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Chinese foreign policy and rapprochement with Iran: economic interdependence or shifting balance of power in the Middle East?

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The article examines the Chinese foreign policy for Iran. Its hypothesis is based on China’s intention to use the growing Iranian regional influence as a tool for hard and soft balancing on US interests in the Middle East, accordingly to Robert
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    . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Revista Conjuntura Austral | ISSN: 2178-8839 | Vol. 3, nº. 14 | Out. Nov 2012   33 A POLÍTICA EXTERNA CHINESA E A APROXIMAÇÃO COM O IRÃ: INTERDEPENDÊNCIA ECONÔMICA OU ALTERAÇÃO NO EQUILÍBRIO DE PODER NO ORIENTE MÉDIO? Chinese foreign policy and rapprochement with Iran: economic interdependence or shifting balance of power in the Middle East?  Bruno Hendler  1  INTRODUÇÃO A ascensão de novas potências em épocas de arrefecimento de uma hegemonia tende a lançar o sistema internacional num longo processo de reorganização de suas bases de poder e riqueza, gerando um reposicionamento de forças entre os emergentes e o poder dominante. Segundo Gilpin (2002, p. 98) com a mudança inevitável na distribuição do poder econômico e militar do núcleo para os países em ascensão, a capacidade da potência hegemônica de sustentar o sistema é reduzida. A característica principal dos Estados emergentes tem sido, ao longo da história do moderno sistema mundial, aproveitar o momento de arrefecimento do poder e riqueza da hegemonia vigente para criar, gradualmente, sua própria periferia econômica. Por meio de inovações empresariais e alianças com Estados menores, estes países redefinem as principais redes de mercadorias (produção, comércio e finanças) da economia-mundo capitalista, atraindo para si parte considerável da riqueza mundial e estabelecendo novos parâmetros de poder. 1  Mestrando em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB). E-mail:   bruno_hendler@hotmail.com    . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Revista Conjuntura Austral | ISSN: 2178-8839 | Vol. 3, nº. 14 | Out. Nov 2012   34 Porém, nenhum emergente atual se aproxima da China quando se trata de escala e eficiência. É possível afirmar que este país, que já possui o segundo maior PIB do mundo, é o único emergente que redefine as redes de mercadorias em escala global e, por consequência, tende a afetar arranjos políticos estabelecidos há décadas pelos Estados Unidos. Seja na América Latina, África, Sudeste Asiático ou Oriente Médio, a inserção econômica da China tem gerado profundas mudanças nas diferentes esferas de governança criadas e mantidas pelos EUA, e suas repercussões merecem atenção especial. Autores realistas como Robert Pape reconhecem graus de balanceamento de poder em sistemas que tendem à unipolaridade  –   tal como o atual sistema internacional, no qual há uma esmagadora superioridade norte-americana em termos de hard power  . Neste ambiente, potências emergentes como a China devem evitar uma confrontação direta ou o uso de recursos militares contra os EUA, sendo preferível um balanceamento soft, que consiste na utilização de medidas prioritariamente não militares (BUMBIERIS, 2010, p. 23; PAPE, 2005), como a negação de acesso a território, a diplomacia de obstaculização ( entangling diplomacy ), fortalecimento econômico, formação de blocos econômicos exclusivos e formação de alianças de tipo menos vinculativo, como ententes. Assim, conforme verificado a seguir, estes elementos estão presentes na política da China para o Irã. Por outro lado, transferência de tecnologia militar para oponentes do poder dominante é vista como ato de balanceamento hard   (PAPE, 2005) .  Assim, além da própria modernização do aparato militar chinês (construção de submarinos, sistemas de mísseis balísticos e sistemas de cyberwar  ), o comércio de armas convencionais com o Irã e a antiga cooperação e atual aquiescência em relação ao programa nuclear deste país, demonstram que o balanceamento hard   da China no Grande Oriente Médio não foi descartado. Portanto, pretende-se examinar em que medida a aproximação sino-iraniana corrobora a hipótese de balanceamento chinês  –    hard e soft  –   em relação ao poder dos EUA no Grande Oriente Médio. Tem-se como hipótese a intenção chinesa em utilizar o    . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Revista Conjuntura Austral | ISSN: 2178-8839 | Vol. 3, nº. 14 | Out. Nov 2012   35 crescente poder regional do Irã como ferramenta de balanceamento hard e soft   sobre a influência dos EUA nos rumos do Grande Oriente Médio. CARACTERÍSTICAS DA ATUAÇÃO CHINESA NO GRANDE ORIENTE MÉDIO A relação da República Popular da China com o Grande Oriente Médio intensificou-se após a abertura econômica promovida por Deng Xiaoping, no final dos anos 1970. Com a morte de Mao, a China deixa de lado a tentativa de exportar sua visão ideológica e revolucionária de mundo e adota uma política externa pragmática e voltada para as necessidades de desenvolvimento do país. A partir de meados dos anos 1990, apresenta-se aos Estados da região como um investidor de peso e consumidor ávido de seus recursos energéticos (especialmente petróleo e gás natural), dada a dependência chinesa por recursos energéticos fósseis e o crescente acúmulo de reservas financeiras provenientes do modelo voltado para as exportações. Neste processo de desenvolvimento econômico da China e reconfiguração das redes globais de mercadorias, a relevância do Oriente Médio como fornecedor de recursos energéticos tende a aumentar, uma vez que a demanda chinesa destes insumos vindos do exterior tende a mudar da dependência relativa para a dependência