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Inventário de Bens da Igreja de Santa Margarida (séculos XVIII e XIX)

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OPPIDUM número 2 - 2007 Inventário de Bens da Igreja de Santa Margarida (séculos XVIII e XIX) Cristiano Cardoso* Resumo Este livro, procedente da paróquia de Lousada (Santa Margarida) e actualmente depositado no Fundo Paroquial do Arquivo Distrital do Porto, conserva um conjunto muito importante de documentos, que se constituem como fontes de grande valor para um melhor entendimento da História Local. Uma das partes deste livro, designada por Primeyro Titollo reúne os inventários de móveis, p
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  127 O  PPIDUM  número 2 - 2007 Resumo Este livro, procedente da paróquia de Lousada (Santa Margarida) e actualmen-te depositado no Fundo Paroquial do Arquivo Distrital do Porto, conserva um con- junto muito importante de documentos, que se constituem como fontes de grandevalor para um melhor entendimento da História Local. Uma das partes deste livro,designada por   Primeyro Titollo reúne os inventários de móveis, peças e ornamen-tos asim da Igreja como das Confrarias e Cappellas , executados pelos sucessivos párocos colocados nesta freguesia. Para além deste arrolamento de bens, há tam- bém notas relativas a obras e melhoramentos feitos pelos mesmos padres, acompa-nhadas das respectivas despesas. Neste artigo será publicada a transcrição apenasdo  Primeyro Titollo , com uma muito breve apreciação ao documento e uma resu-mida abordagem à história da freguesia. Abstract This book, derived from the Parish in Lousada (Santa Margarida), and currentlykept in the Parish Fund of the Oporto District Archive, preserves a very importantgroup of documents sources of great value for a better understanding of the LocalHistory. One of the parts of this book, entitled  Primeyro Titollo gathers theinventories of   furniture, pieces and ornaments both from the Confraternities aswell as from the Chapels, worked out by the successive priests set in this parishcouncil . Besides this list of goods, there are also some notes related to works andimprovements made by the same priests, along with the due costs. In this article itwill only be published the quotation of the  Primeyro Titollo , with a short appreciationon the document and a summed up approach to the history of the parish council. Inventário de Bens da Igreja de Santa Margarida(séculos XVIII e XIX) Cristiano Cardoso * * Técnico Superior de Ciências Históricas do Pelouro do Património Histórico da Câmara Municipal de Lousada.  128 O  PPIDUM  número 2 - 2007 1. Introdução Com este trabalho pretende-seiniciar um ciclo de divulgação defontes históricas para o desenvol-vimento da História Local. Dis- ponibilizar, para investigadores e público em geral, um conjunto,quanto maior possível, de fontesdocumentais é, manifestamente,uma das missões do Sector do Pa-trimónio Histórico da Câmara Mu-nicipal de Lousada. Este objecti-vo tem vindo a ser desenvolvido,ao longo dos últimos anos, por vários técnicos que trabalharam etrabalham neste gabinete.São já vários os trabalhos detranscrição desenvolvidos, todos decapital importância para um maisaprofundado conhecimento da His-tória da região e do concelho deLousada. Embora estes sucessivostrabalhos ainda não tenham sido di-vulgados ao grande público, osmesmos têm sido amplamente di-fundidos por escolas do concelhoe disponibilizados aos investigado-res, subsidiando inúmeros estudose cumprindo, deste modo, o seu pri-mordial objectivo.Com a publicação deste inven-tário de bens da igreja de Santa Mar-garida procura-se dar corpo a estedesígnio e fomentar, junto da popu-lação, o gosto pela História Local, imprimindo espe-cial atenção às questões da preservação e valorizaçãodo património local. 2. O Documento 2.1. Análise do códice O livro, proveniente do Arquivo Distrital doPorto, Fundo Paroquial, da freguesia de Lousada(Santa Margarida), com a cota E/12/3/5, contém, Figura 1 . Fólio 2, contendo o início do Primeyro Capitulo no seu  Primeyro Titollo , vários documentos distin-tos e realizados em momentos diferentes, com da-tas compreendidas entre 1709 e 1865 (Fig. 1).Os vários documentos que o compõem foramlavrados no cartório paroquial da igreja de SantaMargarida pelos vários padres que aí exerceram oseu ministério, desde a abertura do livro, até aomomento em que o mesmo deixou de ser utilizado. Na redacção destes documentos não era habitual a presença de testemunhas, no entanto, no  Inventário do padre Feliciano José Alvares Ferreira de Maga-lhães aparecem a assinar mais dois párocos.  129 O  PPIDUM  número 2 - 2007 A letra é caligráfica com situa-ções pontuais de encadeamento,mais frequentes no documento do padre João Nogueira da Silva(1709) e mais esporádicas no in-ventário do padre João de BeçaFerreira. Os restantes não apresen-tam situações de encadeamento.São utilizadas, frequentemente,abreviaturas.O documento estende-se aolongo de 17 fólios, em papel, es-crito no rosto e no verso, à excep-ção dos fólios 1v e 16v, que estãoem branco. Tem as dimensões de30 x 23 cm e está encadernado em pergaminho. A paginação vemassinalada no canto superior direi-to do rosto de cada fólio e rubri-cado com o nome “Costa”. Não tem letras ornamentadas.Somente as maiúsculas têm umtratamento mais cuidadoso e de-senhado. 