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A mente grupal nas tramas do imaginário Xavier, R. P; Neves, A. S. pp

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Resumo A MENTE GRUPAL NAS TRAMAS DO IMAGINÁRIO Raquel do Prado Xavier 1 Anamaria Silva Neves 2 O artigo procura focar alguns impasses encontrados no trabalho com grupos na clínica psicanalítica, a partir
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Resumo A MENTE GRUPAL NAS TRAMAS DO IMAGINÁRIO Raquel do Prado Xavier 1 Anamaria Silva Neves 2 O artigo procura focar alguns impasses encontrados no trabalho com grupos na clínica psicanalítica, a partir de uma reflexão sobre os efeitos do imaginário no dispositivo grupal tendo como base o conceito Freudiano de identificação coletiva. Os direcionamentos para as hipóteses discutidas se embasam na proposição teórica Mente Grupal. Visto que estas proposições teóricas só se sustentam enquanto fenômeno apreensível no manejo da transferência e da contratransferência, estes fenômenos serão também considerados. Jurandir Freire Costa, a partir de sua obra Psicanálise e contexto cultural imaginário psicanalítico, grupos e psicoterapias é o autor disparador de um debate com outros autores sobre o manejo na clínica psicanalítica grupal. Palavras-chave: Grupos, Identificação, Imaginário, Mente Grupal Abstract The article tries to focus some impasses in working with groups in psychoanalytic practice from a reflection on the effects of imagery in the device group, and based on the Freudian concept of collective identification. The directions for the rest on the assumptions discussed theoretical proposition Group Mind . Since these theoretical propositions can only be sustained as a phenomenon apprehended in the management of transference and counter transference, these phenomena will also be considered. Jurandir Freire Costa, from his book Psychoanalysis and cultural context - imaginary psychoanalytic groups and psychotherapy is the author trigger a debate with other authors on management in the psychoanalytic group. Keywords: Groups, Identification, Imaginary, Mind Group Resumen El artículo busca enfocar algunos impases encontrados en el trabajo con grupos en la clínica psicoanalítica, a partir de una reflexión sobre los efectos del imaginario en el dispositivo grupal, y tenie como base el concepto Freudiano de identificación colectiva. Los direccionamientos para las hipótesis discutidas se basan en la proposición teórica Mente Grupal. Teniendo en cuenta que estas proposiciones teóricas solamente se sostienen en cuanto fenómeno aprehensible en el manejo de la transferencia y de la contratransferencia, estos fenómenos serán también considerados. Jurandir Freire Costa, a partir de su obra Psicanálise e contexto cultural imaginário psicanalítico, grupos e psicoterapias es el autor disparador de un debate con otros autores acerca del manejo en la clínica psicoanalítica grupal. Palabras clave: Grupos, Identificación, Imaginario, Mente Grupal 1 Psicóloga Clínica, especialista em Psicologia Hospitalar pela FMUSP São Paulo (1999) e em Clinica Psicanalítica pela Universidade Federal de Uberlândia (2007) e Mestranda do PGPSI Universidade Federal de Uberlândia ( ). 2 Mestrado em Psicologia pela Universidade Federal de Campinas (1996), Doutorado em Psicologia pela Universidade de São Paulo (2005). Pós-doutorado no CWASU Child and Woman Abuse Studies Unit, instituição vinculada a London Metropolitan University, em Londres ( ). Professor-adjunto 4 da Universidade Federal de Uberlândia e Orientadora no Programa de Pós-Graduação Mestrado da Universidade Federal de Uberlândia. 