 11: Paulo Plínio Abreu... p.109 x SUMÁRIO RESUMO... ABSTRACT... viii ix ÍNDICE DE FIGURAS... x CONSIDERAÇÕES INICIAIS Literatura universal: uma reflexão comparatista Weltliteratur e a tradução (trans)formadora O Regional e o Universal: literatura universal no contexto amazônico Modernidade, Modernismo e outras tensões em torno do Novo Modernismo na dimensão paraense Tradução, Literatura e Crítica no Suplemento Literário da Folha do Norte Enquete Posição e Destino da Literatura Paraense O motivo Rilke para o Grupo dos Novos Reflexionsmedium: a Arte como meio de reflexão Rilke e a poesia do Pensamento As Elegias de Duíno e sua traduzibilidade na Amazônia... A tradução de Duineser Elegien como memória e partilha... Tradução e formação humana e literária Confluências, Rilke e seus tradutores no Pará Archaïscher Torso Apollos mediando Bandeira e Faustino Confluência entre poéticas: Mário Faustino lê Rilke Paulo Plínio Abreu CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS... ANEXOS xi CONSIDERAÇÕES INICIAIS Interpretar o fenômeno literário na Amazônia a partir de um fluxo de relações que envolvem a sua ambivalente história ao mesmo tempo de paraíso e de ilusão foi e continua sendo um desafio à reflexão para os que habitam e para os que passam por esse intrigante lugar. Por ser uma região ainda fortemente marcada por uma profunda relação com a natureza, expressa na diversidade da fauna e da flora, e os habitantes demonstrarem uma variedade de saberes mitológicos e linguísticos deliberadamente disseminados em face ao contato gerado por um fluxo ininterrupto de ideias e culturas, que sempre marcou este lugar. Apesar dessa circulação intensa de ideias, o habitante da Amazônia tem uma marca distintiva que garante a sua identidade local, pela preservação do seu modo de falar, ser, viver e sentir o mundo, que normalmente segue o fluxo das águas, num ritmo que a segurança da fartura quase inesgotável de recursos de subsistência elementar, permite a ele viver sem pressa. Esse modo de vida colide diretamente com a proposta de modernização do mundo a partir de parâmetros homogeneizadores, que visam diluir as diferenças para estabelecer o controle e a ordem do que se acredita ser a racionalização da vida rumo ao progresso. Nesse sentido, examinar a produtividade intelectual de um grupo de homens que ficou conhecido como Grupo dos Novos é um esforço necessário para se entender uma etapa importante do processo de modernização da Amazônia brasileira e da literatura nela produzida. Falar em Grupo dos Novos é também fazer um recorte no tempo, que se inicia na década de 1940, e vai até a década de 1950, mas com reflexos que estão ainda muito vivos na contemporaneidade. Esse período se caracteriza por uma profunda transformação nas letras paraense. Referimo-nos ao que a pesquisadora Alzira Abreu (1996) chamou de Era dos Suplementos Literários. Seria um modo inédito no Brasil de promover o intercâmbio entre as diversas literaturas produzidas no vasto território nacional, onde os Suplementos literários seriam o principal veículo de circulação de ideias e inovações estéticas. É bom lembrar que nessa época o mundo vivenciava o sentimento de angustia e desamparo, efeitos da Segunda Guerra Mundial. Nesse sentido, o advento dos suplementos literários surgiria como uma possibilidade de (re)integração das letras nacionais amortizadas por este período de extrema intolerância. Na perspectiva do intercâmbio, a tradução foi evidenciada como o efeito mais pungente de uma prática dialógica de abertura, e assim, através de um veículo de grande 12 circulação, versátil e veloz como o jornal, os integrantes do Grupo dos Novos experimentaram formas expressivas inovadoras para a região, trazendo ao público um panorama da literatura produzida em várias partes do mundo e a divulgação do que havia de novo em termos de obras de arte e filosofia, acompanhadas de comentários críticos. Foram muitos os críticos, poetas e tradutores nacionais que se relacionaram por meio do SL/FN. Escritores consagrados dentre os quais Sérgio Buarque de Holanda, Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira intercambiavam com os neófitos paraenses como Benedito Nunes, Mário Faustino e Paulo Plínio Abreu, só pra citar alguns, de um elenco imenso de colaboradores. Dentre as muitas traduções de poesia, percebe-se uma preocupação com a diversidade de temas e orientações ideológicas. Por exemplo, desde o poeta norteamericano Langston