2.2. O Conteúdo Todos os documentos presen-tes neste livro são srcinais, escri-tos pela própria mão dos párocosque, no período correspondente,estiveram a desempenhar o seucargo na paróquia de Santa Mar-garida.São, essencialmente, inventários de bens e pe-ças da igreja que os padres, por determinaçãodiocesana, faziam, normalmente, no princípio do seuministério. Embora na abertura do documento sefaça referência à existência de um Tombo de Bense Propriedades, o mesmo não está presente nestelivro, mas sim num outro, pertencente ao mesmofundo paroquial, que já começamos a analisar e atranscrever e que, noutra oportunidade, iremos tra-tar com profundidade.Assim, temos um primeiro inventário, que sesegue imediatamente à abertura do livro, e que, emnosso entender, terá sido executado logo no ano de1709 pelo padre João Nogueira da Silva – precisa-mente o pároco que obteve uma provisão régia paramandar fazer o Tombo de 1709.Ao fólio 3 verso encontramos uma caligrafiadiferente que se estende até à 6.ª linha do fólio 4.Este pequeno arrolamento de peças da igreja, es-sencialmente alfaias litúrgicas e paramentaria, pa-rece-nos ser da pena do padre José dos Reis Cardozoe terá sido executado até 1737 (Fig. 2). No mesmo fólio 4 inicia-se o acrescentamento que fez o padre João de Beça Ferreira. Compreendeum conjunto de valiosas informações, relatadas por este pároco de Santa Margarida, relacionadas quer  Figura 2. Fólio 4. Contém o início do inventário executado pelo padre João de BeçaFerreira.  130 O  PPIDUM  número 2 - 2007 com a aquisição de peças novas para o uso religioso,quer com consertos efectuados conforme as necessi-dades o impunham. São exemplo disto as reparaçõesnas capelas de São João e de Santo Amaro e as obrasde beneficiação e ampliação da igreja. Ao padre Joãode Beça Ferreira se deve, em grande medida, o actualaspecto da matriz de Santa Margarida.Todas essas alíneas em que o pároco refere oque vai fazendo na igreja vêm acompanhadas darespectiva despesa, em reis, que implicava tais en-cargos. Este inventário termina no fólio 7 verso efoi executado sensivelmente entre 1749 e 1774, ten-do por base as datas que o próprio João de BeçaFerreira nos vai indicando. Foi, ainda, este padreque respondeu, em 1758, ao inquérito enviado pelo padre Luís Cardoso a todas as paróquias, cuja co-lecção ficou conhecida por Memórias Paroquiais.Uma outra lista, que não chega a ocupar sequer overso do fólio 7, elenca, simplesmente, um conjuntode alfaias litúrgicas e paramentaria. Não tem qual-quer data, nem é assinada, mas a letra é diferente,sugerindo que este arrolamento já terá sido executa-do aquando da apresentação de um novo pároco.Seguidamente encontramos o documento maisinteressante deste livro. Trata-se do registo da to-mada de posse da igreja pelo padre Feliciano JoséAlvares Ferreira de Magalhães, no dia 19 de Junhode 1818. E neste auto de posse o padre declara ex- plicitamente:  E sendo h dever rigorozo o inventariar tudoo que pertence á Igreja tanto para Culto Di-vino, como para sustento da Caza da Re- zidencia, e Patrimonio desta Abbadia, passeilogo a formar o, Inventario de tudo que acheie do estado em que achavão […] (ADP-FPLSM-IB, fl.8, ln.7-ln.11). Neste inventário o padre refere tudo o que en-controu, acrescentando comentários acerca do es-tado de conservação dessas mesmas peças e objec-tos da igreja, bem como da residência paroquial edas duas capelas filiais. O encerramento deste arro-lamento é feito a 22 de Julho de 1818 e assinado pelo próprio pároco e pelos padres João José daCosta Lemos e Bessa e José da Silva Neto.Para além deste inventário o padre abre um ca- pítulo intitulado: Memoria do que fiz e vou fazendo nesta Igre- ja Parochial de Santa Margarida de Louzada,e na Caza da Rezidencia Passal do seo Minis-tro (ADP-FPLSM-IB, fl.11, ln.1-ln.3).Esta parte do documento contém todas as obrasde beneficiação e todos os consertos levados a cabodurante a presença do padre Feliciano Ferreira deMagalhães em Santa Margarida. Constitui-se, igual-mente, como um autêntico livro de despesas, emque se anota o custo de cada peça ou objecto adqui-rido e de cada obra realizada, até ao ano de 1841.Por fim, já no ano de 1865 o padre de então, quenão assina, acrescenta mais um rol de alfaias e ou-tros objetos desta freguezia .Estamos perante um rico conjunto de documen-tos, cronologicamente organizado, escrito em fun-ção das circunstâncias muito reais da vida paro-quial, revelador das dificuldades apresentadas aos párocos de pequenas freguesias do interior do país. 2.3. Patrimónioem destaque neste documento 2.3.1. Igreja Foram muitas as obras de conservação e melho-ramento realizadas na matriz ao longo dos séculos.Mas, aqui, damos algum destaque a uma obra defundo que mudou por completo o aspecto do edifí-cio e que corresponde, essencialmente, ao que hoje podemos apreciar.Provavelmente ainda antes de 1749, o padre Joãode Beça Ferreira alcançou uma provisão régia paraa remodelação da igreja. Na sequência dessa provi-são foram consignados ao padre 396 000 reis, pro-venientes do depósito das sisas (ADP-FPLSM-IB,fl.4, ln.25-ln.28).Os trabalhos incluíram gastos com pedra,indiciando que a estrutura foi bastante interven-cionada. Ainda se deu início à construção da torresineira e ao lajeamento do corpo da igreja (ADP-FPLSM-IB, fl.4v, ln.16-ln.18).Foi empregue muito dinheiro em melhoramen-tos interiores, no retábulo, nas imagens e em diver-sas alfaias religiosas.

Unit 5

Aug 9, 2017
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