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  ESTUDO VOCACIONAL COMPARATIVO DOS DISCENTES DO CURSO DEDIREITO DA UFMA EM SEUS ANOS INICIAIS E FINAIS E A INFLUÊNCIA NASCARREIRAS JURÍDICAS  Alan Rodrigo Ribeiro de Castro *José Alberto Lucas Medeiros Guimarães *Mayckerson Alexandre Franco Santos **RESUMOO ensino jurídico está em fase de transição e adaptação. O presente artigovisa estudar o que leva os estudantes do curso de Direito a optarem pelo exercíciodas profissões jurídicas em detrimento da prestação de concursos públicos, mesmosabendo de todos os problemas que o nosso judiciário enfrenta constantemente.Utilizou-se de entrevistas com os discentes que estão no início e no final do curso. Aanálise das entrevistas baseadas no referencial teórico apresentado mostrou em quesituação se encontra o Curso de Direito da UFMA no ano de seu Centenário.Demonstrou-se que a vocação para operadores do Direito e a opção por concursospúblicos não são excludentes em si, dentro da visão dos discentes do Curso deDireito da UFMA.Palavras-chave: Escolha vocacional. Curso de Direito. UFMA. Centenário. Judiciário. 1 INTRODUÇÃO O Curso de Direito da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) comemoraseu Centenário, fundado em 28 de abril de 1918, junto com a fundação daFaculdade de Direito do Maranhão, primeira escola isolada de nível superior doEstado. Partindo desse ponto, em discussão durante a disciplina de Metodologia daPesquisa Científica acerca dos pontos positivos e negativos do curso, foi proposta aelaboração de um artigo acerca do tema. Nesse diapasão e em virtude dasdivergências que pairam sobre o motivo da escolha dos alunos de Direito no Brasil,partiu-se para o estudo do pensamento dos discentes sobre o assunto. Inicialmente apresentaremos um breve histórico da criação dos cursos deDireito no Brasil, passando pela realidade atual dos cursos, chegaremos às ideiasque se contrapõem em relação à crise do ensino jurídico no Brasil e os dilemas parao futuro nesse contexto. A partir desse referencial serão realizadas entrevistas comos discentes do curso de Direito na UFMA em seus anos iniciais e finais para buscar atingir um retrato do pensamento vocacional dos discentes do curso.  ______________________________ * Graduandos em Direito pela Universidade Federal do Maranhão - UFMA** Bacharel em Ciência da Computação pela Universidade Federal do Maranhão – UFMA, Pós-graduado em Gestão Pública pela Universidade Federal do Maranhão – UFMA e Graduando emDireito pela Universidade Federal do Maranhão - UFMA.  2 2 HISTÓRIA DOS CURSOS DE DIREITO NO BRASIL  Após a Independência do Brasil ser declarada por D. Pedro I, em 1822, osdirigentes do 1º Reinado enxergaram a real necessidade da instituição, em territórionacional, de uma escola de Direito, já que a nova nação soberana deveria ter nãoapenas o seu próprio ordenamento jurídico, como também seus próprios intérpretes,sem que isto tivesse que ser importado, sobretudo, da Faculdade de Direito daUniversidade de Coimbra. A necessidade não se restringia somente à formação de operadores deDireito, e sim, de homens com uma base humanística sólida para atender outrasciências humanas imprescindíveis para a formação da identidade cultural de um paísainda em formação. Em verdade, a academia formaria muito mais que bacharéis emDireito, transformaria os garotos da ex-colônia em literatos, estadistas, poetas, jornalistas, historiadores, dentre outras figuras cuja vocação humanística éfundamental. Não obstante, toda necessidade pragmática da iniciativa, bem comosua aura romântica e intelectual, os brasileiros que estavam estudando nauniversidade de Coimbra passaram a ser hostilizados pelos portugueses após adeclaração de Independência.Mais do que um luxo, a criação das academias de Direito no Brasil era a únicasolução viável, para que, num futuro próximo, o novo Império não sofresse aindamais de cabeças pensantes com formação técnica para dirigir um Estado. A necessidade da abertura de uma faculdade de Direito no novo país era tãogrande, que já em 14/06/1823, menos de um ano depois da declaração deIndependência, o assunto já entrou na pauta na assembleia constituinte. Um prazoextremamente pequeno levando em consideração que estava sendo elaborada aconstituição de um novo país, com tantas prioridades para se tratar na nova leimaior. O projeto fora apresentado pelo Deputado José Feliciano Fernandes Pinheiro,o Visconde de São Leopoldo, que, desde sua primeira manifestação já demonstravainclinação pela cidade de São Paulo como sede da primeira academia. A definiçãodo local de instalação, obviamente, ocasionou diversos debates acalorados,efusivos, repletos de regionalismo e disputas políticas. Os políticos tinham plenanoção de que sediar uma iniciativa tão grande quanto esta, era uma enormeoportunidade para o alastramento cultural nas suas regiões, além de fomentar ocomércio local, com pensões, hospedarias, livraria dentre outros vários ramos.Nas diversas discussões acaloradas que houveram, os mais diversos pontosfracos dos pleiteadores a sediar as faculdades eram explorados. Contra São Paulo,por exemplo, chegou-se argumentar que a cidade era muito distante das provínciasdo Norte, e que os estudantes teriam que subir a Serra do Mar (o que naquela épocaera feito no lombo de burro), os livros não chegariam em razão da distância do portoe que o sotaque paulista era muito desagradável. Em resposta, foram alegadas asseguintes vantagens: que o clima frio inibiria a ação das traças sobre aencadernação dos livros, o baixo custo de vida, a maior concentração dosestudantes levando em conta a falta de diversão na cidade (ponto muito contestável)e as proximidade com as províncias do Sul e Minas.Houve uma tentativa frustrada de iniciar no Rio de Janeiro, em 1825, por Visconde de Cachoeira, que até redigiu estatutos regulamentando tal instituição.  