Hughes, comprometido com a resistência da arte afrodescendente da Harlem Renaissance, passando pela poesia engajada de Maiakovski, a espiritual do indiano Amarú até a existencial de Rainer Maria Rilke. Outra curiosidade é a ampla tradução de poetas de língua alemã num momento em que a cultura germânica, devido aos eventos bárbaros da Segunda Guerra Mundial, vinha sendo alvo de perseguição e hostilização em vários ambientes da vida social no Brasil. Dessa forma, tomar a tradução da poética de Rainer Maria Rilke ( ) como objeto de pesquisa na Amazônia é mais que um desafio, é uma necessidade. O ato de ler a história literária via a recepção tradutória de Rilke na Amazônia, em um período de renovação das letras na cidade de Belém (como um desdobramento de um contexto crítico vivenciado mundialmente, com ascensão e queda dos regimes de exceção na Europa que redefiniram os modos subjetivos de apreensão do objeto artístico) é penetrar no universo de percepções desses escritores paraenses, pois como veremos no decorrer dessa dissertação, a presença do poeta de língua alemã nos horizontes estéticos do Grupo dos Novos será decisiva para a sua formação literária e humana. As questões principais que esta dissertação busca problematizar são: Quais os motivos do sentimento de isolamento do Grupo dos Novos no tocante a sua sensibilidade modernista na Amazônia? A universalidade na poesia paraense começa com o Grupo dos Novos? Qual a repercussão da produção literária de Rilke na inquietação sentida pelo Grupo dos Novos? Percebemos na tradução da poética de Rilke um meio através do qual os poetas críticos paraenses refletiram as suas próprias poéticas e procedimentos críticos? 13 A partir dessas questões, essa pesquisa nos exigiu a leitura de uma bibliografia comprometida com a discussão que envolve a literatura comparada, a teoria literária, os estudos da tradução, a história cultural e a crítica. Dessa maneira, um modulador importante em nossa observação é a utilização do conceito utópico Weltliteratur (literatura universal) de Johann von Goethe que pensou a literatura em escala mundial através de unidades relacionáveis. Esta abertura nos servirá como dupla articulação. De forma geral, pensarmos os desdobramentos culturais de intercâmbio de traduções, poesias e poetas como uma aproximação com a utopia goethena. De forma específica, pensarmos este conceito, atualizado em novas bases, como uma prática comparatista, através da aceitação comum tanto pela Teoria Literária, quanto pela Literatura Comparada da existência de traços, rastros e unidades comuns na literatura como um todo relacionável. Isso faz emergir novos conceitos, tal como o de intertextualidade, que nos permite analisar sem, contudo, fazer um ajuizamento em relação à qualidade ou seu grau de influência, mas sim considerando o desdobramento da obra quanto à sua criticabilidade e, quando traduzida, sua traduzibilidade, em novas culturas, regiões e línguas. Assim pensamos comparativamente, via tradução, como um pressuposto analítico, em consonância com o conceito de Weltliterur [literatura universal] de Goethe. Pois entendemos que as tensões produzidas em torno deste conceito são produtivas para pensarmos a região como um lugar universal, resguardando a sua diferença para garantir um comparatismo com outras regiões a fim de encontrar as invariantes, ou pontos de contatos intrínsecos que lhe fazem una. Dessa forma, a literatura produzida, em locais, regiões e nações, guardam pontos comuns irredutíveis que no final lhes garante uma unidade universal. Nesse sentido a tradução despontaria como o principal mecanismo de prova dessa afirmação. Na teoria literária a articulação conta com um elenco variado, privilegiando teóricos envolvidos com uma reflexão que pensa o objeto artístico em profunda ligação com o aspecto ético, que apresenta a matriz teórica mais importante desta dissertação. Walter Benjamin, na ânsia de pensar o objeto artístico munido de novas bases especulativas, dirige um olhar retroativo aos primeiros românticos alemães, principalmente Schlegel e Novalis, dos quais relê o conceito de Reflexão, entre outros. Neste percurso reflexivo, para o desenvolvimento desta leitura, a questão que primeiro nos chama atenção é o conceito de Reflexionsmedium [médium-de-reflexão], que coloca a obra de arte, neste caso a literatura, no centro de um movimento crítico que se 14 desdobra em função de si mesmo. A outra é o conceito de