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EXPECTATIONS OF ADOLESCENTS IN DIFFERENT CONTEXTS REGARDING THE FUTURE

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  EXPECTATIVAS QUANTO AO FUTURO DE ADOLESCENTES EM DIFERENTES CONTEXTOS  JANA GONÇALVES ZAPPE * , JAMES FERREIRA MOURA JR., DÉBORA DALBOSCO DELL'AGLIO, JORGE CASTELLÁ SARRIERA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL (UFRGS) - BRASIL  Recibido, febrero 7 /2012Concepto evaluación, mayo 27/2013 Aceptado, junio 11/2013 Resumo O construto expectativas quanto ao futuro tem sido considerado um importante fator de proteção ao desenvolvimento saudável na adolescência, pois pensar sobre o futuro motiva o comportamento cotidiano e inuencia escolhas, decisões e atividades futuras. Este estudo investigou as expectativas quanto ao futuro de adolescentes em diferentes contextos institucionais, assim como a presença de fatores de risco ao desenvolvimento em suas trajetórias de vida. Participaram 945 adolescentes com idades entre 14 e 19 anos (M=15,41; SD=1,68), de ambos os sexos, que viviam com a família (G1), em instituição de proteção (G2) ou em instituição para cumprimento de medidas socioeducativas (G3) no Rio Grande do Sul, que responderam ao Questionário da Juventude Brasileira. Análises de Variância indicaram diferenças signicativas entre os adolescentes dos três contextos com relação ao escore total de expectativas quanto ao futuro [F(2, 885)=15,15; p<0,001], sendo que G1 (M=38,42; SD=5,59) apresentou os escores mais altos do que G2 (M=37,20; SD=5,58) e G3 (M=35,37; SD=6,61). O maior número de fatores de risco ao desenvolvimento foi identicado em G3 e G2 a partir de análise discriminante. Discute-se o impacto dos fatores de risco ao desenvolvimento e da institucionalização na construção de expectativas quanto ao futuro na adolescência.  Palavras-chave:  adolescência, expectativas quanto ao futuro, fatores de risco, institucionalização EXPECTATIVAS DE LOS ADOLESCENTES EN DIFERENTES CONTEXTOS CON RESPECTO AL FUTURO Resumen El constructo de expectativas con respecto al futuro ha sido considerado como un importante factor de protección para el desarrollo saludable en la adolescencia, pues pensar sobre el futuro motiva el comportamiento cotidiano e inuye en las elecciones, decisiones y actividades futuras. Este estudio investigó las expectativas de adolescentes provenientes de diferentes contextos institucionales con respecto al futuro, así como la presencia de factores de riesgo para el desarrollo de sus trayectorias de vida. Participaron 945 adolescentes con edades entre 14 y 19 años (M=15,41, SD=1,68), de ambos géneros, pertenecientes a tres grupos: los que vivían con la familia (G1), en una institución de protección (G2), o en una institución para el cumplimiento de medidas socio-educativas (G3) en Rio Grande do Sul, quienes respondieron al Questionário da Juventude Brasileira   [Cuestionario de la Juventud Brasileña]. Los análisis de varianza indicaron diferencias signicativas entre los adolescentes de los tres contextos en relación con la puntuación total de las expectativas con respecto al futuro [F(2, 885)=15.15, p<0,001], encontrándose que G1 (M=38,42; SD=5,59) presentó puntajes más altos que G2 (M=37,20; SD=5,58) y G3 (M=35,37; SD=6,61). A partir del análisis discriminante se identicó que el mayor número de factores de riesgo para el desarrollo estaba en G3 y G2. Se discute el impacto de los factores de riesgo para el desarrollo y el de la institucionalización en la construcción de las expectativas con respecto al futuro en la adolescencia.  Palabras clave: adolescencia, expectativas con respecto al futuro, factores de riesgo, institucionalización.    ACTA COLOMBIANA DE PSICOLOGÍA 16 󰀨1󰀩: 91󰀭100, 2013 *  Ramiro Barcelos, 2600. Sala 115. Porto Alegre/RS. Brasil.  