Documents

volume_2_artigo_173.pdf

Description
Anais do SIELP. Volume 2, Número 1. Uberlândia: EDUFU, 2012. ISSN 2237-8758 1 LETRAMENTO E ORALIDADE: UMA ABORDAGEM ETNOGRÁFICA DESSAS PRÁTICAS SOCIAIS EM TERESINA-PI Lília Brito da Silva
Categories
Published
of 16
147
Categories
Published
All materials on our website are shared by users. If you have any questions about copyright issues, please report us to resolve them. We are always happy to assist you.
Similar Documents
Share
Transcript
  1 LETRAMENTO E ORALIDADE: UMA ABORDAGEM ETNOGRÁFICA DESSAS PRÁTICAS SOCIAIS EM TERESINA-PI Lília Brito da Silva Universidade Federal do Piauí-UFPI  brito_lilia@hotmail.com Resumo : Neste trabalho analisam-se, descrevem-se e caracterizam-se as práticas sociais de oralidade e de letramento que se realizam em uma escola de Teresina-PI e na comunidade atendida por essa escola. Tendo como objetivo estudar as práticas de letramento realizadas na escola e os usos que essa instituição faz da oralidade, em comparação com as práticas sociais de escrita e oralidade que os membros do bairro pesquisado realizam fora da escola, no seu dia a dia, nos diversos contextos sociais de interação lingüística. Com base no modelo etnográfico de pesquisa, que possibilita a realização de uma pesquisa participativa. Palavras-chave : Letramento; oralidade; etnografia; escola; comunidade. 1 INTRODUÇÃO A variedade culta em nossa sociedade é erroneamente utilizada como modelo para os usos que fazemos da língua falada, como é, inclusive, ensinado na escola no ensino de língua materna. “É fato incontestável que a escola institui a variedade padrão (culta) da língua como a única legítima e como alternativa de unificação linguística, em detrimento das demais variedades para ela, distantes d os critérios de correção” (LOPES , 2006:28). Desse modo a norma culta é ensinada como a única variação linguística aceitável da língua portuguesa. Com isso, as práticas reais de letramento e de oralidade que esses alunos realizam dentro da comunidade em que vivem não são consideradas pela escola durante o ensino de Língua Portuguesa. E, esta instituição não considera que oralidade e letramento são  práticas sociais que o homem adquire e desenvolve ao longo de sua vida, sendo adquiridas  pelos indivíduos nos diversos contextos sociais.  Nesse sentido, este trabalho faz uma análise do ensino de Língua Portuguesa, considerando o modo como a escola trabalha com a noção de letramento e de oralidade  proposta pelos estudos linguísticos. Para isso, são analisadas as práticas de oralidade e letramento realizadas dentro da escola e comparadas com as realizadas fora da escola, pelos  Anais do SIELP. Volume 2, Número 1. Uberlândia: EDUFU, 2012. ISSN 2237-8758  2 membros da comunidade que a escola estudada atende, em diversos eventos de oralidade e letramento. Este trabalho apresenta os primeiros resultados de uma pesquisa que vem se realizando em um bairro da cidade de Teresina-PI. Onde são investigados, discutidos, analisados e caracterizados os usos que os membros dessa comunidade fazem da língua escrita e oral na comunidade e na escola. A escola pesquisada é uma escola pública estadual, de ensino fundamental, que atende a jovens da classe baixa, muitos deles provém de famílias carentes. A estrutura física da escola é precária, pois o prédio é antigo e sua estrutura precisa de uma reforma, o que é motivo de reclamação tanto por parte dos alunos, como dos professores e dos funcionários.  No bairro no qual a escola se localiza e que também é objeto de estudo de nossa  pesquisa, está localizado na zona sudeste da cidade. Mas, com o seu crescimento econômico e geográfico vem aumentando também a violência. O local em que se localiza a escola  pesquisada é um dos mais violentos da capital, onde existem muitas famílias carentes na localidade estudada. Vale esclarecer que durante todo o processo de observação foi utilizado o método etnográfico porque, este método possibilita a descrição e a análise de fatos pouco conhecidos a exemplo do que aconteceu com a Antropologia, por meio da descrição detalhada e análise holística que realiza com seu objeto alvo. Em relação a aspectos educacionais tal  possibilidade vem se mostrando muito útil, como já tem sido observado. “A etnografia, como abordagem teórica metodológica dos fatos sociolinguísticos, tem se mostrado proveitosa e fértil em pesquisas no ca mpo socioeducacional” (LIMA, 1996, p.66). Assim, por meio do método etnográfico realizamos uma pesquisa, tendo como  procedimento básico a observação participante, onde convivemos com os indivíduos  pesquisados em várias situações comunicativas. “O pesquis ador da área da sociolinguística  precisa, portanto, participar diretamente da interação” ( TARALLO, 1985, p.20). A  participação é necessária porque assim o pesquisador consegue caracterizar os usos que os sujeitos observados fazem da língua em contextos reais de uso.  Na organização deste trabalho, apresentaremos as seguintes partes: Introdução, com uma breve apresentação deste artigo, “Letramento e oralidade  no e nsino de língua”, onde fazemos uma apresentação teórica desses dois fenômenos lingüísticos; Descrição e analise dos eventos de letramento e oralidade na comunidade e na escola ”, onde é realizada uma  Anais do SIELP. Volume 2, Número 1. Uberlândia: EDUFU, 2012. ISSN 2237-8758  3 analise e caracterização das práticas de oralidade e letramento na escola e na comunidade e,  por fim, apresentamos as considerações finais sobre a pesquisa. 