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Cira. Arqueologia N.º 5

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5 N.º Cira Arqueologia N.º 5 PROPRIEDADE Câmara Municipal de Vila Franca de Xira Museu Municipal EDIÇÃO Câmara Municipal de Vila Franca de Xira Museu Municipal COORDENAÇÃO GERAL Fátima Roque COORDENAÇÃO DA EDIÇÃO João Pimenta TEXTOS Alberto Mesquita, Ana Margarida Arruda, António Valongo, Carlos Pereira, Carolina Grilo, Cézer Santos, Cleia Detry, Elisa de Sousa, Henrique Mendes, João Pimenta, João Sequeira, José Pedro Henriques, Mário Longuinho Pereira, Nuno Mota, Rodrigo Banha da Silva, Rui Roberto de Almeida, Tânia Casimiro, Vasco Gil Mantas, Victor Filipe REVISÃO João Pimenta, Henrique Mendes DESIGN E PAGINAÇÃO Câmara Municipal de Vila Franca de Xira DIMRP/SDPG Patrícia Victorino EDIÇÃO CD-Rom 100 exemplares DATA DA EDIÇÃO 2016/2017 Os artigos são da inteira responsabilidade dos autores. ISSN X Apresentação - Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira A ocupação Proto-Histórica do Alto dos Cacos (Almeirim, Portugal) ELISA DE SOUSA, JOÃO PIMENTA, HENRIQUE MENDES E ANA MARGARIDA ARRUDA 2 33 Serra de Santa Marina, Cáceres Viejo (Casas de Millán, Cáceres, Espanha). Un Sítio Paradigmático no contexto das Guerras Sertorianas CARLOS PEREIRA 3 55 Os Cossoiros de Porto de Sabugueiro (Muge, Salvaterra de Magos) MÁRIO LONGUINHO PEREIRA 4 76 O Miliário da Quinta de Santa Teresa (Alenquer) e outros problemas viários associados VASCO GIL MANTAS 5 86 A cerâmica comum da villa romana de Povos, Vila Franca de Xira CAROLINA GRILO E CÉZER SANTOS A Urbanística do Subúrbio Ocidental de Felicias Iulia Olisipo (Lisboa): Um Contributo da I.A.U. da Rua do Ouro n. os RODRIGO BANHA DA SILVA E ANTÓNIO VALONGO Apontamento crono-estratigráfico para a topografia histórica de Olisipo. A intervenção arqueológica na rua de São Mamede (Via Pública 19), Santa Maria Maior, Lisboa NUNO MOTA, CAROLINA GRILO, RUI ROBERTO DE ALMEIDA E VICTOR FILIPE Cerâmicas romanas provenientes do rio Tejo, no acervo do Museu Municipal de Vila Franca de Xira. Novos e velhos dados JOÃO PIMENTA, HENRIQUE MENDES E MIGUEL CORREIA Animal remains from medieval and modern Vila Franca de Xira, Portugal: Excavations at the Neo-Realism Museum CLEIA DETRY E JOÃO PIMENTA Faiança Portuguesa dos Séculos XVI-XVIII recuperada no Tejo TÂNIA MANUEL CASIMIRO E JOÃO SEQUEIRA Da China ao fundo do Tejo. Fragmentos de porcelana dos Séculos XVI E XVII TÂNIA MANUEL CASIMIRO E JOSÉ PEDRO HENRIQUES Cira Arqueologia N.º 5 55 CIRA-ARQUEOLOGIA V Os Cossoiros de Porto de Sabugueiro (Muge, Salvaterra de Magos)1 MÁRIO LONGUINHO PEREIRA RESUMO No presente trabalho apresentam-se os resultados do estudo de 33 cossoiros provenientes de Porto do Sabugueiro. Os materiais estudados apesar de não ser possivel atribuir-lhes uma cronologia concreta, uma vez que foram recolhidos em contextos de prospecção, aparentam estar enquadrados entre a Idade do Ferro e época romano-republicana. O sítio apresenta uma cronologia que se estende desde o Mesolítico até à Antiguidade Tardia. Os cossoiros, verticilli ou fusaiolas são pequenos discos (lisos ou decorados), possuindo uma perfuração central e são colocados na ponta do fuso. O enquadramento deste artefacto com as restantes tecnologias têxteis, estudo morfológico dos cossoiros, as suas características métricas, as técnicas de fabrico e as possíveis relações económico-sociais são alguns dos tópicos que se pretendem analisar neste estudo. ABSTRACT This paper present s the results of the study of 33 cossoiros from the archaeological site of Porto do Sabugueiro. The materials studied although it is not possible to give them a concrete chronology, since they were collected in contexts of prospecting, appear to be framed between the Iron Age and Roman-republican time. The site presents a chronology extending from the Mesolithic to the Late Antiquity. The cossoiros, verticilli or fusaiolas are small discs (plain or decorated), with a central perforation, they are placed on the top of the spindle. This artifact framework with other textile technologies, the morphological study of cossoiros, its metric characteristics, the manufacturing techniques and the possible economic and social relations are some of the topics analyzed in this study. 