absoluta (CLARKE, 2010, p. 16). Em 2006, 44% das importações de petróleo do país asiático vieram desta região e estima-se que a demanda chinesa por petróleo em relação à demanda mundial crescerá de 7% em 2003 para 25% em 2030. Em outras palavras, a China busca aquilo que os países do Oriente Médio querem exportar (KEMP, 2010, p. 69), tornando a aproximação mutuamente benéfica e atendendo, do ponto de vista chinês, ao imperativo da segurança energética diante do processo de urbanização e industrialização das áreas costeiras do país. Ao contrário dos países ocidentais, que possuem um histórico de intervenção militar e têm aliados e oponentes bem definidos, a China apresenta uma abordagem mais pragmática, menos intrusiva e descompromissada com as rivalidades políticas locais (YUFENG, 2007, p. 119). Mais pragmática porque o Estado promove e defende os interesses de empresas chinesas, atuando no âmbito interno através de incentivos    . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Revista Conjuntura Austral | ISSN: 2178-8839 | Vol. 3, nº. 14 | Out. Nov 2012   36 financeiros e serviços de pesquisa, e no âmbito externo por meio da negociação direta com Estados e empresas estrangeiras. Ademais, ao contrário das empresas ocidentais, muitas empresas chinesas envolvidas em contratos com países do Golfo Pérsico são estatais e conseguem criar laços de mais longo prazo sem precisar responder às necessidades de lucro imediato de investidores privados (KEMP, 2010, p. 67). A título de exemplo, o setor petrolífero chinês é monopolizado por apenas três companhias: China National Petroleum Corporation (CNPC), China Petroleum & Chemical Corporation Limited (Sinopec), e China National Offshore Oil Corporation (CNOOC), todas com participação direta do governo (CLARKE, 2010, p. 13). A abordagem chinesa do “ offend-no-one ” é menos intrusiva do que a ocidental, posto que seus fundos de auxílio econômico e investimento não são condicionados por questões de governança interna e direitos humanos. Enquanto EUA e Europa vinculam investimentos a avanços nos temas de direitos humanos e costumam criticar os regimes ditatoriais na região, a China evita este tipo de crítica e solidariza-se com os países que também sofreram sob a influência dos impérios coloniais ocidentais. Por fim, a diplomacia chinesa tem sido hábil em não estabelecer alianças fixas ou criar inimigos diretos no Oriente Médio  –   utilizando o chamado soft power  . Durante a década de 1990 a China cultivou boas relações com todos os Estados da região, desde aliados próximos aos EUA (Israel e Arábia Saudita) a Estados declaradamente antiamericanos (Irã e Iraque) (GHAFOURI, sem data). Neste contexto, as relações entre China e Irã podem ser divididas em dois grandes âmbitos. Um essencialmente econômico, que envolve o investimento crescente de capital chinês na exploração de recursos naturais iranianos (principalmente petróleo e gás natural), além de instalação de empresas chinesas no Irã, ligadas a setores como o automobilístico, construção civil e tecnologia da informação. E outro de aproximação estratégica com profundas consequências políticas para a estabilidade do Grande Oriente Médio, ligada ao comércio de armas convencionais e à antiga cooperação (e atual aquiescência) em relação ao programa nuclear iraniano. RELAÇÕES ECONÔMICAS CHINA-IRà   . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Revista Conjuntura Austral | ISSN: 2178-8839 | Vol. 3, nº. 14 | Out. Nov 2012   37 As relações econômicas na esfera civil correspondem à típica dualidade entre país emergente e periferia, em que a China, enquanto emergente, redefine as redes de mercadorias com o Irã, importando produtos primários deste país e exportando produtos e serviços de maior valor agregado. Com o vácuo de comércio e investimentos decorrente do boicote de países ocidentais ao Irã, a China tornou-se em 2009 o maior parceiro comercial deste país, contando com a instalação de mais de 100 empresas e atingindo 21 bilhões de dólares no comércio bilateral (FARRAR-WELLMAN; FRASCO, 2010). Em 2007, 90% do valor das exportações do Irã para a China deveu-se ao petróleo bruto (KEMP, 2010, p. 75) e em 2009 este país abastecia um terço das importações de gasolina daquele (FARRAR-WELLMAN; FRASCO, 2010). Desta forma, a importância do petróleo na pauta de exportações do Irã, bem como a necessidade de importar gasolina por falta de tecnologia no refino do petróleo, refletem a condição periférica do país, que passa a depender cada vez mais dos vínculos econômicos com a China. Ademais, o boicote ocidental tende a acentuar a condição periférica do Irã e aproximá-lo da China, a qual, numa relação de acentuada interdependência assimétrica, exerce um balanceamento soft   através de seu poder econômico. Atividades econômicas no Irã não ligadas ao petróleo também têm recebido grandes investimentos chineses. Em uma conferência conjunta em 2009, os dois países assinaram uma série de acordos que totalizaram 17 bilhões de dólares em cooperação econômica (FARRAR-WELLMAN; FRASCO, sem data). As mais de 100 empresas da China têm operado em setores variados como construção de represas, construção naval, construção civil, exploração de aço, açúcar, papel e projetos específicos como a construção do metrô de Teerã e ampliação da malha ferroviária iraniana. Desta forma, assim como no setor petrolífero, os outros setores da economia iraniana também demonstram sua condição periférica em relação à China. Portanto, o interesse econômico da China em relação ao Irã é claro e não destoa da relação com outros países de sua “nova periferia”: buscar recursos primários para atender o interesse nacional, que consiste em desenvolvimento econômico e geração de
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