10 A MENTE GRUPAL NAS TRAMAS DO IMAGINÁRIO iii 1- Os fundamentos da mente grupal Os impasses gerados pelas formações grupais nas instituições e na clínica psicanalítica sempre existiram e a partir deles um caleidoscópio de teorias sobre o assunto nasceu. Bach (1958), Foulkes e Anthony (1967), Bion (1970), Anzieu (1993), Pichon-Rivière (2005) e Käes (2005, 2007), são alguns dos principais expoentes na vertente de pensamento psicanalítica. Na atualidade, a preconização pelo Ministério de Saúde da modalidade de atendimento grupal em saúde mental nas unidades de saúde publica (Portaria 224/92, de 2001 e Portaria nº 336/GM, de 2004) salientam a premência de estudos mais rigorosos neste campo. O presente trabalho focará o dispositivo grupal na clínica psicanalítica e tem como base o conceito Freudiano de identificação coletiva. Os direcionamentos para as hipóteses discutidas se embasam na proposição teórica Mente Grupal, criada por Le Bon em 1920 e utilizada por Freud em 1921, em seu brilhante trabalho Psicologia de Grupo e análise do ego. Visto que estes conceitos só se sustentam enquanto fenômeno apreensível no manejo da transferência e da contratransferência, estes fenômenos serão também considerados. Muitos autores contemporâneos (Junior, 2008, Correa e Seminotti, 2005, Fernandes, 2005, Ávila, 2005, Ávila 2009, Baptista, 2003), ancorando-se no trabalho de Freud de 1921 tomam-no como uma importante referência para a escrita sobre a clínica grupal. A justificativa para tal fato parece se assentar na discussão Freudiana sobre a identificação coletiva como efeito do socius sobre o psiquismo e o consequente engendramento de uma realidade psíquica nos grupos responsável pela formação de um novo estado de mente, a mente grupal. Freud (1921) sugere a ocorrência de um fenômeno no grupo causador de um estado mental nos indivíduos que uniformiza o grupo, desindividualiza o indivíduo e o torna um ser grupal. Sob a perspectiva Freudiana, a identificação e a idealização são as bases da formação desta mente grupal e o espírito grupal humano, longe de ser um fenômeno natural é uma revivescência do espírito de justiça e igualdade originado de sentimentos infantis de inveja e ciúme dirigido aos pais e irmãos. Segundo Freud (1921), a fim de lidar com a disputa pelo amor dos pais, a criança identifica-se com os irmãos e desenvolve um sentimento de igualdade e justiça a partir da idealização sobre a distribuição igualitária deste amor. Estes sentimentos aparecerão depois na escola e posteriormente na vida em sociedade. A exigência de igualdade tornará, futuramente, a raiz da consciência social e do senso de dever. Porém, cabe assinalar que este é um dos tipos de identificação propostos por Freud. Há duas outras modalidades de identificação, sendo uma delas particularmente interessante para esta discussão. Trata-se do exemplo trazido por Freud de uma moça que recebeu uma carta de alguém por quem está apaixonada que lhe provocou ciúmes e uma consequente crise de histeria. Isto fez com que outras moças também desenvolvessem a crise. O mecanismo de identificação ocorrido neste caso baseou-se no desejo de se colocarem na mesma situação que a moça apaixonada, mesmo não havendo investimento libidinal direto. Esta é a modalidade de identificação que justifica a formação das coletividades e a união entre os membros de um grupo. 11 Em suma, no entender de Freud, o homem não é um animal gregário, com uma disposição inata para o agrupamento: Para Freud, o homem contemporâneo, ao reunir-se em grupo, promove a reedição da horda primeva, com o homem primitivo sendo perpetuado potencialmente em cada ser. Ao participar de vários grupos, o ser humano partilha de várias mentes grupais nacionalidade, credo, entre outras. Em Totem e tabu e Psicologia de grupo e análise do ego, Freud não opõe o indivíduo e a rede institucional; são lançados os paradigmas da descendência humana e da mente coletiva, onde o psiquismo humano não está centrado exclusivamente no inconsciente pessoal (Neves et al, 2006, p.1). Assim, o conceito de identificação na obra Freudiana revela-se fundamental para a compreensão do processo de inserção do sujeito no socius e, portanto, nos grupos. Conforme o próprio Freud confirma mais tarde, em 1933, em Por que a Guerra? : Tudo o que favorece o estreitamento dos vínculos emocionais entre os homens deve atuar contra a guerra. Esses vínculos podem ser de dois tipos. Em primeiro lugar, podem ser relações semelhantes àquelas relativas a um objeto amado, embora não tenham uma finalidade sexual. (...) O