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A prática pedagógica em supervisão escolar: a importância da inter-relação entre o supervisor pedagógico e o corpo docente Jociane Aparecida Carlos1 Ivana Guimarães Lodi2 Resumo: O presente artigo pretende refletir sobre a profissão de supervisor de ensino, demonstrando a importância da plena interação entre o professor e o supervi
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  55 Evidência  , Araxá, v. 8, n. 8, p. 55-66, 2012 A prática pedagógica em supervisão escolar: a importância da inter-relação entre o supervisor pedagógico e o corpo docente  Jociane Aparecida Carlos 1 Ivana Guimarães Lodi 2   Resumo:  O presente artigo pretende refletir sobre a profissão de supervisor de ensino, demonstrando a importância da plena interação entre o professor e o supervisor, mediante as questões educativas e pedagógicas decorrentes no cotidiano escolar. Dentro da escola, a função do supervisor nem sempre é bem delimitada. Muitos pensam que o profissional que exerce o cargo, apenas comparece à escola para “fiscalizar” e dar “ordens”. Embora outros acreditem que cabe a ele resolver problemas disciplinares dos alunos. Pode-se dizer que os professores, na sua grande maioria, veem o supervisor como agente de fiscalização da sua prática pedagógica. Para os educadores a presença do supervisor é apenas para observar a sua aula, e posteriormente delegar o que deve ser feito ou não. Diante de tal situação, o professor se sente desamparado, desprovido de auxílio, de trocas de experiências e/ou  vivências. Contudo, a presença do supervisor acaba se tornando um incômodo. Busca-mos aprofundar sobre o tema, acreditando que a constante interação, diálogo, e troca de experiências e vivências poderão contribuir para um processo de ensino e aprendizagem significativo e contextualizado, como também, tecemos algumas considerações sobre o importante papel do supervisor escolar no processo educativo. Palavras chave:  Supervisor, professor, interação, diálogo, fiscalização. 1. Introdução Ser formador é oferecer a teoria e as condições para aprimorar a prática. É reunir opiniões e concepções da equipe em torno de um projeto pedagógico. É fazer com que os professores consigam ver além dos hábitos e conceitos adquiridos com a experiência e a for-mação inicial, por meio da sistematização do que ocorre em sala de aula (HEIDRICH, 2009). O intuito deste trabalho é refletir sobre as srcens e as características das críticas e visões inerentes à prática dos supervisores escolares. E ainda, destacar 1  Pedagoga - Aluna da pós-graduação em Supervisão escolar. 2  Pedagoga e Historiadora. Especialista em Metodologia do Ensino Superior e Didática. Mestre em Educação Superior. Professora e coordenadora no UNIARAXÁ.  56 Evidência  , Araxá, v. 8, n. 8, p. 55-66, 2012   a importância de uma boa inter-relação entre o supervisor e o professor, para que ambos possam (re) construir uma educação transformadora, significativa e humanitária.Embora o contexto educacional tenha passado por várias transformações no decorrer dos anos, nos dias atuais a Escola ainda presencia certos paradigmas e/ou concepções tradicionais bem explícitas que acabam interferindo no processo pedagógico. Um desses dilemas diz a respeito à concepção de supervisão, e con-sequentemente ao relacionamento entre o supervisor e o professor. Pode-se dizer que o orientador educacional é concebido como um “fiscal”, um “investigador”, ou até mesmo um “juiz”; que determina o que pode e/ou que deve ser feito. Diante de tal situação, o professor se sente desamparado, desprovido de auxílio, de trocas de experiências e/ou vivências. Assim, a presença do supervisor acaba se tornando um incômodo. Diante deste quadro, questionamos qual é o papel do supervisor escolar para garantir um trabalho eficiente e conjunto com os professores. Partindo des-ta premissa é que surgiu a necessidade de discutirmos e refletirmos sobre essas questões.Inicialmente, buscamos