janazappe@hotmail.com  92  JANA GONÇALVES ZAPPE, JAMES FERREIRA MOURA JR., DÉBORA DALBOSCO DELL’AGLIO, JORGE CASTELLÁ SARRIERA. EXPECTATIONS OF ADOLESCENTS IN DIFFERENT CONTEXTS REGARDING THE FUTURE Abstract The construct of expectations about the future has been considered as an important protective factor for healthy development during adolescence, since thinking about the future motivates everyday behavior and inuences choices, decisions and future activities. This study investigated the expectations of adolescents from different institutional contexts about the future, and the presence of risk factors for the development of their life trajectories. Participants were 945 adolescents aged between 14 and 19 years (M = 15.41, SD = 1.68), of both sexes, belonging to three groups: those who lived with their family (G1), in a protective institution (G2), or in an institution for the fulllment of socio-educational measures (G3) in Rio Grande do Sul, who responded to the Questionário da Juventude Brasileira [Brazilian Youth Questionnaire]. The analysis of variance indicated signicant differences among adolescents in the three contexts in relation to the total score of expectations about the future [F (2, 885) = 15.15, p <0.001]. Findings show that G1 (M = 38, 42, SD = 5.59) had higher scores than G2 (M = 37.20, SD = 5.58) and G3 (M = 35.37, SD = 6.61). From the discriminate analysis it was identied that the greatest number of risk factors for development was in G3 and G2. Discussion focuses on the impact of institutionalization and risk factors for development in building expectations about the future in adolescence.  Key words:  adolescence, expectations about the future, risk factors, institutionalization. A adolescência é uma construção social desenvolvida em íntima relação com as organizações sociais e econô - micas que zeram parte da história do mundo ocidental (Grossman, 1998). Contemporaneamente, compreende- se a adolescência como o conjunto de transformações  biopsicossociais que se processam entre a infância e a idade adulta e têm como consequência marcante a rees- truturação psíquica do adolescente e a denição de sua identidade e seu papel na sociedade. Apesar de haver uma tendência em caracterizar a adolescência como um mo- mento de diculdades, conitos e alterações de humor, cada vez mais tem se enfatizado a necessidade de consi- derar que este também é um momento de intensa explo -ração e descoberta de múltiplas oportunidades (Senna & Dessen, 2012). Desta forma, o estudo das potencialidades e habilidades pessoais e interpessoais indicativas da vida saudável, foco da Psicologia Positiva, tem sido encoraja- do (Guzmán, 2007; Sheldon & King, 2001). O construto expectativas quanto ao futuro tem sido considerado como um importante fator de proteção ao desenvolvimento saudável na adolescência, pois pensar sobre o futuro motiva o comportamento cotidiano e in- uencia as escolhas, decisões e atividades que afetarão a realização futura (Beal & Crockett, 2010; Nurmi, 1991; Sunderberg, Poole, & Tyler, 1983). Locatelli, Bzuneck e Guimarães (2007) consideram a expectativa quanto ao futuro como a antecipação de metas futuras no presente, referindo-se ao grau e ao modo pelo qual o futuro cro- nológico de um indivíduo é integrado ao espaço de vida  presente por meio de processos motivacionais. Estas me-tas futuras podem ser relativamente próximas e realistas, como concluir o ensino médio, ou mais distantes e im - precisas, como engajar-se em um emprego que assegu-re boa qualidade de vida (Toda, 1983). Na adolescência, inicialmente as aspirações são vagas e construídas com  base em normas sociais e expectativas familiares, porém, ganhando experiência, os jovens desenvolvem maior au - toconhecimento, o que leva a um renamento de suas ex -  pectativas e aspirações (Beal & Crockett, 2010). Estudos indicam que as expectativas educacionais são  preditoras de realização acadêmica e expectativas ocu- pacionais são preditoras de realização ocupacional (Beal & Crockett, 2010). Além disso, o modo como os adoles -centes se relacionam com a perspectiva de tempo futuro está associado com o engajamento em comportamentos de risco, tais como uso de drogas (De Lucca & Petriz, 2006; Lachtim & Soares, 2011; Nurmi, 1991; Oliveira, Sá, Fischer, Martins & Teixeira, 2001; Pratta & Santos, 2007; Presta & Almeida, 2008); comportamento sexual de risco (Câmara, Sarriera & Carlotto, 2007; Robbins & Bryan, 2004; Saavedra & Taveira, 2011; Sanchez, Oli -veira, & Nappo, 2004); cometimento de atos infracionais (Nardi, 2010; Nurmi, 1991; Oyserman & Markus, 1990), entre outros.  