segundo vínculo emocional é o que utiliza a identificação. Tudo o que leva os homens a compartilhar de interesses importantes produz essa comunhão de sentimento, essas identificações. E a estrutura da sociedade humana se baseia nelas, em grande escala. (Freud, 1933/1969, p. 255) Por outro lado, Carvalho (1986) é um autor que coloca em discussão parte do pensamento Freudiano. Enquanto para Freud (1921) a coesão num grupo é mantida pelos laços libidinais responsáveis pelas identificações e pela instauração do ideal do ego como uma instância da própria personalidade dos membros, para Carvalho (1986), estes laços, mais do que levar à instauração do ideal do ego, levam à restauração do ego ideal, a uma ligação fusional própria ao narcisismo primitivo (Carvalho, 1986, p. 100). Isto explicaria, por exemplo, a unidade grupal presente nas juras de lealdade nos grupos de adolescentes e o extremo fanatismo religioso que tantas vezes despersonalizam os membros de uma seita e também a angústia proveniente de sentimentos de despersonalização manifestos nos trabalhos clínicos com grupos. Nesta perspectiva, a coesão grupal tem como pano de fundo, satisfações narcísicas. Novamente vê-se o laço libidinal apresentando-se como um misto paradoxal de resistência (poder de agregação) e fragilidade (tendência à dissolução). É a posição narcísica se impondo frente ao outro, estranho e anunciador de falta e incompletude. Nesta perspectiva, o texto Freudiano de 1921 também pode ser apreendido como um esclarecimento sobre o processo ilusório de unificação do eu, favorecido pelas identificações e idealizações, onde este é tomado como um precipitado de identificações com as quais terá de se haver a vida toda em seus investimentos libidinais. 12 2- O grupo e o ego: nas tramas do imaginário Jurandir Freire Costa, em seu livro Psicanálise e contexto cultural imaginário psicanalítico, grupos e psicoterapias (1989) apresenta outro posicionamento sobre a mente grupal. Para o autor é ilógica a hipótese de um inconsciente grupal responsável por efeitos de grupo, pela criação da mente grupal ou a existência de um espaço psíquico comum formado a partir das instâncias inconscientes dos membros. Segundo Costa (1989), na obra de 1921 não interessava à Freud conhecer a complexidade do social ou grupal e sim encontrar a coerência de sua teoria sobre as neuroses e justificar o recalque. Para o autor, o legado de Freud sobre o eu precisava de outros princípios que não apenas os sexuais para acionar o recalque e estes princípios foram os da moral sexual civilizada. O interesse de Freud era descobrir o que limitaria o narcisismo: enquanto na horda o limite era o assassinato e a ameaça de morte, nas massas, o limite é o amor. Aproximando-nos um pouco mais da obra de Costa (1989), vimo-lo abordando diversas questões sobre a grupoterapia aplicada às camadas populares de baixa renda, afirmando seu desinteresse em discutir questões referentes à transferência, a identificação e a interpretação no dispositivo grupal e declarando seu único objetivo: desfazer a ideia pronta da teoria do social e cultural em Freud (Costa, 1989, p. 4). Entretanto, ao tecer articulações entre o ego-narcísico imaginário e as identificações socialmente construídas, aparece em sua obra uma abertura, refutada, mas proeminente, para uma discussão sobre os efeitos do imaginário na criação da realidade psíquica na grupanálise e na formação da mente grupal. Costa (1989), em uma espécie de deslizamento, tece importantes articulações sobre o imaginário na grupalidade, visto que um dos sentidos do imaginário em Psicanálise se relaciona às imagens advindas das identificações como fonte da estruturação egóica. Apesar de utilizar-se de outra terminologia 3 e acusar a Psicanálise de buscar uma substancia sexual escondida (COSTA, 1989, p.29), o autor afirma que o sujeito quando não consegue realizar as exigências da norma identificatória (...) pode vir a sofrer psicologicamente (p.22) e ser na superfície do discurso que o ego narcísico mostra ao outro sua faceta ideal (p.29). 