2 LETRAMENTO E ORALIDADE NO ENSINO DE LÍNGUA MATERNA A escola ao longo dos anos é “norteada para ensinar a língua da cultura dominante; tudo o que se afasta desse código é defeituoso e deve ser eliminado” ( BORTONI-RICARDO, 2005; p.14). Essa posição da escola resume o ensino de Língua Portuguesa apenas ao ensino da variedade culta da língua e das normas de sua gramática. Focando apenas no ensino da norma culta, a relação oralidade/letramento não é trabalhada no ensino de Língua Portuguesa como um contínuo proposto por estudiosos da área como Bortoni-Ricardo (2004, p.62) que afirma que “não existem fronteiras bem marcadas entre os eventos de oralidade e de letramento. As fronteiras são fluidas e há muitas sobreposiçõe s” . As atividades de escrita e de oralidade quando não são realizadas de modo em que uma esteja relacionada a outra,não possibilitam a realização de um ensino de língua materna onde a língua é ensinada por meio de seus usos e não baseada em modelos abstratos à verdadeira realidade linguística dos alunos. Letramento é definido por Marcuschi (2003, p.21), como “um processo de aprendizagem social e histórica da leitura e da escrita em contextos informais para usos utilitários”. E oralidade é apresentada pelo autor como “uma prática social interativa para fins comunicativos que se apresenta sob variadas formas ou gêneros textuais fundamentados na realidade sonora” ( MARCUSCHI, 2003, p.25). Por isso, essas práticas sociais devem ser consideradas com base na noção de que oralidade e letramento são práticas sociais que todo indivíduo adquire e desenvolve ao longo de sua vida, adaptando-as aos diversos contextos sociais.  Nem sempre durante o ensino de língua materna essa noção de oralidade e letramento como um contínuo é respeitada. Segundo Marcuschi (2003), por muito tempo a relação oralidade/letramento foi tratada como uma relação dicotômica, onde a escrita era considera superior à fala. Hoje, “predomina a posição de que se pode conceber oralidade e letramento como atividades interativa s e complementares no contexto das práticas sociais e culturais” (MARCUSCHI, 2003, p16), o que contribuí para a melhora no ensino de língua materna.  Anais do SIELP. Volume 2, Número 1. Uberlândia: EDUFU, 2012. ISSN 2237-8758  4 Essa visão dicotômica da relação oralidade/letramento está relacionada à ideia de que a escrita é superior à fala. Esta foi por muito tempo o meio principal de comunicação entre os homens, mas seu prestígio foi aos poucos substituído pelo desenvolvimento da escrita. “A reputação e o uso da palavra escrita passaram a submeter à oralidade, de maneira a fazer da quela o mecanismo por excelência da oficialidade e do exercício do poder” ( MEIHY& HOLANDA, 2007, p.99). Com isso, a escrita passou a deter prestígio maior em relação à oralidade.  No ensino de língua materna, os usos possíveis da língua falada são restringidos aos usos da língua escrita. Assim, a fala é analisada tendo a escrita como parâmetro para todos os usos que fazemos da oralidade, sem considerar os usuários da língua e o contexto em que é utilizada. Como propõe Fávero (2005) Para analisar adequadamente um texto (falado ou escrito), é preciso identificar os componentes que fazem parte da situação comunicativa, suas características pessoais (personalidades, interesses, crenças, modos e emoções) e de seu grupo social (classe social, grupo étnico, sexo, idade, ocupação, educação, entre outros), pois eles favorecem a interpretação dos  papéis dos interlocutores (falante-ouvinte-audiência (facultativa) / escritor-leitor) num evento particular, determinado, dados os componentes lingüísticos desse texto. (FÁVERO, 2005, p.71) Os usos que fazemos da oralidade são aprendidos antes mesmo do inicio da vida escolar. Em casa, com os familiares, com amigos e com os vizinhos, começamos a utilizar a língua falada. “Uma criança de 7 anos que entra na escola para se alfa  betizar já é capaz de entender e falar a língua portuguesa com desembaraço e precisão, nas mais diversas circunstâncias de sua vida” ( CAGLIARI, 1989,p.16). A escola precisa está preparada para lhe dar com as habilidades orais que o aluno adquiriu no meio social em que vive, para que a variação linguística do aluno não seja estigmatizada. Pois como afirma Fávero (2005), a língua falada e a língua escrita possuem diferenças características de seu modo de aquisição, por isso a oralidade não pode se limitar aos usos que fazemos da escrita. O letramento não é adquirido apenas na escola, também se desenvolve no meio social, em casa o sujeito faz usos da escrita que se diferenciam dos usos que faz na escola, no trabalho, no comércio e etc. Assim como a língua falada, o sujeito consegue adequar a escrita as suas necessidades de uso, com isso a escrita para esse sujeito adquire significado oposto  Anais do SIELP. Volume 2, Número 1. Uberlândia: EDUFU, 2012. ISSN 2237-8758

01-B Trees

Jul 31, 2017
We Need Your Support
Thank you for visiting our website and your interest in our free products and services. We are nonprofit website to share and download documents. To the running of this website, we need your help to support us.

Thanks to everyone for your continued support.

No, Thanks
SAVE OUR EARTH

We need your sign to support Project to invent "SMART AND CONTROLLABLE REFLECTIVE BALLOONS" to cover the Sun and Save Our Earth.

More details...

Sign Now!

We are very appreciated for your Prompt Action!

x