compreender e refletir sobre a evolução do con-ceito de supervisão de ensino, como também, identificamos quais funções compe-te a este profissional no processo de ensino. Buscamos conhecer alguns aspectos que podem interferir na relação supervisor e professor, apontando possíveis cami-nhos para a solução dos problemas oriundos desta relação.Em suma, como lembra Lavelberg (2009), a orientação educacional tem dever de auxiliar a escola para promover socialização, (re) construindo as ações pedagógicas e educacionais, propiciando a articulação de valores que resultem em atitudes éticas no âmbito do convívio escolar e social. E sem a mera intenção de mencionar o que é certo ou errado, o que deve ser feito ou não, pretende-se com este estudo, refletir sobre algumas ações e posições do ser supervisor e professor no lócus de ensino. 1.1 Evolução da concepção de supervisão escolar Repensar a ação supervisora nas instituições escolares requer uma breve análise na linha do tempo, percorrendo fatos e conceitos da história da supervisão educacional, para entendê-la em suas srcens e em seus avanços. No contexto brasileiro, a supervisão é uma profissão relativamente recente. O pressuposto do que vem a ser supervisão srcinou-se na indústria, rela-cionada com a produção. Antes de ser contemplada na educação, a supervisão era empregada na indústria como uma forma de melhoria da qualidade e da quantida-de. Pode-se dizer que foi a partir de 1900 que a supervisão se integra à educação, com a intenção de melhorar o desempenho da escola mediante a ação educativa, a fim de buscar atender as necessidades do educando. Posteriormente, ao ano de 1920, a supervisão dirigiu-se para a eficiência do professor, buscando orientá-lo para mudanças didáticas às quais permitissem um maior rendimento escolar. Em  57 Evidência  , Araxá, v. 8, n. 8, p. 55-66, 2012 torno da década de 30, a supervisão sofreu influências de grandes estudiosos so-ciais e passou a priorizar mais a cooperação e a coordenação dos professores em suas ações pedagógicas.Em meados dos anos 70, com a Reforma Francisco Campos, foi decre-tada a Lei 19.890 de 18/4/1931, a qual veio diferenciar a orientação escolar da mera concepção de fiscalização. Com base nos dizeres de Nérici (1978), no intervalo do ano de 1940 a 1960 a supervisão teve preocupação em sensibilizar o professor para a pesquisa, na qual visava que o educador tinha que tomar consciência de suas dificuldades e, posteriormente, ir em busca de orientação necessária para que pudesse melhorar sua atuação e a superação das dificuldades.  No ano de 1942, pelo Decreto-Lei 4.244 de 9/4/1942 foi promulgada a Lei Orgânica do Ensino Secundário, na qual concebia no artigo 75, parágrafo 1º que dizia que “a inspeção far-se-á, não somente sob o ponto de vista administrati- vo, mas ainda com o caráter de orientação pedagógica, aplicando-se, dessa forma, às atividades da inspeção” (LIMA, 2008, p.70).Em 1953, por meio do Decreto-Lei 34.638 de 14/11/1953, foi elabora-da a Campanha de Aperfeiçoamento e Difusão do Ensino Secundário (Cades), a qual tinha como principal objetivo “melhorar a qualidade do ensino por meio do treinamento de recursos humanos, oferecendo aos inspetores da época subsí-dios para a formação e a fundamentação de seu trabalho nas escolas, enfatizando, sempre, o caráter pedagógico” (LIMA, 2008, p.70-71). E ainda na década de 50, por meio de “uma política de alianças” entre Brasil e Estados Unidos, a inspeção surgiu no campo educacional brasileiro de maneira diferenciada, ou melhor, de maneira mais contemporânea. Assim, houve a garantia e a efetivação de uma política desenvolvimentista que trazia a idéia de uma educação voltada para a transformação social. Foi a partir de então que a supervisão escolar foi classificada e nominada legalmente, através de um protótipo americano, em que prevaleciam os métodos e técnicas de ensino. Assim, a supervisão escolar teve início aqui nas terras brasileiras, por meio de cursos