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O Corpo em Movimento na Educação Infantil - Zulema Yanez

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O corpo em movimento na Educação Infantil A cargo de: Zulema A. Garcia Yañez* Nesta oficina, trataremos conceitos gerais da psicomotricidade, caracterizando o que está implicado no seu desenvolvimento; os campos epistêmicos que contribuíram com seus conhecimentos a construir a especificidade psicomotora; de que maneira o corpo em movimento está presente na construção dos conhecimentos; o transtorno psicomotor e sua interferência nos processos de aprendizagem; as atividades práticas serão analisa
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  O corpo em movimento na Educação Infantil A cargo de: Zulema A. Garcia Yañez *  Nesta oficina, trataremos conceitos gerais da psicomotricidade,caracterizando o que está implicado no seu desenvolvimento; oscampos epistêmicos que contribuíram com seus conhecimentos aconstruir a especificidade psicomotora; de que maneira o corpo emmovimento está presente na construção dos conhecimentos; otranstorno psicomotor e sua interferência nos processos deaprendizagem; as atividades práticas serão analisadas para observar asáreas do conhecimento envolvidas, incentivando experiências queaprimorem o olhar psicomotor e propiciem recursos no processoensino-aprendizagem. Quero agradecer o convite para ocupar este espaço na III JORNADA PEDAGÓGICADA EDUCAÇÃO INFANTIL, em Osório, (RS), que acredito ser um lugar privilegiado quanto àcirculação de idéias inovadoras, que abrem instigantes e inquietantes reflexões em torno à temáticada educação.Em primeiro lugar, gostaria de referir a fala da professora Maria Felisminda de Rezendee Funari 1 :Ela relatou um pensamento chinês, que assim relembro: “Duas pessoas se encontravamna rua, indo em sentidos contrários. Cada uma levava um pão. Quando se cruzaram, resolveramtrocá-los, uma com a outra. Logo continuaram seus caminhos e cada uma foi com um pão. Emoutra oportunidade, duas pessoas se cruzaram na rua indo em sentidos contrários. Cada umadelas tinha uma idéia e resolveram trocá-las mutuamente. Assim, continuaram seus caminhos, sóque, desta vez, cada uma seguiu com duas idéias”. Esta metáfora tem me impressionado intensamente por sua pura e singela sabedoria, meacompanhado como um ideal desejado e me questionado no meu papel como docente. Ficouentesourada nas minhas lembranças e com freqüência bate no meu ombro e me acorda.E assim falando de idéias 2 e procurando por elas, aqui estamos nesta oficina ondetrataremos a questão da psicomotricidade e aprendizagem, de que forma o aprender de variadasáreas do conhecimento está intrinsicamente articulado com as produções do corpo em movimento.O QUE ENTENDEMOS POR PSICOMOTRICIDADE  Quando referimos o termo  Psicomotricidade, imediatamente se torna presente o corpoe suas produções, correr, pular, atividades corporais amplas e finas como recortar, escrever e outras produções motoras que dizem de construções ligadas ao mecânico do organismo.O indivíduo humano possui um “equipamento neurofisiológico de base quecorresponde às estruturas anatômicas propriamente ditas, no sentido físico do termo, e funções que são sustentados por estas estruturas”. 3 *   1 Professora da USP 2 IDÉIA: Representação Mental De Uma Coisa Concreta Ou Abstrata. Invenção, Criação, Opinião, Conceito, Juízo. 3 Bergés Jean : “Função Estruturante Do Prazer” Escrito Da Criança N°2 Public. Centro Lydia Coriat – PoA/RS - 2ª Ed. - 1997.* Fonoaudióloga – Psicomotricista – Especialista em Educação Psicomotora – Membro de Direção – Terapeuta e coordenadora doCentro de Estudo do Centro Lydia Coriat – Professora da Especialização em Psicomotricidade na UNIFOR(CE) e na EEVALE(RS.)  A estrutura orgânica também possibilita e sustenta os fenômenos simbólicos e virtuais.Os aspectos orgânicos, junto com o psico-subjetivo e o psico-cognitivo, constituem osaspectos estruturais, os alicerces do desenvolvimento infantil. 1 Apesar das inúmeras pré-condições do orgânico, o inato, o geneticamente herdado, nãogarante a sobrevida do bebê humano, o qual, por sua imaturidade, depende absolutamente de umOutro que o deseje .Fomos falando das condições neurofuncionais que possibilitam o movimento.Entraremos agora no peculiar da psicomotricidade, quando ela se interroga a respeito do que subjazao corpo do puramente instrumental, de como o funcionamento das funções se efetiva.O corpo do qual se ocupa a psicomotricidade pré-existe ao seu nascimento, no sentidode que ele tem uma pré-história, um prólogo criado pela posição desejante dos pais. Estesimaginam e referem o filho, armando uma rede simbólica e imaginária que sustenta e acolhe o bebêcomo sujeito incipiente, a