3 Contudo, em 11 de Agosto de 1827, Dom Pedro I definiu que as academias jurídicasseriam sediadas nas cidades de São Paulo e Olinda. A primeira aula no largo de São Francisco aconteceu no dia 01/08/1828,proferida pelo Conselheiro Brocaro, que ensinou Direito das Gentes (atual DireitoInternacional). A turma era formada por 33 meninos, na faixa de 15 anos de idade(idade mínima para o ingresso), oriundos da capital paulista, interior, Minas Gerais,Bahia, além, é claro, do estado do Rio de Janeiro, capital do país àquela altura. Já aFaculdade de Olinda funcionou durante 26 anos, sendo transferida para Recife anosdepois da cidade se tornar a capital de Pernambuco (atual UFPE). Também foifundamental na história do país e do Direito brasileiro, com expoentes em todas asáreas das Ciências Humanas, cumprindo com a expectativa dos que istoesperavam.Wolkmer (2006) destaca em sua obra “História do direito no Brasil” que aCriação dos Cursos de Direito no Brasil dentro de todo esse contexto histórico,esteve sempre vinculada à formação de uma elite política e administrativa no país,voltado para um ensino burocrático e técnico, diferente do que era ensinado emCoimbra, corroborado por Bastos (2000, p. 82) que diz: Tanto os filhos de famílias remediadas quanto os de famíliasabastadas não apresentavam somente a preferência pelo títulode bacharel em Direito, tradicional na mentalidadebacharelesca colonial, mas também aspiravam a uma culturageral “desinteressada”, de base filosófica e letrada, exercida deforma supletiva pelas escolas de Direito, que apresentavamcaráter enciclopédico em seus estudos, desvinculados deelementos econômicos e técnicos. Dessa forma, desde os primórdios, os Curso de Direito no Brasil tem umcompromisso com o fornecimento de profissionais desvinculados de vocação evoltados para a manutenção da estrutura de poder existente. 3 SITUAÇÃO ATUAL DOS CURSOS DE DIREITO NO BRASIL  A partir de dados do INEP é possível constatar que no curso de Direito emnosso país são encontradas uma enorme concentração de vagas disponíveis noensino superior, principalmente nas universidades particulares, conforme demonstrao Gráfico 1, devido tanto ao preço acessível para a maior parte da população declasse média/média ou média/alta. De acordo com o coordenador geral da pós-graduação da Fundação Getúlio Vargas Direito Rio, Rafael Almeida, o mercado detrabalho encontra-se inchado, e a concorrência está cada vez mais acirrado. Anualmente, formam-se cerca de 85 mil bacharéis (ASENSI; ALMEIDA, 2013).  4 Gráfico 1 - Resumo Técnico Censo da Educação Superior de 2010 Fonte:  http://download.inep.gov.br/educacao_superior/censo_superior/documen-tos/2010/divulgacao_censo_2010.pdf. Acesso em 12 jul. 2018. Em função desta situação, um questionamento sempre vem à tona: o queleva esse contingente tão considerável de indivíduos a escolher este curso, mesmosabendo de todas as barreiras existentes para o exercício das atividades dosoperadores do direito? Talvez o interesse nesta área possa ser outro. O quesabemos é que, desta maneira, este trabalho tem por objetivo geral buscar conhecer os motivos que levaram estes alunos a optarem pelo Direito e quais são suasperspectivas. Há ainda os objetivos específicos: aplicar o instrumento de pesquisa(entrevista); conhecer os motivos que fizeram escolher este curso; por último, quaisas perspectivas na continuidade do curso e depois de concluído.  Alguns entendem que este seja um mercado saturado, haja vista que asprovas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) procuram, de certa forma, “filtrar”os profissionais para o exercício da advocacia. A maioria dos alunos que se formamem Direito no Brasil não consegue se tornar advogado. Resultado preliminar doexame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), obrigatório para exercer aprofissão, mostra que dos 128.000 inscritos no de 2018, apenas 24% foramaprovados (CONJUR, 2018). Não há limite numérico, mas o exame aprova apenas aquem considera ter aprendido o mínimo (RODRIGUES, 2013). O Ministério daEducação, através da Coordenadoria de Pessoal de Nível Superior (Capes) emconjunto com o Instituto de Pesquisas Educacional Anísio Teixeira (INEP), têmbuscado de forma o mais técnica possível avaliar dentre os cursos de ensinosuperior, o curso de Direito. Já chegaram a fechar 45 mil vagas de instituições queapresentaram baixos valores nos critérios avaliados que leva em conta, inclusive, oíndice de aprovação na OAB (RODRIGUES, 2013). Talvez seja um tanto quantooportuno dar ênfase ao fato de que o exame da OAB não é um “privilégio” do Brasil.Provavelmente seja uma mera cópia do sistema americano, onde a American Bar  Association (Associação dos Advogados Americanos), divulgou uma pesquisa nas20 Escolas de Direito com o maior número de formandos empregados, 83% dosbacharéis foram trabalhar como advogados. Nas Escolas de Direito que ocupam as20 últimas posições dessa lista, apenas 31% dos alunos estavam empregados naárea (FGV, 2012). 88,31%4,21%4,50%2,99%Instituições PrivadasInstituições FederaisInstituições EstaduaisInstituições Municipais
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