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Caxias do Sul, RS, Ahead of Print

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Resumo: Criticamos, no artigo, duas exigências fundamentais postas pelo paradigma normativo da modernidade como condição da crítica, da reflexividade e da emancipação, a saber, a racionalização epistemológica dos sujeitos, das práticas e dos valores
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  146 Conjectura: Filos. Educ., Caxias do Sul, RS, Ahead of Print, v. 24, p. 146-173, e019009, 2019  A voz-  práxis   dos marginalizados entre estética e política: autoafirmação, resistência e luta em tempos deinstitucionalismo forte, cientificismo e lógica sistêmica  *  Doutor em Filosofia pela PUCRS. Professor de Filosofia e de Sociologia na FundaçãoUniversidade Federal de Rondônia (Unir). E-mail  : <leno_danner@yahoo.com.br> **  Doutor em Filosofia pela PUCRS. Professor de Filosofia no Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Rondônia (Unir). E-mail  : <fernando.danner@gmail.com> ***  Doutor em Filosofia pela Université de Paris I – Pantheon Sorbonne. Professor deÉtica e Filosofia Política no Departamento de Filosofia e no Programa de Pós-Graduaçãoem Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). E-mail  : <abavaresco@pucrs.br> #  Doutoranda em Letras, Área de Concentração – Teoria da Literatura – pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS). E-mail  : <juliedorrico@gmail.com> Leno Francisco Danner * Fernando Danner ** Agemir Bavaresco *** Julie Dorrico # Resumo:  Criticamos, no artigo, duas exigências fundamentais postaspelo paradigma normativo da modernidade como condição da crítica,da reflexividade e da emancipação, a saber, a racionalizaçãoepistemológica dos sujeitos, das práticas e dos valores como critério de justificação e de validade, e o procedimentalismo imparcial, neutro,formal e impessoal como  práxis   da fundamentação ético-política. Argumentamos que essas duas exigências teórico-práticas levam a dois   9 DOI: 10.18226/21784612.v24.e019009    I   S   S   N    0   1   0   3  -   1   4   5   7   (  v  e  r  s   ã  o  o  n   l   i  n  e   )   A   h  e  a   d  o   f   P  r   i  n   t   D   i  s  p  o  n   í  v  e   l  :   h   t   t  p  :   /   /  w  w  w .  u  c  s .   b  r   /  e   t  c   /  r  e  v   i  s   t  a  s   /   i  n   d  e  x .  p   h  p   /  c  o  n   j  e  c   t  u  r  a A voz- práxis   dos marginalizados entreestética e política: autoafirmação,resistência e luta em tempos deinstitucionalismo forte, cientificismo elógica sistêmica The voice-práxis of the marginalized between aesthetics and  politics: self-affirmation, resistance and struggle in times of  strong institutionalism, scientism and systemic logic   Filos. Educ., Caxias do Sul, RS, Ahead of Print, v. 24, p. 146-173, e019009, 2019  147 Leno Francisco Danner • Fernando Danner • Agemir Bavaresco • Julie Dorrico graves problemas para uma teoria social-crítica e para uma  práxis  político-emancipatória relativamente à modernidade: primeiro, sujeitosepistemológico-políticos marginalizados pela modernidade (porexemplo, indígenas e negros) teriam de abandonar a carnalidade e a vinculação ao seu contexto e sua situação de vítimas da modernidadecomo condição de uma perspectiva crítica ante à própria modernidadecomo universalismo epistemológico-moral autêntico; segundo, uma perspectiva político-metodológica imparcial, neutral, formal e impessoalconduz tanto à apoliticidade e à despolitização dos sujeitos da fundamentação quanto à correlação de institucionalismo forte,cientificismo e lógica sistêmica, já que, nesse segundo caso, apenas asinstituições (desde uma dinâmica lógico-técnica) têm condições deassumir uma atuação e um enquadramento sociais nesses requisitos deimparcialidade, impessoalidade, neutralidade e formalismo. Comoalternativa, apontamos à necessidade, por parte das vítimas da modernização, de uma voz-  práxis   político-politizante, carnal evinculada, que tem como ponto de partida sua condição demarginalização e sua pertença social e antropológica como base da autoafirmação, da resistência e da luta e que se processa sob a forma deum anarquismo estético-político antissistêmico, anti-institucionalista eanticientificista, aberto, inclusivo e participativo. Palavras-chave:  Modernização. Institucionalismo. Lógica sistêmica.Excluídos. Anarquismo estético-político.  