1. Porto do Sabugueiro 1.1. O sítio O sítio de Porto do Sabugueiro foi descoberto por Mendes Correa, nos anos 30 do século XX. Localiza-se no Concelho de Salvaterra de Magos, na Freguesia de Muge, e situa-se na margem esquerda do rio Tejo, na confluência deste com a vala de Alpiarça (Fig. 1). É um sítio ribeirinho e de baixa altitude (as cheias e subidas de nível do rio são também factor a considerar na descrição do sítio). As suas coordenadas geográficas na CMP 1:25000, N.º 364, são: 56 CIRA-ARQUEOLOGIA V longitude N 39º ; Latitude W -8º Os solos são arenosos e o substrato geológico é constituído por areias e argilas amareladas e avermelhadas, o que limita a conservação de níveis arqueológicos. Os materiais arqueológicos encontrados à superfície e espalham-se por uma extensão de cerca de 25 hectares. Destacam-se ainda duas notas negativas de grande importância em relação ao sítio de Porto do Sabugueiro. Em primeiro lugar, a intensa exploração agrícola de toda a área, o que teve grande impacto no subsolo, destruindo os níveis estratigráficos primários de ocupação (Fig. 2); em segundo lugar, o facto de desde há muito o local ser alvo dos caçadores de tesouros, o que levou há existência de inúmeros materiais perdidos nunca estudados. Há ainda que referir que mesmo os materiais recolhidos por arqueólogos se encontram dispersos por instituições diversas (Pimenta et al, 2014, p. 40) Enquadramento Arqueológico A primeira referência publicada data de 1956, sendo da autoria de Mário Saa, na sua obra sobre as vias da Lusitânia, na qual faz alusão a diverso material vasos cinerários, moedas romanas, telharia de tégula e imbrex, fornos de aquecimento, canos de alvenaria (Pimenta, 2008, p. 172). Em 1960, Bairrão Oleiro publicou os dados que recolheu na sua visita ao local a pedido da Sr.ª Marquesa do Cadaval, (...) Porto do Sabugueiro, na margem esquerda do Tejo e a poucos metros do rio, quando se procedia à abertura de covas para a plantação de uma vinha, foram acidentalmente descobertos vários materiais romanos entre eles parte de um pavimento de mosaico. O mosaico, encontrado a 50 cm abaixo do solo, foi, na altura, datado de um período tardio século III (Oleiro, 1960). Jorge Alarcão realizou, em 1963, sondagens na área, tendo posto a descoberto o mosaico e detectado um forno de produção cerâmica, tendo então sugerido classificar o local como villa romana (Cardoso, 1990). Maria Amélia Horta Pereira (1975) estudou duas peças depositadas por Hipólito Cabaço no Museu de Alenquer. São de estilo egípcio um escaravelho e um escarabóide antropomórfico. Associa-os a uma presença fenícia, e a uma cronologia balizada no Ferro Antigo em Porto do Sabugueiro. Nos anos 90 do século XX, foram publicados dois estudos sobre as produções cerâmicas do sítio, concretamente ânforas, com cronologias abrangendo os meados do século I e os finais do século II d.c. (Cardoso, Cardoso e Rodrigues, 1996). Já neste século, João Pimenta e Henrique Mendes (2008) deram a conhecer contas de pasta vítrea (uma das quais oculada) e cerâmica estampilhada pertencente ao espólio do Museu de Alenquer, o que permitia admitir uma vez mais a hipótese de haver presença pré- -romana. Também nesta publicação referem os seus achados em sondagens feitas no local com a detecção de espólios pré-romanos (fragmentos de asas, bocais e fundos de ânfora tipo de Ramon Torres; asa de urna tipo Cruz del Negro; asas bífidas de pithoi; cerâmica cinzenta fina) e romanos republicanos (fragmentos de ânfora tipo Greco-itálico, Dressel 1, Maña C2b; cerâmica campaniense A). Por último, os resultados dos trabalhos desenvolvidos no âmbito do projeto FETE Indígenas e Fenícios no Estuário do Tejo PTDC/EPH-ARQ/4901/2012 foram publicados de forma preliminar, fazendo-se aqui também uma