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Arte - A Arte Da Xilogravura No Rio Grande Do Sul e a Sua Afirmação Como Linguagem Artística No Período Da Décade de 50 e 70

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A Arte Da Xilogravura No Rio Grande Do Sul e a Sua Afirmação Como Linguagem Artística No Período Da Década de 50 e 70
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  2705 A ARTE DA XILOGRAVURA NO RIO GRANDE DO SUL E A SUA AFIRMAÇÃO COMO LINGUAGEM ARTÍSTICA NO PERÍODO DA DÉCADA DE 1950 A 1970 Norberto Stori / Universidade Presbiteriana Mackenzie Petra Sanchez Sanchez / Universidade Presbiteriana Mackenzie Simpósio 4  –  Compartilhamentos na gravura: redes e conexões   A ARTE DA XILOGRAVURA NO RIO GRANDE DO SUL E A SUA AFIRMAÇÃO COMO LINGUAGEM ARTÍSTICA NO PERÍODO DA DÉCADA DE 1950 A 1970 Norberto Stori / Universidade Presbiteriana Mackenzie Petra Sanchez Sanchez / Universidade Presbiteriana Mackenzie RESUMO   Este trabalho se propõe a apresentar precursores e obras no processo de xilogravura no estado do Rio Grande do Sul  –  Brasil, no período das décadas de 1950 a 1970, que contribuíram e continuam a contribuir simultaneamente para o reconhecimento e a inclusão da gravura artística como uma significativa expressão na arte brasileira. PALAVRAS-CHAVE arte da gravura; xilogravura; afirmação. ABSTRACT This work intendes to present precursors and works who continue their activities in the process of engraving in the state of Rio Grande do Sul  –  Brazil, in the period of decades from 1950 to 1970, who have contributed and continue to contribute contemporaneously for recognition and inclusion of the artistic printmaking as a meaningful expression in Brazilian art. KEYWORDS art of engraving; woodcut; affirmation.  2706 A ARTE DA XILOGRAVURA NO RIO GRANDE DO SUL E A SUA AFIRMAÇO COMO LINGUAGEM ARTSTICA NO PERODO DA DÉCADA DE 1950 A 1970 Norberto Stori , Petra Sanchez Sanchez / Universidade Presbiteriana Mackenzie Simpósio 4  –  Compartilhamentos na gravura: redes e conexões   No Brasil, a gravura artística começou a ganhar o reconhecimento como arte maior na década de 1950, com os artistas gravadores precursores: Oswaldo Goeldi (1875  – 1961), Lívio Abramo (1903  – 1992), Axl Leckoschek (1889  – 1978), Lasar Segall (1891  – 1957) e Carlos Oswald (1882  – 1971), e com as premiações de artistas gravadores brasileiros nas primeiras bienais internacionais de arte em São Paulo. Outro fator importante para tal foi a chegada de artistas estrangeiros como o austríaco Axl Lesckoschek, Lasar Segall e outros que vieram da Europa, que com os seus cursos dos processos de gravação em xilogravura artística, formaram muitos artistas gravadores brasileiros.  Axl Lesckoschek, autor de xilogravuras principalmente de topo, chega ao Brasil no final de 1930. Ficou apenas oito anos, tempo suficiente para marcar e estimular profundamente o meio artístico na época. Foi professor de artistas que se transformaram em grandes gravadores como Fayga Ostrower (1920  – 2001), Edith Behring (1916) e Ivan Serpa (1923  – 1973).  As premiações dadas a artistas gravadores desde as Bienais de São Paulo foram os grandes estímulos para a afirmação da gravura artística entre nós; em 1951 com Oswaldo Goeldi, que recebeu o Prêmio Nacional, Lívio Abramo, em 1953, Marcelo Grassmann (1925  – 2013) em 1955 e Fayga Ostrower em 1957. Mas o elemento preponderante para tal reconhecimento foi o Grupo de Bagé, que se formou na cidade de Bagé (RS), na década de 1940, por um grupo de artistas atuantes em Bagé e em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O nome nasceu Grupo de Bagé surgiu após uma exposição realizada em Porto Alegre em 1948, na galeria do Correio do Povo, tendo sido apresentados pelo crítico de arte Clóvis Assunção, que deu aos jovens artistas o nome de “Grupo de Bagé”, porque tal grupo foi formado por jovens artistas atuantes em Bagé/RS e em Porto Alegre/RS. O Grupo de Bagé foi formado inicialmente pelo intelectual Pedro Wayne (s/d), Ernesto Wayne (1929  – 1997), Ernesto Costa (s/d), Jacy Maraschin (s/d), Deni Bonorino (s/d), Clóvis Chagas (s/d), Júlio Meireles (s/d) e Glauco Rodrigues (1929  – 2004), Glênio Biancheti (1928  – 2014), que entraram em contato com Carlos Scliar (1920  – 2001), Danúbio Gonçalves (1925) e o paulista José Morais (1921  – 2003). Sob a posterior liderança de Vasco Prado (1914  – 2009) e Carlos Scliar, que se  2707 A ARTE DA XILOGRAVURA NO RIO GRANDE DO SUL E A SUA AFIRMAÇO COMO LINGUAGEM ARTSTICA NO PERODO DA DÉCADA DE 1950 A 1970 Norberto Stori , Petra Sanchez Sanchez / Universidade Presbiteriana