história, envolvendo um intrincado jogo entre memória, esquecimento e atualização. Refletiremos sobre a imbricação entre estes conceitos, interligados por tênues passagens envolvendo materialismo histórico, poesia, filosofia, tradução e crítica. No ensaio A tarefa do Tradutor [Die Aufbabe des Übersetzers], de 1923, Walter Benjamin radicaliza sua preocupação com a forma da linguagem ao dizer: A tradução é uma forma. Para compreendê-la como tal, é preciso retornar ao original. Pois nele reside a lei dessa forma, enquanto encerrada em sua traduzibilidade. (BENJAMIN, 2011: 101). Assim sendo, podemos considerar a tradução como um meio crítico fundamental para a construção benjaminiana de traduzibilidade [Übersetzbarkeit] da obra literária, pois, em contato com o diferente (língua estrangeira), certas obras encontrariam o seu complemento enquanto afinidade como autorreflexão: A traduzibilidade é uma propriedade essencial de certas obras o que não quer dizer que a tradução seja essencial para elas, mas que uma determinada significação contida nos originais se exprime em sua traduzibilidade. É mais que evidente que uma tradução, por melhor que seja, jamais poderá significar algo para o original. Entretanto, graças à traduzibilidade do original, a tradução se encontra com ele em íntima conexão. (BENJAMIN, 2011: 104). Benjamin irá se opor vigorosamente à ideia de recepção baseada na transmissão e tradução do conteúdo. Nesse sentido, ele dará importância especial às traduções sofoclianas empreendidas por Hölderlin, vendo nelas um arquétipo, a partir do qual irá problematizar, na esteira do conceito goetheano de Urbilder (arquétipos), as traduções que visam um conteúdo inessencial. Quando no trato com as fontes extraídas de jornais, revistas ou qualquer outro suporte que exija o papel crítico, nosso procedimento será sempre utilizar a crítica de modo não judicativo, mas percebendo os reflexos que elas espelham, culminando em confluências que edificam o aperfeiçoamento de novas sensibilidades. Acreditamos que a tradução é o ato de leitura mais primordial entre as relações humanas, condizente com Octavio Paz, quando diz aprender a falar é aprender a traduzir, quando uma criança pergunta à mãe o significado desta ou daquela palavra, o que realmente lhe pede é que lhe traduza em sua linguagem o termo desconhecido (PAZ, 2009, p. 9). Consideramos que essa experiência de infância será basilar nas relações entre línguas, culturas e nações, mesmo quando se acredita já se ter alcançado a maioridade, com o elevado grau de amadurecimento sistemático e regulador. 15 Pensar a tradução como uma possibilidade de alcance pleno do outro, sempre foi um exercício de imaginação desafiador. Acreditamos ser possível este alcance desde que, logo de saída, acredite-se que este contato relacional promova uma alteração irreversível tanto naquele que traduz quanto no que é traduzido. Pensar assim é pensar a tradução como uma forma em formação, ou seja, um modo operador que opera segundo uma relacionalidade, pois como diria Antoine Berman: se a tradução não pode ser relação, ela não é nada (BERMAN, 2002). Portanto, nosso instrumento de reflexão são as traduções dos poemas de Rainer Maria Rilke na Amazônia brasileira, numa época singular da história mundial em que foram flagradas algumas nuances passíveis de aproximação com o ideal goetheano de literatura universal. A ideia de movimento foi experimentada na Amazônia brasileira por jovens sonhadores, o Grupo dos Novos, que buscaram a integração da sua região, ou seja, do local ao universal através de suas traduções, críticas e poemas. Essas matrizes teóricas estarão dialogando com outros autores que também comparecem como suporte para suplementar a discussão. Dessa forma, trataremos no primeiro capítulo de uma abordagem ampla do conceito de literatura universal e seus desdobramentos ao longo da história, tendo ele sofrido transformações e ressignificações. A nossa primeira discussão girará virtualmente em torno da questão que colocamos como uma das norteadoras da dissertação, ou seja, se há razões históricas ou sociais para sustentar o argumento de isolamento do Grupo dos Novos. Para tanto faremos um percurso pelas concepções do mundo amazônico dentro de processos constituídos por ficções construídas por viajantes para justificar a posse e o domínio dos bens culturais e naturais da região. Estas ficções construíram a História
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