síntese sobre a ocupação do local, traçando o quadro de evolução humana do sítio (Pimenta et al (2014). FIGS. 1 E 2 57 CIRA-ARQUEOLOGIA V Figura 1 Vista de Porto Sabugueiro Figura 2 Materiais a vista nos solos lavrados de Porto Sabugueiro 58 CIRA-ARQUEOLOGIA V 1.3. A ocupação Humana no Porto do Sabugueiro Porto do sabugueiro é um sítio com uma longa diacronia de ocupação, estando testemunhadas evidências, ainda que com algumas brechas, desde o Mesolítico até à Antiguidade Tardia, período em que o local terá sido abandonado. De maior relevo parecem ser, contudo, os dados relativos à ocupação durante a Idade do Ferro. Os recentes trabalhos de prospecção e escavação permitiram obter alguns elementos com cronologias que apontam para o mesolítico e neolítico, com a presença de instrumentos de sílex lamelas e micrólitos e de pedra polida, machados enxós e goiva (Pimenta et al, 2014, p. 41). É difícil admitir uma ocupação do sítio na Idade do Bronze, uma vez que até hoje não há informação que o permita atestar. Assim calcula-se a sua reocupação em meados da primeira metade do 1.º milénio a.n.e. A Idade do Ferro está bem documentada destacando-se asas, bocais e fundos de ânforas pré-romanas; asas bífidas de pithoi; cerâmica fina cinzenta polida e um bordo de prato de engode vermelho. (Pimenta e Mendes, 2008, p. 178 e 179). Acrescenta-se ainda a este espólio, o escaravelho e o escarabóide egipcizantes (Pereira, 1975) e as contas de colar de vidro azul (uma delas oculada a branco) depositadas no Museu de Alenquer. Estes materiais permitem supor uma ocupação de características orientalizantes. A ocupação romana republicana está fortemente evidenciada, denotando-se uma precoce influência itálica. Destacam-se as ânforas vinárias de tipo greco-itálico e Dressel 1 e as destinadas aos preparados piscícolas, de tipo Maná C2b, com origem na zona do estreito de Gibraltar. A cerâmica de mesa apresenta vasos de verniz negro importado de Etrúria (cerâmica campaniense) e copos e taças com origem na costa tirrénica da Península itálica (cerâmica de paredes finas), havendo ainda produções locais deste período e materiais metálicos associados à presença militar. Os dados referentes a este momento de ocupação estão centrados no século II a.c., sendo compatíveis com as manobras militares do Galaico, Décimo Júnio Bruto, na região do baixo Tejo (Pimenta et al, 2014, p. 43 a 45). O pavimento de mosaico descoberto em 1960, datado de uma fase avançada do período romano século III (Oleiro, 1960), evidencia a presença de comunidades humanas no local durante o período imperial, a que se somam outros materiais espalhados por diversas instituições (Pimenta et al., 2014, p. 45 a 47), entre os quais se destaca um conjunto numismático dos séculos III e IV, bem como fragmentos de terra sigilata itálica, sud-gálica e africana, ânforas de produção local e importada, pesos de rede e de tear, fíbulas e lucernas. 2. A produção têxtil A tecnologia têxtil é tudo o que envolve a transformação da fibra em fio, e deste em tecido. Trata-se de uma actividade milenar e que parece ser marcadamente feminina, dados os registos etnográficos, iconográficos e literários. No registo arqueológico é testemunhada pela presença de pentes de cardar, fusos, cossoiros, pesos de tear e agulhas. As matérias-primas utilizadas na antiguidade para esta actividade podem ser de origem vegetal, tais como o linho ou cânhamo, ou animal a lã ou a seda (Coixão e Naldinho, 2011, p. 85). No actual território português, destacam-se o linho e a lã, referindo Estrabão a aptidão dos Iberos de Emporion na tecelagem do linho e Plínio o linho de Tarraco. O primeiro dos autores informa que o sagum era feito de lã (Silva e Oliveira, 1999, p. 3). O processo de transformação da fibra em tecido passa por três fases distintas a conversão da fibra, a preparação do fio e o fazer do tecido cada uma delas com utensílios e procedimentos distintos. 