quem dão um nome próprio que o particulariza e o inscreve numa históriade filiação.O sujeito não nasce pronto assim como seu corpo, ambos se constróem na sua relaçãocom o outro. Poderíamos falar sobre o construtivismo do corpo, no sentido em que a criança vaiconstruindo-o e atingindo seu desenvolvimento norteado pela antecipação funcional provocada pelos pais, quando colocam estas conquistas na mira de seu desejos .Deste modo um silabeio é escutado como uma palavra, e o disparo de um movimentocom o braço lido como um gesto de tchau .A criança que depende do Outro, daquele que exerce a função materna, não poupaesforço em recompensá-lo com agrados . Na relação mãe e filho, há uma espécie de encantamentomútuo, onde cada um tenta completar o outro. A criança necessita deste Outro disposto a satisfazer suas necessidades vitais, que por um lado antecipa o que espera do filho e por outro oferece sentidoàs desorganizadas produções, articulando estes fragmentos com os fios da significância. Estasoperações não são feitas de qualquer maneira. Há uma ordem, um corte e uma lei que implicam ainclusão de um terceiro, do pai ou de quem exerça a função paterna. As funções paterna e maternasão complementares, e a ausência ou falhas nos seus funcionamentos podem ser causais detranstornos na estruturação do sujeito.Gritos, choros, movimentos e demandas indiferenciadas são decodificadas pela mãe,que responde a eles com palavras, sons, cantos, carícias e abraços (diálogo tônico), acompanhandoos cuidados corporais com olhares, palavras e toques que erotizam e marcam o corpo do seu filho,“corpo receptáculo” 2 olhado, tocado, falado e inscrito pelo Outro. Estas marcas e inscrições permanecem no inconsciente, tornando-se presentes nas produções simbólicas e imaginárias.Portanto, nas produções do ser humano, a lógica do consciente, que permite organizar conceitualmente os conhecimentos, fica articulada com a lógica do inconsciente, vinculada com asinscrições da história individual e sócio-cultural do sujeito. Nos primeiros meses de vida, o corpo do bebê é vivido como em partes fragmentadas e,a partir do “Estágio do Espelho” 3 , entre os 6 e 8 meses, a criança reconhece como própria aimagem que se produz no espelho, reconhecimento que se acompanha de uma reação de júbilo ealegria . Esta unificação virtual imaginária que lhe dá a ilusão de completude, e produto da junção 1   Coriat .L e .Jerusalinsky A. “Aspectos Estruturais e Instrumentais do Desenvolvimento” Escritos da Criança n°4 Public.do Centro Lydia Coriat. Poa-RS.-1996. 2 Bergés Jean. “O Corpo e o Olhar do Outro” – Escritos da Criança n° 2 – 2 a Ed. – Publ. Centro Lydia Coriat PoA/RS – 1997. 3 Lacan Jacques – Estágio do Espelho2  das marcas provocadas pelo olhar desejante da mãe. Se inaugura, deste modo, o que conhecemoscomo imagem corporal. O corpo como imagem unida e fundamental para que posteriormente hajaum reconhecimento das partes e poder construir o esquema corporal 1 .Retomando a conceitualização inicial, “a própria palavra psicomotricidade indica aarticulação entre a estrutura neuromotora por um lado e a estrutura psíquica por outro... A psicomotricidade se ocupa do corpo em movimento de um sujeito” 2 .   CAMPOS EPISTÊMICOS DA PSICOMOTRICIDADE  Suscintamente, referiremos conceitos que situam o olhar e a intervenção psicomotora nocampo educativo e clínico. Nos primórdios da psicomotricidade, seu campo de atuação estava dirigido a reeducar movimentos comprometidos por meio da utilização de técnicas, métodos e procedimentosrigorosamente pré estabelecidos, no intuito de normalizar as crianças mediante o apagamentosintomático. Nas avaliações, além de anamneses lotadas de dados cronometrados, se aplicavamvariadas provas e testes para detectar, nomear e medir com resultados expressos em números, porcentagens, graus, idades e níveis, o quantum do transtorno.A reeducação foi o primeiro modelo de intervenção adotada por todas as disciplinas quese ocupam dos aspectos instrumentais do desenvolvimento 3 1 : psicomotricidade,linguagem/comunicação, aprendizagem, organização dos hábitos de vida diária, o brincar e os processos de socialização.O modelo reeducativo estava sustentado na influência dos conhecimentos da medicina,campo espistêmico preponderante no surgimento dos primeiros métodos reabilitativos praticados demodo sistemático na pós-guerra, por profissionais “pára-médicos”, como éramos chamados nós, osfonoaudiólogos, fisioterapeutas, psicopedagogos, psicomotricista e terapeutas ocupacionais, até adécada dos anos 70.As formações acadêmicas se orientavam na formação de técnicas que avaliassem etratassem das “dis”: dislalias, disfemias, disfasias, disfluências, dislexias, discalculias, dislerias,disfonias, distonias, disgrafias, disortografias, dispraxias, entre