promovidos pelo Programa Americano-Brasileiro de Assistência ao Ensino Elementar (PABAEE), o qual foi o primeiro a formar supervisores escolares para atuarem no ensino elementar (primário) brasileiro. A finalidade era modernizar e melhorar a qualidade do ensino e a formação dos professores. De acordo com Medina, uma das idéias contidas nos objetivos do PABAEE era: Introduzir e demonstrar aos educadores brasileiros os métodos e técnicas utilizados na educação primária, promovendo a análise, aplicação e adaptação dos mesmos, a fim de atender às necessida-des comunitárias em relação à educação, por meio do estímulo à iniciativa do professor, no sentido de contínuo crescimento e aper-feiçoamento. Criar, demonstrar e adaptar material didático e equi-pamento, com base na análise de recursos disponíveis no Brasil e em outros países, no campo da educação primária (MEDINA, 2002  apud PABAEE, 1964, p.4-5).  58 Evidência  , Araxá, v. 8, n. 8, p. 55-66, 2012   O PABAEE foi um programa apontado como a grande novidade educa-cional brasileira, tendo repercussão desde o ano de 1957 à 1963, atribuído a um “caráter inovador na área pedagógica e preocupando-se, principalmente, com os meios que possibilitariam o reformismo educacional” (LIMA, 2008  apud  MO-RAES, 1982, p. 24). No ano de 1961, com a criação da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) - Lei 4.024 de 20/12/1961 nota-se que as transformações ocorridas no campo da supervisão foram retomadas para o “Ensino Primário”. Em seu artigo 52 (LDB, 1961  apud LIMA, 2008, p. 71) diz que “o en-sino normal tem por fim a formação de professores, orientadores, supervisores e administradores escolares destinados ao ensino primário e o desenvolvimento dos conhecimentos técnicos relacionados à educação da infância”. A partir de então, ficou determinado que os governos, tantos estadual quanto municipal, tinham que assumir e administrar os encargos de organização e execução de todo o sistema educacional. Ao Governo Federal cabia o propó-sito de definir as metas a serem alcançadas em todo o país e uma ação supletiva às deficiências regionais, por meio de auxílio financeiro e de assistência técnica.  Mediante a esse princípio de descentralização administrativa em nível de execu-ção, também foi descentralizado pela LDB a inspeção, delegando aos Estados a incumbência de organizar esses serviços, referente ao ensino primário e médio. Tendo em vista que o PABAEE teve grande influência no sistema edu-cacional brasileiro no início dos anos 60, o Brasil sofre grandes transformações, as quais acarretaram mudanças significativas no campo educacional. A partir da política do governo pós-64, a educação tornou-se o principal assunto de interesse econômico e de segurança nacional.  Nos diversos sistemas educacionais das unidades federativas, a supervisão escolar passou a exercer a função de controlar a qualidade do ensino, e também, a de criar condições necessárias para que se promovessem a melhoria da qualidade do ensino. No entanto, exigia-se do supervisor uma formação em nível superior. Segundo Saviani: (...) como as demais habilitações educacionais criadas e oficialmente institucionalizadas na educação brasileira, a partir da regulamenta-ção da lei 5540/68, a supervisão escolar passa a ter sua formação em cursos de graduação, sendo processada a partir da linha em que se davam os cursos promovidos pelo Pabaee e Pamp. Isto é, funda-mentada nos pressupostos da pedagogia tecnicista – que se apóia na neutralidade científica e se inspira nos princípios da racionalidade, eficácia e produtividade do sistema. (LIMA, 2008  apud  SAVIANI, 1988, p. 15) Contudo, a presença dos especialistas em supervisão no interior do siste-ma educacional, demonstra o reforço à divisão do trabalho na escola. Pode-se dizer que desde o ano de 1960 até os dias atuais, a supervisão tem sido incorporada pela eficiência, cooperação e pesquisa, com vistas ao de-
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