59 CIRA-ARQUEOLOGIA V Sobre a conversão da fibra, e após o arranque da planta, deve extrair-se a raiz através da ripagem, havendo, de seguida, a curtidura, efectuada em água corrente com o objectivo de separar as fibras da casca e facilitar acções posteriores, como a maçagem quando se separam as fibras lenhosas das têxteis, procedendo-se, por último, à assedagem das fibras têxteis utilizando o sedeiro (Coixão e Naldinho, 2011, p. 85). Já quanto à lã, e após a tosquia do animal, esta era colocada numa caldeira onde era lavada com detergente (herba ou radix lanaria), para retirar impurezas e gorduras, sendo de seguida seca, batida e limpa (Ponte, 1978, p. 134). Por último a lã era cardada com a ajuda de dois pentes para remover nós e algumas impurezas que ainda se encontrassem nas fibras (ibidem). Na fiação, a roca e o fuso são fundamentais para a obtenção do fio, que é feito através da torção das fibras, que passam as meadas de matéria-prima a um fio único e contínuo. As fibras são colocadas na roca, que é segurada numa das mãos, enquanto a outra vai puxando e torcendo o fio entre os dedos enrolando-o no fuso. Um outro instrumento também utilizado para a elaboração do fio é a roda de fiar, que permite uma maior rapidez no fabrico do fio, sendo constituída por sarilho e dobadoira: o primeiro roda num plano vertical transformado a fibra em meadas e a segunda roda em plano horizontal enrolando as meadas em novelos (Coixão e Naldinho, 2011, p. 86). A produção de tecido é o cruzar dos fios paralelos em uma urdidura ou teia (montada vertical ou horizontalmente) com o fio de trama que se vai desenrolado do novelo em sentido perpendicular da esquerda para a direita e depois da direita para a esquerda. Os teares mais usuais na antiguidade (proto-história e época romana) são os verticais, a sua presença é normalmente atestada arqueologicamente pelos pesos de tear que tinham como função esticar a teia. Estes eram feitos normalmente de barro com forma paralelepipédica com um ou dois furos. Em época romana, o uso de teares horizontais apresenta-se como uma possibilidade, não estando contudo devidamente testemunhada (Alarcão, 2012, p. 324). Depois da confecção do tecido, este tinha ainda que ser pisoado ou seja, era lavado e prensado de forma a adquirir mais consistência (Coixão e Naldinho; 2011, p. 87). 3. Os Cossoiros 3.1. Descrição Os cossoiros, fusaiolas ou verticili não são artefactos específicos de uma época, sendo pequenas peças cilíndricas ou cónicas colocadas no fundo dos fusos (Berrocal-Ranchel, 2003, p. 201), utilizadas como remate, equilibrando o fuso e servindo de volante, que mantinha e prolongava o movimento rotativo da mão da fiandeira (Silva e Oliveira, 1999, p. 5). São geralmente feitos de barro e são o principal testemunho arqueológico da actividade de fiação, já que os fusos eram maioritariamente feitos de materiais perecíveis (há contudo fusos feitos de metal ou osso que persistiram ao passar dos tempos). São objetos que pela sua função se prolongam pelos tempos, não sendo por isso típicos de uma só época. Segundo Elsa Luís (2014), as diferentes formas e tamanhos estão diretamente relacionadas com as diferentes espessuras dos fios e/ou com as próprias matérias-primas utilizadas Contexto arqueológico No contexto peninsular, os cossoiros (ainda que em estratigrafias um pouco confusas Calcolítico/Bronze Inicial) estão presentes desde o Calcolítico em Montefrio Granada e 60 CIRA-ARQUEOLOGIA V Ereta del Castellar (Castro Curel, 1980, p. 130), sendo no entanto raros e com formas maioritariamente discoides, com grandes diâmetros, comparativamente a períodos mais recentes. Na Idade do Bronze, em período inicial, constata-se um gradual aumento da sua utilização, sendo de destacar o caso de Terlinques, em Alicante, onde um cossoiro de forma bicónica achatada foi encontrado, juntamente com nove bobines de fio, numa estrutura de habitação atingida (mas preservada) por um incêndio (Luís, 2014, p. 107). No Bronze Médio, Castro Curel (1980, p. 131) refere a sua presença no mundo Argárico, estando também presentes na zona Valenciana ou na Meseta Norte Cerro del Olbispo (Luís, 2014, p. 107). No