Nurmi (1991) fez uma ampla revisão de pesquisas so- bre como os adolescentes veem o seu futuro, e os resulta-dos sugerem que os objetivos e interesses dos adolescen-tes se referem às principais tarefas do desenvolvimento do nal da adolescência e início da vida adulta. Os prin -cipais conteúdos dos interesses dos adolescentes com re- lação ao futuro se referem a preocupações relativas a tra -  balho e educação, o que não varia de acordo com questões culturais. Em seguida eles têm interesse em casamento e família futura, atividades de lazer e preocupações com  93  EXPECTATIVAS QUANTO AO FUTURO DE ADOLESCENTES  aspectos materiais, mas estes interesses variam de acordo com a idade, o sexo e a cultura. No entanto, os adolescen-tes participantes de todos os estudos revisados estavam na escola, o que pode explicar a predominância da educação e do trabalho entre as expectativas quanto ao futuro. De fato, a maioria dos estudos que abordam as expec-tativas quanto ao futuro na adolescência investiga ado-lescentes no contexto escolar. Entre os estudos realizados com a população brasileira, muitos buscam comparar as expectativas quanto ao futuro de estudantes das escolas  públicas e privadas, utilizando a escala “Como você vê seu futuro” adaptada por Günther e Günther (1998) para estudo com adolescentes de escolas em Brasília. Algumas destas investigações indicam que os jovens diferem em  poucas questões e possuem aspirações similares quan -to à forma como idealizam o futuro (Oliveira, Pinto, & Souza, 2003; Oliveira, 2010), enquanto que outros estu-dos indicam mais diferenças (Presta & Almeida, 2008). Diante disso, constata-se que há resultados divergentes e que a predominância de estudos com adolescentes em escolas constitui-se como uma importante limitação para a compreensão do construto expectativas quanto ao fu-turo. É importante salientar que o contexto sociocultural em que o adolescente está inserido exerce inuência em seu desenvolvimento, sendo fundamental a importância dos sistemas de apoio social para uma trajetória positiva, enfatizando-se o papel da família (Blyth & Leffert, 1995; Guzmán, 2007; Lerner & Galambos, 1998, Sunderberg et al., 1983).  No entanto, existem adolescentes que não estão in-seridos em sistemas de apoio com a presença da famí-lia. Em alguns casos, eles podem estar afastados de suas famílias, seja em instituições de proteção ou em insti - tuições para cumprimento de medidas socioeducativas. A institucionalização de crianças e adolescentes é um recurso previsto na legislação brasileira que pode ser adotado tanto em caso de risco e vulnerabilidade so-cial, como uma medida de proteção, quanto em caso de cometimento de ato infracional, como uma medida so- cioeducativa (Brasil, 1990). Nestes casos, as instituições de acolhimento que executam medidas de proteção e as instituições que executam a medida socioeducativa de internação passam a fazer parte do sistema de apoio so-cial dos adolescentes, considerando-se pertinente inves-tigar as expectativas quanto ao futuro dos adolescentes institucionalizados. Porém, estudos sobre as expectati -vas quanto ao futuro de adolescentes com outras inser- ções institucionais, além da escola, são mais escassos, e apresentam resultados contraditórios (Muller, Barboza, Oliveira, Santos, & Paludo, 2009; Nardi, 2010; Raffaelli & Koller, 2005; Robbins & Bryan, 2004).De Antoni e Koller (2000) investigaram expectativas de futuro entre adolescentes que sofreram violência fami-liar e que estavam institucionalizadas, e observaram que as participantes tinham expectativas sobre a formação de sua própria família no futuro, mas com conguração e  papéis diferentes dos que haviam vivenciado. As autoras compreenderam que esta expectativa pode ser vista como uma proteção frente às situações de risco às quais estas adolescentes estavam expostas. Robbins e Bryan (2004) investigaram as expectativas quanto ao futuro em uma população de jovens em risco e concluíram que