3- A arte de grupanalisar: contratransferência e outras coisinhas mais Partindo-se do pressuposto da relação entre mente grupal e produtos identificatórios do egonarcísico imaginário discutida por Costa (1989) percebe-se convergências entre os pensamentos deste autor com Freud (1921), Kaës (2005, 2007), Neto (2001) e Anzieu (1993): o conflito subjetivo na clinica grupal é conflito identificatório, narcísico e idealizatório, da ordem do imaginário e somente apreensível no campo transferencial e contratransferencial, pois o grupo adota o ideal de ego oferecido pelo analista, passando a funcionar e a enfrentar seus impasses no âmbito do imaginário, acarretando impasses de difícil manejo ao trabalho analítico. 3 Para exemplificar, citamos alguns trechos: Em nossa terminologia, diríamos que a construção da identidade psicológica do grego não fazia da heterossexualidade o predicado definitório da essência do eu universal (p.23. grifos da autora); Postulamos então que o conflito identificatorio, sede do sofrimento subjetivo, só se traduz em perturbação psíquica quando a área da identidade atingida é a identidade psicológica. (p.22, grifos da autora). 13 Segundo Neto (2001), um dos processos mais primitivos e comunicativos usados pelo grupo é forçar sua identidade sobre o analista castrando-o, pois este procura encontrar no mundo externo alguém que possa receber suas cargas emocionais, cabendo ao analista abdicar temporariamente de sua identidade para ocupar o lugar de receptor e continente das emoções grupais. Por outro lado, Kaës (2005) aponta que cada aparelho psíquico individual, ao ser atravessado por processos psíquicos desenvolvidos no espaço grupal faz um trabalho singular, formando aí um espaço onírico comum ao grupo, sendo neste espaço que se dá a comunicação grupal. Além da relação analista-grupo, a situação de pluralidade grupal gera configurações transferenciais singulares, levando à difração da transferência na inter-transferência (KAËS, 2005). É nesta perspectiva que o dispositivo grupal é qualificado para o trabalho com pacientes que não toleram um único objeto transferencial, como nos casos de psicose. Portanto é no aqui e agora transferencial que se dá o desenvolvimento dos nós concluídos na intersubjetividade dentro de todo o processo analítico. Neste sentido procura-se por aquilo que se transfere e se transmite no espaço psíquico de um sujeito para o espaço psíquico de um outro ou de mais de um outro e no espaço intersubjetivo (Kaës, 2005, p.128). Estes são processos grupais que se organizam inconscientemente sob a égide de organizadores fantasmáticos, já que as fantasias sustentam as identificações e os vínculos entre os membros. Na clínica os movimentos transferenciais, a organização e o funcionamento dos processos associativos permitem o acesso a estas fantasias: O trabalho de análise diz respeito aos vínculos que se constituíram em suas relações com os objetos de seu grupo originário e que se repetem, concordam, se reordenam e se transformam no espaço grupal da transferência e da contratransferência. Porém, a situação psicanalítica grupal comporta outra característica essencial: é um encontro com os desconhecidos, com o desconhecido, o imprevisível. É nesse duplo registro da repetição e do encontro aleatório que se põem em ação as relações que o sujeito mantém com seus próprios objetos inconscientes, com os objetos inconscientes dos outros e com os objetos comuns e partilhados. (Kaës, 2007, p.97) Em toda a extensão da obra de Freud, segundo o autor, é a partir do recalque originário e secundário, ou seja, de uma não mediação fundadora que se constituem os sistemas e as instâncias intermediarias entre inconsciente e consciente, entre as exigências do Id, as do Superego e as da realidade externa (Kaës, 2005, p. 15). Segundo o autor, Freud, ao tecer articulações conceituais entre os espaços intrapsíquicos do sonho, do pré-consciente, da formação do ego dentre outros, com os espaços do outro intermediando a vida psíquica do sujeito, se refere aos processos intermediários. E os sofrimentos e patologias que lidamos na clínica atual referem-se a tais