Abstract:  In the paper, we criticize the two requirements of thenormative paradigm of modernity as condition of criticism, reflexivity and emancipation, that is, the epistemological rationalization of thesubjects, practices and values as criterion for justification and validity,and the impartial, neutral, formal and impersonal proceduralism as  praxis   of the ethical-political foundation. We will argue that these twotheoretical-practical requirements lead to two serious problems for a critical social theory and an emancipatory political  praxis   regarding modernization: first, the marginalized epistemological-political subjectsby modernity (for example, Indians and Blacks) would have toabandon the carnality and linking to their context and their conditionas victims of modernity as fundamental step to a critical perspective inrelation to the modernity itself as authentic epistemological-moraluniversalism; second, an impartial, neutral, formal and impersonalpolitical-methodological perspective conducts both to the apoliticity and depoliticization of the subjects of the foundation, and to thecorrelation of strong institutionalism, scientism and systemic logic,because, in this second case, only institutions and from a logical-  148 Conjectura: Filos. Educ., Caxias do Sul, RS, Ahead of Print, v. 24, p. 146-173, e019009, 2019  A voz-  práxis   dos marginalizados entre estética e política: autoafirmação, resistência e luta em tempos deinstitucionalismo forte, cientificismo e lógica sistêmica  technical dynamics have conditions to assume a social performanceand framing from these requirements of impartiality, impersonality,neutrality and formalism. As alternative, we will point to the necessity of a political-politicizing, carnal and linked voice-  praxis   streamlined asaesthetic-political anarchism by the victims of modernization, whichhas as its starting point their condition of marginalization as their socialand anthropological belonging as basis of self-affirmation, resistanceand struggle, a kind of aesthetic-political anarchism which is definedfor an anti-systemic, anti-institutionalism and anti-scientist, open,inclusive and participative democratic  práxis  . Keywords:  Modernization. Institutionalism. Systemic logic.Marginalized. Aesthetic-political anarchism. Considerações iniciais Neste artigo, defendemos que o paradigma normativo da modernidade,construído pelas teorias da modernidade europeia canônicas (em nossocaso, neste texto, o exemplo de teoria da modernidade europeia canônica será Jürgen Habermas), estabelece a correlação de racionalizaçãoepistemológica e formalista e de procedimentalismo imparcial, neutro eimpessoal como o caminho metodológico-programático de uma teoria socialmoderna e como o fundamento político-normativo da  práxis   crítica eemancipatória, o que significa que esse mesmo paradigma normativo da modernidade exige dos sujeitos epistemológico-políticos da fundamentaçãoe da  práxis   exatamente a apoliticidade, a despolitização, a desvinculação e a ausência de carnalidade como posturas básico-garantidoras, seja do acordointersubjetivo, seja, a partir daqui, da fundamentação de uma teoria sociale de uma  práxis   político-críticas, normativamente escoradas. Ou seja, uma teoria social crítica   e uma  práxis   política emancipatória   somente seriampossíveis, no paradigma normativo da modernidade, por meio de uma perspectiva metodológico-programática e de um sujeito epistemológico-político apolíticos, despolitizados   – imparciais, neutros, formais e impessoais. A politicidade, a criticidade e a reflexividade são fundadas desde essa imparcialidade, neutralidade, formalidade e impessoalidade do método, doconteúdo e do sujeito da fundamentação. Argumentamos que essa perspectiva leva a um duplo problema. Na relação da modernidade com o outro  da modernidade (o europeu versus   oíndio e o negro, ou a cultura da razão versus   o tradicionalismo, comoexemplos), o paradigma normativo da modernidade, na intersecção da   Filos. Educ., Caxias do Sul, RS, Ahead of Print, v. 24, p. 146-173, e019009, 2019  149 Leno Francisco Danner • Fernando Danner • Agemir Bavaresco • Julie Dorrico racionalização epistêmica e de procedimentalismo imparcial, neutro, formale impessoal, de antemão nega e deslegitima que a crítica social, o diálogointercultural e a  práxis   político-normativa do não moderno diante da própria modernização possam se dar exatamente sob a forma de voz-  práxis  tradicionalista, religiosa, não moderna, isto é, de voz-  práxis   político-politizante, carnal e vinculada, o que significa que o sujeito epistemológico-político não moderno tem de se modernizar, de assumir o paradigma normativo da modernidade como autêntico universalismo, se quiser falar,fundamentar e agir justificada e validamente. Na relação dos múltiplossujeitos epistemológico-políticos modernos ante a própria modernizaçãoe, em particular, diante das patologias sistêmicas causadas pelas principaisinstituições modernas (burocratização, monetarização e