os resultados encontrados não diferem dos encontrados em populações de baixo risco. Por ou -tro lado, estudos sobre expectativas quanto ao futuro com meninos e meninas de rua apontam diferenças nos resul-tados encontrados nestes grupos com relação à população de adolescentes em geral, ressaltando a maior imprecisão das expectativas destes adolescentes (Neiva-Silva, 2003; Raffaelli & Koller, 2005). Muller et al. (2009) investigaram as perspectivas futu- ras de adolescentes em conito com a lei, as quais se mos - traram voltadas para o estudo e o trabalho, embora os ado -lescentes não descartem a possibilidade de vir a cometer novos delitos. A educação formal foi apontada como uma  perspectiva de futuro por 45% dos internos, porém, quan -do questionados sobre como irão realizar essa expectativa, armaram que esse era apenas um desejo que não poderá ser realizado. Para a maioria dos adolescentes (56%), o tra-  balho acaba sendo a principal expectativa, associada à ne -cessidade de prover seu próprio sustento e ajudar a família. Nardi (2010) desenvolveu um estudo de caso com três adolescentes em conito com a lei, e encontrou que o estudo e o trabalho são os principais projetos de vida de todos os jovens, sendo que apenas um deles revelou o projeto de constituir uma família. A autora salienta que os planos para o futuro protegem os jovens na medida em que os motivam a viver e buscar atingir seus objetivos, oferecendo um sentido para suas vidas. O estudo de Jaco-  bina e Costa (2007) corrobora esta armação, enfatizando a importância que o trabalho pode representar na vida de adolescentes em conito com a lei.Partindo destas questões, o objetivo deste estudo foi in -vestigar as expectativas quanto ao futuro de adolescentes em diferentes contextos institucionais (escola, instituição de acolhimento e unidade de execução de medida so - cioeducativa). Além disso, buscou-se identicar se os três grupos de adolescentes inseridos em diferentes contextos diferenciam-se entre si com relação a fatores de risco ao desenvolvimento (presença de eventos estressores, violên-cia intrafamiliar, violência na comunidade, envolvimento em situações ilegais, uso de drogas, entre outros).  94  JANA GONÇALVES ZAPPE, JAMES FERREIRA MOURA JR., DÉBORA DALBOSCO DELL’AGLIO, JORGE CASTELLÁ SARRIERA. MÉTODO  Participantes O estudo foi realizado a partir do banco de dados da  pesquisa “Adolescência em Diferentes Contextos: Famí-lia e Institucionalização”, que envolveu 945 adolescentes com idades entre 14 e 19 anos (M=15,41; SD=1,68), de ambos os sexos, divididos em três grupos: G1, formado  por 689 adolescentes que viviam com a família e estuda-vam em escolas públicas (422 eram meninas); G2, forma- do por 113 adolescentes que estavam em acolhimento ins -titucional (68 eram meninas); e G3, com 143 adolescentes que estavam cumprindo medida socioeducativa (15 eram meninas).  Instrumentos Foi utilizado o Questionário da Juventude Brasileira (Versão Fase II - Dell’Aglio, Koller, Cerqueira-Santos, & Colaço, 2011), que foi elaborado para a segunda etapa do Estudo Nacional sobre Fatores de Risco e Proteção, a partir do questionário utilizado na etapa I (Libório & Koller, 2009). O objetivo deste questionário, que con - tém 77 questões, é investigar comportamentos de risco, fatores de risco e de proteção ao desenvolvimento em adolescentes. Para a realização da pesquisa nas insti- tuições de atendimento socioeducativo, foi construída uma versão reduzida com 47 questões, tendo em vista a diculdade dos adolescentes para completar o instru - mento srcinal, vericada através de um estudo piloto com 10 participantes. Para este estudo, foi utilizada a questão que consistia em uma versão reduzida da escala de expectativas quanto ao futuro adaptada por Günther e Günther (1998). Esta versão da escala possui nove itens relacionados às chan -ces que o adolescente acredita ter de: concluir o ensino médio, entrar na universidade, ter um emprego que ga -ranta boa qualidade de vida, ter uma casa própria, ter um trabalho que dará satisfação, ter uma família, ser saudável a maior parte do tempo, ser respeitado na comunidade e