Mackenzie Simpósio 4  –  Compartilhamentos na gravura: redes e conexões   aglutinaram a Francisco Stockinger (1919  – 2009), Danúbio Gonçalves,   Glênio Bianchetti, Glaco Rodrigues e Trindade Leal (1927  – 2013). O Grupo de Bagé exerceu uma influência direta na formação do Clube de Gravura de Porto Alegre, que se formou sob a liderança de Vasco Prado (1914  – 1998) e Carlos Scliar aglutinados a Francisco Stockinger (1919  – 2009), Danúbio Gonçalves, Glênio Bianchetti, Glaco Rodrigues e Trindade Leal (1927  – 2013). O Clube de Gravura de Porto Alegre acabou estimulando o surgimento de vários outros grupos semelhantes pelo Brasil. O Grupo de Bagé e o Clube de Gravura tinham como objetivo principal a figuração, a utilização da arte como um instrumento de valorização do homem e como um elemento capaz de aproximação e conscientização do público quase sempre tão distante das artes plásticas e dos acontecimentos artísticos de vanguarda daquele momento. Buscava como expressão a representação de uma realidade nova, própria, através da observação aguda, incisiva colocada no desenho e depois nas matrizes das gravuras tendo como estímulo a paisagem e os seus elementos, os tipos humanos com vestimentas a caráter nos seus afazeres diários em seus contextos, os elementos de usos e costumes do dia a dia, cenas do cotidiano. Tiveram como princípios estéticos, os do Realismo Socialista num estilo figurativo realista com certa influência expressionista. Optaram pela gravura, mais especificamente pela xilogravura e linoleogravura por serem os processos de divulgação mais democrática da arte, tanto pela sua reprodutibilidade como pelo preço acessível. Tiveram como um dos principais objetivos a expressão de uma arte brasileira, começando pelos temas, em oposição e protesto contra as vanguardas internacionais, principalmente o Abstracionismo, apresentadas nas primeiras Bienais de São Paulo. Tanto os quatro artistas, Danúbio, Scliar, Glauco e Glênio, como os demais membros do Clube da Gravura, a partir de 1950 foram para o interior do Rio Grande do Sul para conhecerem e vivenciarem de perto as realidades regionais, como o trabalho do homem no campo e nas minas de carvão, os trabalhos dos homens no campo e  2708 A ARTE DA XILOGRAVURA NO RIO GRANDE DO SUL E A SUA AFIRMAÇO COMO LINGUAGEM ARTSTICA NO PERODO DA DÉCADA DE 1950 A 1970 Norberto Stori , Petra Sanchez Sanchez / Universidade Presbiteriana Mackenzie Simpósio 4  –  Compartilhamentos na gravura: redes e conexões   até afazeres domésticos das mulheres. Chamavam a atenção também para a democratização da arte, pela possibilidade multiplicadora da gravura e pela capacidade imensa para a sua divulgação.  A criação do Grupo de Gravura   para Marilene Burtet Pietá (1997) estava ligado a um projeto político específico, nascido pelo contato dos artistas gaúchos Carlos Scliar e Vasco Prado com Leopoldo Mendes, diretor do Taller de Gráfica Popular   no México. Encontram-se pela primeira vez, em 1948, em Wroclaw, na Polônia, por ocasião do Congresso Mundial de Intelectuais em Defesa da Paz e depois novamente em Paris. Em 1953 o Clube da Gravura se consolida, com o lançamento da série “Xarqueadas”, tirado do título do livro de Pedro Wayne , são xilogravuras de madeira de topo de Danúbio Gonçalves, que foram consideradas o trabalho mais representativo de todo o evento.  Apresentamos alguns artistas gravadores representativos que colaboraram para a afirmação da gravura como um elemento expressivo nas artes visuais do Rio Grande do Sul e brasileira nas décadas de 1940 a 1970: João Faria Vianna, João Fahrion,   Danúbio Gonçalves, Glênio Bianchetti, Glauco Rodrigues, Carlos Scliar, Vasco Prado, Edgar Koetz, Francisco Stockinger, Trindade Leal, Leo Dexheimer, Vera Chaves Barcelos, Anestor Tavares, Armando Almeida, Zorávia Bettiol, Henrique Fuhro. João Faria Vianna (1905  – 1975) Estudou no Instituto de Belas Artes onde foi aluno de Libindo Ferrás e Francis Pelichek, e também foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Associação Rio-Grandense de Artes Plásticas Francisco Lisboa. Além de trabalhar como ilustrador da Editora Globo, ministrou aulas de desenho e pintura. Obteve diversas premiações. Foi pintor, gravador e desenhista. A cidade de Porto Alegre era o tema constante em sua obra, onde focava os velhos casarões da região da colonização alemã (figura nº.1), formando um importante registro documental da arquitetura gaúcha. Produziu desenhos a bico de pena para ilustrar o livro Imagens Sentimentais da Cidade , de Athos Damasceno Ferreiras.
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