processos, relativos ao vínculo intersubjetivo, ao narcisismo e à simbolização primaria, como aqueles que exprimem falhas na constituição dos sistemas psíquicos intermediários responsáveis pela ligação e desligamento psíquico. De acordo com Carvalho (1986) há dois registros para se captar a experiência psicoterápica grupal: um registro individual, do desejo, do fantasma e um registro social, na medida em que cada sujeito é compreendido como emergente da totalidade do grupo (qualquer que seja ele) (p. 104). Segundo este autor, tratar da trama-efeito das imagens e fantasias circulantes no grupo permite ao analista obter compreensão do processo e produzir uma intervenção clara e livrar-se das 14 ambiguidades inerentes às interpretações dirigidas ora ao sujeito ora ao grupo. E ao grupo, dá a possibilidade de tornar-se mais criativo, refazer-se e confrontar-se com a falta de sentido. E diante dos impasses que o grupo coloca o analista, o lugar da interpretação, método psicanalítico por excelência, segundo Bernardo Blay Neto (2001) é o de identificar e comunicar ao grupo o que os membros têm em comum para devolver-lhes a integração perdida, tanto a nível individual como grupal. Se obtiver sucesso nessa tarefa, o analista abrirá a oportunidade para o grupo iniciar um desenvolvimento mental, pensar e, sobretudo, perder o medo da verdade. A mudança estrutural consistiria na diluição da antecipação persecutória do outro (p. 87). Segundo o autor, paralelamente a isto, o analista, no grupo deve promover a ilusão funcionando como um articulador e intermediador desta situação ativando cenas representativas do velho desejo de unificação entre ego e ideal de ego. Neste sentido, Anzieu (1993) entende que o estado ilusório, por determinado tempo, garante que o grupo esteja erigido como objeto libidinal (p.168) e que permaneça vivo. Entretanto, novas ressignificações precisam ser estabelecidas no decorrer do processo analítico juntamente com alternâncias na relação objetal grupo-analista. Acompanhando o pensamento de Anzieu (1993), compreende-se que o grupo funciona em dois níveis: o da estrutura e o da organização. O primeiro, indicando que há uma instância psíquica comum estruturando o aparelho psíquico grupal e o segundo, que uma organização fantasmática se dá em função desta instância psíquica, sendo a fantasia o produto defensivo e produtor dos efeitos de grupo. A ideia de aparelho psíquico grupal do autor (ou mente grupal como preferiam Le Bon e Freud) sugere que os fenômenos no grupo variam de acordo com a natureza da pulsão dominante. No nível fantasmático, o grupo pode ocupar o lugar de restaurador dos narcisismos individuais, funcionando como ideal de ego dos membros. Um exemplo deste tipo de organização e estrutura, por exemplo, é o desejo de ser um bom grupo. Para o autor, o verdadeiro e temido alvo da psicoterapia de grupo é o questionamento pessoal de cada um e a interpretação a nível grupal da fantasia de ser um bom grupo poderá propiciar a percepção coletiva de modos de funcionamento narcísicos individuais. Caso contrário, a permanência neste estado manterá o analista num lugar idealizado, impossibilitando-o de pensar, paralisado pela contratransferência. Alberto Eiguer (1995), ao tratar de questões da contratransferência em Terapia Familiar também aponta importantes colocações sobre o(s) lugar (es) do analista no campo grupal. Segundo o autor, este deve, ao servir-se da contratransferência, deixá-la evoluir. Isto significa que as vivencias do grupo experenciadas contratransferencialmente em carne viva, representam conteúdos que não puderam ser elaborados pelo grupo. E que o analista, através daquilo que pode pensar, fantasiar e dizer para si mesmo em função da contratransferência dá a oportunidade ao grupo de vivenciar a fantasia, os desejos e as palavras que não pode fantasiar, desejar e encontrar em si mesmo. Importante ressaltar, em ressonância com este autor, o quanto o tema da contratransferência corresponde à resistência do analista e ainda, à preocupação em facilit
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