ter amigos que darão apoio. As respostas eram em forma-to  Likert   de cinco pontos, sendo 1 para muito baixo e 5  para muito alto. Para identicar fatores de risco presentes nas trajetó - rias dos grupos pesquisados, também foram utilizadas as questões sobre: reprovação e expulsão escolar, violência intrafamiliar (agressão com objeto, ameaça ou humil - hação e abuso sexual), uso de drogas lícitas (cigarro e ál - cool) e ilícitas (maconha, cocaína e crack), ter amigo que usa drogas, violência na comunidade (agressão com obje-to, soco ou surra e violência sexual), presença de eventos estressores ao longo da vida, tais como ter alguém da fa -mília desempregado ou ser assaltado, ideação e tentativa de suicídio. Estes itens foram dispostos em formato dico- tômico (0=  Não , 1= Sim ).  Procedimentos O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Psicologia da UFRGS (protocolo nº 2009060) e foi realizado contato com a Secretaria de Educação Estadual e com as instituições de atendimento socioeducativo e de acolhimento insti -tucional, solicitando concordância para a realização do estudo. Após a concordância institucional, os adoles-centes foram convidados a participar do estudo, sendo esclarecida a voluntariedade da participação, a garantia de sigilo das informações pessoais e a possibilidade de desistência a qualquer momento. Os jovens que concor-daram em participar do estudo assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), e nas es- colas também foi solicitado o TCLE aos pais. Foi dis - ponibilizada assistência por parte da equipe de pesquisa nos casos em que foi observada a necessidade de apoio aos participantes durante ou imediatamente após a reali-zação da coleta de dados.Para compor G1 foi composta uma amostra de for-ma aleatória por conglomerados, com sorteio das es-colas participantes e das respectivas turmas, buscando atender o número de participantes estabelecido através de cálculo amostral (Barbetta, 2001), com margem de erro de 4% (n=640). Participaram 12 escolas estaduais e uma escola municipal, com média de 50 participan -tes por escola. G2 foi composto por adolescentes em acolhimento institucional em instituições de gestão  pública (estadual e municipal) e privada (organizações não governamentais), nas cidades de Porto Alegre (79,8% dos participantes) e Santa Maria (20,2% dos  participantes) no Rio Grande do Sul. Os critérios de inclusão foram: desejar colaborar com a pesquisa, estar há pelo menos 30 dias em acolhimento institucional e ter capacidade de compreender o questionário, confor- me avaliação subjetiva da equipe técnica e da equipe de pesquisa durante a coleta de dados. Dessa forma, a amostragem foi não probabilística, mas tendo em vis-ta que representou 59% do total de adolescentes que  possuíam os critérios estipulados na rede de acolhimen -to governamental e não governamental conveniada, no  período de coleta, estima-se que seja representativa dos  jovens em acolhimento. O G3 foi composto por adolescentes que estavam na FASE-RS, instituição responsável pela execução de me-  95  EXPECTATIVAS QUANTO AO FUTURO DE ADOLESCENTES  didas socioeducativas. Foram coletados dados em cinco unidades de internação, sendo uma unidade feminina (a única existente). O critério de seleção dos participantes foi ter escolaridade mínima de 5ª série e compreender adequadamente os instrumentos. A aplicação dos instru-mentos foi coletiva, em grupos de 6 a 8 jovens, com du-ração aproximada de 60 minutos. Segundo a Assessoria de Informação e Gestão da FASE-RS, no período da cole- ta de dados, havia 565 meninos internados na instituição e 31 meninas, sendo que a amostra representou respecti-vamente 23% dos meninos e 48% das meninas em cum- primento de medida. Para análise dos dados, inicialmente identicou-se conformidade com as pressuposições de normalidade, linearidade e esfericidade. Realizou-se uma Análise Dis- criminante visando identicar os pers discriminantes de cada um dos grupos com relação aos fatores de risco investigados. Essa análise foi utilizada com o objetivo de maximizar as diferenças entre os fatores de risco nos três grupos pesquisados, contribuindo para identicar a diferenciação entre os indivíduos de cada um dos grupos investigados. Foi utilizado o método  stepwise, em que cada variável independente é inserida na função discri -minante uma por vez, com base em seu poder discri-minatório .  