cientificismo), a despersonalização, a neutralidade e a imparcialidade dos sujeitosepistemológico-políticos da fundamentação – que, depois, são transladadasà ideia de anonimato e individualização das classes sociais – conduzem à centralidade dos sistemas sociais em geral e da política parlamentar e dodireito em particular, marcados por uma constituição autorreferencial eautossubsistente, de cunho lógico-técnico, que autonomiza e sobrepõe ossistemas sociais modernos relativamente a uma participação política e a uma crítica social diretas, inclusivas e participativas, de modo que apenasas elites institucionais (partidos políticos, cortes e técnicos sistêmicos)podem, efetivamente, legitimar e conduzir a evolução institucional semparticipação social.Nesse sentido, contra essa correlação de racionalização epistemológica e de procedimentalismo imparcial, neutro, formal e impessoal, bem comocontra sua dupla consequência, a negação do não moderno pela modernidaderacionalista-universalista, e a intersecção de institucionalismo forte,cientificismo e lógica sistêmica por parte das instituições modernas e desuas elites, o artigo defende que os problemas do colonialismo e doinstitucionalismo forte somente podem ser resolvidos no momento emque os sujeitos epistemológico-político-marginalizados assumirem uma  práxis  política e politizante, carnal e vinculada como condição de sua crítica à modernidade, o que significa a recusa de um modelo apolítico e altamenteinstitucionalista de teoria política e de normatividade social liberais, para os quais o anonimato e a individualização dos sujeitos sociais levam à centralidade da correlação entre procedimentalismo imparcial, neutro, formale impessoal e institucionalismo técnico como base da constituição, da dinamização e da evolução societais. Nosso primeiro grande problema,  150 Conjectura: Filos. Educ., Caxias do Sul, RS, Ahead of Print, v. 24, p. 146-173, e019009, 2019  A voz-  práxis   dos marginalizados entre estética e política: autoafirmação, resistência e luta em tempos deinstitucionalismo forte, cientificismo e lógica sistêmica  hoje, está na autonomização e na sobreposição das instituições modernas(em particular o mercado, o direito e os partidos políticos) conseguida pormeio da correlação dentre institucionalismo, cientificismo e lógica sistêmica,que afasta a democracia das instituições, na medida em que as tornamestruturas-sujeitos-arenas lógico-técnicas. Nosso segundo maior problema consiste em um universalismo-globalismo unidimensional e totalizantedinamizado a partir da associação direta, feita pelo paradigma normativoda modernidade, entre modernidade, racionalização, universalismo e gênerohumano, que transforma a modernidade em juiz, guia e estágio final da evolução humana (a partir da ideia de que a evolução humana é um grandeprocesso de modernização, do qual a modernidade europeia é o microcosmoexemplar), com capacidade de enquadrar e de transformar o que está dentrodela e o que ainda – mas por pouco tempo – está fora dela. Argumentaremos,com isso, que os marginalizados em termos de modernização podem superaro institucionalismo forte, apolítico e lógico-técnico por meio de uma  práxis  estético-política anarquista que se constitui de modo carnal e vinculado, na correlação entre um eu-nós lírico-político que parte de sua condição devítima e de seu contexto antropológico como forma de autoconsciência ede autoafirmação e, a partir daqui, de resistência e de luta contra a modernização totalizante, tanto dentro quanto fora da modernidade,assumindo uma perspectiva antissistêmica, aberta, inclusiva e participativa em termos de crítica social, de resistência cultural e de luta política. 1 Racionalização como crítica, procedimentalismo como  práxis  : sobre a interpretação e a utilização liberais das teoriasda modernidade europeias  As teorias da modernidade canônicas (utilizamos, para nosso casoexemplar aqui, Jürgen Habermas) e muitas filosofias político-liberais nelasembasadas (pense-se, nesse caso, em John Rawls e novamente no próprioHabermas) assumem o conceito de modernidade e, com isso, o processode constituição, de desenvolvimento e de evolução da Europa moderna,em primeiro lugar, e o padrão evolutivo e constitutivo das sociedadesindustrializadas desenvolvidas, em segundo lugar, como o núcleoparadigmático a partir do qual formulam tanto seus diagnósticos sociais esuas proposições políticas relativamente às condições da modernizaçãoocidental quanto seu conceito de normatividade social garantidor de uma ciência sociocrítica e de uma  práxis   político-emancipatória por parte dossujeitos epistemológico-políticos basilares dessa mesma modernização
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