Bronze Final, apesar de em pouca quantidade, estão testemunhados em praticamente toda a Península Ibérica, destacando-se também pela sua diversidade tipológica (Idem). ( ) Será já em plena Idade do Ferro que se assiste à proliferação e diversificação deste tipo de artefactos, em termos tipológicos e de tamanhos. São vários os sítios nos quais se documentam diversos exemplares de cossoiros, possibilitando distinguir áreas funcionais dentro dos povoados e tecer considerações sobre o tipo de matérias-primas e a quantidade de produção ( ) (Idem). Sobre a evolução cronológica do fabrico dos cossoiros, parece lógico afirmar que ter-se-á iniciado com a utilização de matérias-primas líticas, passando depois para as cerâmicas, primeiro de fabrico manual e de reutilização cerâmica e numa segunda fase, pelo fabrico a molde As formas Sobre o estudo específico dos cossoiros, há, em contexto ibérico, quatro trabalhos a destacar quanto à morfologia e que são incontornáveis em qualquer estudo sobre esta temática. Castro Curel (1980), Luís Berrocal Rangel (XXX), M.ª Fátima Silva e Paula Oliveira (1999) e Teresa Pereira (2013) desenvolveram estudos tipológicos mais ou menos pormenorizados, tendo-se neste trabalho optado pela utilização da tipologia proposta pela última autora, por ser mais recente e por, de alguma forma, ter tido as anteriores em consideração A importância do peso Para se obter um bom desempenho do fuso o seu peso é fundamental, já que, sem o peso suficiente, não se conseguirá torcer devidamente as fibras e obter a tensão desejada para o fio (Rodriguez Calviño, 1999, p 3) e também porque o peso do fuso influência a espessura do fio (Castro Curel, 1980, p 142). O peso do cossoiro é por isso um dado importante que se tem de observar, contudo na opinião de Rodriguez Calviño a relação qualidade/peso não é clara (1999, p 3 a 5). 4. Os cossoiros de Porto do Sabugueiro Neste trabalho apresentam-se os resultados do estudo de 33 cossoiros provenientes de Porto do Sabugueiro (Muge, Salvaterra de Magos), descobertos ao longo dos últimos anos à superfície em contexto de prospeção, relembrando-se novamente os problemas com da exploração agrícola dos terrenos e a prospecção clandestina. Não foram incluidos neste estudo, quatro cossoiros depositados no Museu de Vila Franca, recolhidos em escavação por Pimenta e Mendes, já estudados e publicados (2013). Por outro lado, a ocupação prolongada do sítio associada às condições de recolha dos materiais, levanta inevitavelmente dificuldades na atribuição de uma cronologia concreta a estes cossoiros. Contudo, pareceu importante e relevante a sua 61 CIRA-ARQUEOLOGIA V análise, uma vez que se trata apesar de tudo, de um conjunto numeroso, proveniente, muito possivelmente, de um contexto doméstico O conjunto Tendo por base a Cerâmica utilitária. Normas de inventário Arqueologia (Cruz; Correia, 2007) constata-se que dos trinta e três cossoiros, 21 são peças inteiras (63.6%) e 12 são fragmentos (36.3%), estando apenas dois decorados (6.6%). Um único é de fabrico manual (3.3%), 21 apresentam cozedura redutora (63.6%), com cor mais acinzentada, e 12 foram cozidos em ambiente oxidante (36.3%), tendo, por isso mesmo, cor mais alaranjada. Do universo de peças estudadas, 26 têm pastas depuradas, com desengordurantes de pequena dimensão (85.8%), e sete são de fabrico mais grosseiro, com maior número de elementos não plásticos e de dimensão superior a 1 mm. (24.1%). A estes dados, junta-se ainda o facto de todas as 33 peças apresentarem uma textura homogénea e ainda de possuírem sinais claros de uso, verificável pelo desgaste à volta do orifício Metodologia da abordagem Os cossoiros de Porto de Sabugueiro foram inventariados, desenhados e fotografados, tendo-se elaborado uma ficha descritiva para cada um dos exemplares. Nessa ficha, foram descritas as suas características morfológicas e de fabrico, tendo-se tido em atenção a cor, o tipo de cozedura, bem como, a pasta no que se refere à textura
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