outras “dis” que já ficaramesquecidas, e, se por acaso nenhuma destas “dis” justificava o problema, provavelmente odiagnóstico médico confirmava a existência de uma disfunção cerebral mínima ou uma disritmia.Ambos estes diagnósticos tiveram seus anos dourados, ainda que o exame neurológico destascrianças não apresentasse indícios de componentes orgânicos lesionais.Em relação a este ponto, quando estudamos a história da psicomotricidade, nosencontramos com dados muito interessantes, como as observações feitas pelo Dr. Dupré. Chamavasua atenção a torpeza de seu mordomo, que era um homem inteligente e sem problemas orgânicos.Deste estudo, surge o que se reconhece como o primeiro quadro psicomotor, em 1907, nomeado de 1 Yañez, Zulema Garcia – Psicomotricidade e seus conceitos fundamentais. Imagem e esquema corporal. Escrito daCriança n°4 Public. Centro Lydia Coriat – PoA – 1996. 2 Levin, Esteban. “A Clinica Psicomotora” - Ed. Vozes - RJ – 1995. 3 Coriat L e Jerusalinsky, A - “Aspectos estruturais do Desenvolvimento” – Escritos da Criança n° 4 – PoA/RS – 1986. 1 3  “debilidade motora” 4 , no qual o estado de insuficiência psicomotora não é decorrente decomprometimentos da estrutura orgânica. Isto é o que caracteriza os quadros psicomotores.Voltando às “dis” comentaria que para cada uma delas havia um método ou técnica decura .Se falava de “ampla” ou de “fina”, referindo-se à produção psicomotora. Para melhorar os possíveis transtornos, surgiam métodos “mágicos” nos quais as crianças eram treinadas paraaprimorar as técnicas do recorte, começando pelo rasgado até atingir a linha reta e curvas com grausde complexidade crescentes.O estímulo externo, a imitação do adulto e a repetição, ganharam plena relevância. Nas propostas grafo-motoras e grafo-práxicas, as crianças ficavam preenchendo folhas e folhas comtraçados de bolinhas, palitinhos, ondas, curvas, pontilhados e perfurações, como exercícios preparatórios à escrita, para “aprimorar os movimentos das mãos”, de preferência a direita, porqueaté meados deste século, se inibia aos canhotos de usarem sua mão esquerda por preconceito,contrariando, deste modo, a dominância lateral. No período pré-escolar, a tão falada “prontidão” aumentava a angústia dos pais e dos professores. Nos tratamentos eram feitas seqüências de atividades organizadoras das coordenaçõesamplas, finas, freio inibitório, equilíbrio, esquema e imagem corporal, até atingir as “condutasadequadas” e, uma vez estas atingidas, poder-se-ia pensar na alta.Hoje, sob a influência de outros conhecimentos, é possível diferenciar o que significam alta técnica e alta terapêutica . “E claro que não foi fácil questionar a trajetória acadêmica. (...) Na procura de achar respostas, o acento estava colocado uma outra vez, no discurso técnico. (...) As disciplinasinstrumentais, desde o pedagógico educativo até a psicomotricidade, passando pela fonoaudiologia, fisioterapia e psicopedagogia, todas elas, esgrimiam métodos para suprimir o sintoma ou reparar a falha” 1 . A influência de outros conhecimentos foi se acrescentando, o que possibilitou repensar o desenvolvimento infantil, direcionando o leme do nosso olhar rumo a novas articulações. Nos anos 60/70 a influência da psicologia perpassa gradativamente o discurso pedagógico e clínico e os termos afetividade, motivação, emoções e interesses inundaram olinguajar e os informes 2 .A pedagogia, à luz dos aportes da psicologia, em especial da epistemologia genética doDr. Jean Piaget, nos ensinou a entender como a criança aprende, como uma situação podedesequilibrá-la do ponto de vista cognitivo e, para recuperar seu equilíbrio, ela formula hipótesesresolutivas. Por este fato, chama-se esta a teoria da equilibração .Foi crucial na formação do profissional o acréscimo deste novo campo epistêmico, provocando uma verdadeira revolução no terreno pedagógico, que muda a posição de passividadeno qual se supunha a criança no contexto ensino-aprendizagem. Esta época foi a do auge dos brinquedos psicopedagógicos, na expectativa de tornar as crianças “mais inteligentes” na suaresolução.A partir de então, passou-se a incentivar a experimentação ativa em relação ao objetode conhecimento. Deste modo, a criança formula idéias que se sustentam nas estruturas cognitivas 4 Ajuriaguerra, J de. “Manual de Psiquiatria Infantil” – Cap. VII – Pág. 242 – Ed. Toray – Massom – S.A - Barcelona – 1972. 1 Yañez .Zulema Garcia. “Desde O Verbo De Nicolas. A Transferencia na Terapêutica do Instrumental”. Escritosda Criança N° 3 - Public. Centro Lydia Coriat – PoA - 2ª Edição 1997. 2 Naquela época. trabalhavam em escolas no inicio como professora e depois com Fonoaudióloga.4
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