Após, foi realizada uma Análise de Variân- cia (ANOVA), técnica estatística que busca vericar se existem diferenças nas médias dos grupos. Para isso, de - termina-se uma média geral e após verica-se quão di - ferente cada média é da média geral (Bisquera, Sarriera & Martínez, 2004; Field, 2009). Neste estudo, a ANOVA foi realizada visando identicar diferenças entre a média geral da escala de expectativas quanto ao futuro e entre as médias de cada item da referida escala entre os três grupos investigados.RESULTADOSA Análise Discriminante permitiu desenvolver per-fis específicos para cada agrupamento de adolescentes, a partir da análise dos fatores de risco. Utilizando o método  stepwise , foi identificada a primeira função discriminante com autovalor de 0,781 e de 0,242 para a segunda função, apontando, assim, que há uma forte variação entre os grupos pesquisados. A função deve ser entendida como uma combinação de variáveis dis-criminativas de um determinado grupamento. Verifi- cou-se também que a primeira função explica 76,3% da variabilidade total encontrada nos grupos, com uma correlação canônica entre o perfil e a função de 0,662. A segunda função discriminante explica 23,7% da va-riabilidade. O Wilk’s Lambda  informa que entre as duas funções é possível explicar 54,8% (1-Wilks) da variân - cia existente. Foi identificado que todas as funções são significativas (p<0,001). Observou-se também que há uma excelente capacida - de de predição com um resultado geral de que classica corretamente 79,6% dos casos nos grupos discriminados. G3 se ajusta ao perl de forma mais precisa, com 94,5% de casos bem classicados, tendo somente 4,1% dos ca - sos com pers de G1 e 1,4% com perl de G2. G2 se ajusta ao perl de forma menos precisa, com 48,4% de casos bem classicados, sendo 14,7% com perl de G3 e 36,8% com perl de G1. G1 classica 82,9% dos casos,  portando 9,4% dos seus casos com perl de G3 e 7,7% com perl de G2. Sobre as funções, avaliou-se que a primeira função distancia mais G3 com centróide de 2,580 contraposto a G1 e G2 com centróides respectivos de -0,404 e 0,653. O centróide funciona como ponto central do grau de dis- persão dos casos nos agrupamentos discriminados. Na função 2, são diferenciados os jovens de G2 com cen-tróides de 1,210 com os G1 e G3 com -0,131 e -0,630. Analisando essas funções a partir das variáveis discri -minantes, com valor de corte mínimo em .10, na matriz estrutural identicou-se que, na primeira função, o que mais torna distante e especíco G3 em relação a G1 e G2 foram os seguintes fatores de risco: ter experimen-tado droga ilícita (.780), ser expulso da escola (.430), ser agredido com um objeto por alguém da comunidade (.348), ser reprovado na escola (.311), ter alguém da fa -mília preso (.291), ser agredido por soco ou surra por alguém na comunidade (.226), ter experimentado droga lícita (.201), ser agredido por soco ou surra por alguém da família (.180), ser assaltado (.162) e ser ameaçado ou humilhado na comunidade (.109).  Na função 2, os jovens de G2 são diferenciados dos adolescentes de G1 e G3 por conta dos escores mais al-tos nas seguintes variáveis relacionadas aos fatores de risco: ter tido o corpo mexido contra a vontade por al- guém da família (.500), ter tido relação sexual forçada  por alguém da família (.497), ser agredido por objeto na família (.371), ser ameaçado ou humilhado na famí -lia (.182), ter tentando se matar (.142) e ter pensado em se matar (.110). Análises de Variância (ANOVA) indicaram diferenças signicativas entre os adolescentes dos três contextos com relação ao escore total de expectativas quanto ao fu-turo [F(2, 885)=15,15; p<0,001]. Os adolescentes de G1 apresentaram maior escore total de expectativa quanto ao futuro, seguidos dos jovens de G2 e de G3, conforme da-dos apresentados na Tabela 1.
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