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ARTIGO - Paideia e Filosofia Nos Moralia de Plutarco o de Liberis Educandis e o de Iside Et Osiride, Isto é, Quando o Pedagogo Prepara o Estudante Para Ser Filosofo

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    Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=303331286010   Red de Revistas Científicas de América Latina, el Caribe, España y Portugal Sistema de Información Científica Sanzi, EnnioPaideia e filosofia nos Moralia de Plutarco: o De liberis educandis e o De Iside et Osiride , isto é, quando opedagogo prepara o estudante para ser filosofoActa Scientiarum. Education, vol. 36, núm. 2, julio-diciembre, 2014, pp. 267-278Universidade Estadual de MaringáParaná, Brasil   Como citar este artigo   Número completo   Mais informações do artigo   Site da revista Acta Scientiarum. Education, ISSN (Versão impressa): 2178-5198eduem@uem.brUniversidade Estadual de MaringáBrasil www.redalyc.org Projeto acadêmico não lucrativo, desenvolvido pela iniciativa Acesso Aberto    http://www.uem.br/acta ISSN printed: 2178-5198 ISSN on-line: 2178-5201  Acta Scientiarum Doi: 10.4025/actascieduc.v36i2.22735  Acta Scientiarum. Education Maringá, v. 36, n. 2, p. 267-278, July-Dec., 2014 Paideia e filosofia nos Moralia  de Plutarco: o e liberis educandis  e o e Iside et Osiride , isto é, quando o pedagogo prepara o estudante para ser filosofo Ennio Sanzi Facoltá di Lettere e Filosofia dell Universitá degli Studi di Messina, Viale Annunziata, Polo Universitário I-98168 Messina, Italia. E-mail: enniosanzi@libero.it RESUMO. O  De liberis educandis  e o  De Iside et Osiride podem ser relacionados na acepção da educação de ambos os opúsculos. De fato, no primeiro se analisa as condições básicas para fazer de um estudante um filosofo; no segundo se demonstra o comportamento que precisa ter uma pessoa educada pela filosofia ao relacionar-se a um culto que está colocado fora da tradição religiosa grega. É somente graças à formação filosófica que é possível colher o sentido profundo de uma mitologia que parece tão diferente daquela grega. De fato, trata-se de um mito estrangeiro, absurdo e que, todavia, esconde na trama do relato, o conceito do dualismo que somente uma interpretação filosófico-alegórica permite de atingir. Palavras-chave: paideia, filosofia, Plutarco, Ísis, dualismo religioso.   Education and Philosphy in Plutarch s Moralia : The e liberis educandis  and the e Iside et Osiride , in other words, when the teacher trains the student to be a philosopher  ABSTRACT.  The  De liberis educandis and the  De Iside et Osiride are specifically related to  paideia : the former work analyzes how to train a student in philosophy; the latter shows how a person educated in philosophy could relate himself to a cult alien to Greek religious tradition. In fact, only through philosophy it is possible to understand the deeper meaning of a mythology which is quite different from the Greek one. In fact, the concept of dualism is hidden within the strange tale of Isis and Osiris, or rather, a notion that only a philosophical-allegorical interpretation may reveal. Keywords: education, philosophy, Plutarch, Isis, religious dualism.   Paideia y filosofía en los Moralia  de Plutarco: el e liberis educandis  y el e Iside et Osiride , esto es, cuando el pedagogo prepara al estudiante para ser filósofo RESUMEN.  El De liberis educandis y el De Iside et Osiride pueden ser relacionados en la acepción de la educación de ambos los opúsculos. De hecho, en el primero se analizan las condiciones básicas para hacer de un estudiante un filósofo; en el segundo se demuestra el comportamiento que necesita tener una persona educada por la filosofía al relacionarse a un culto que está colocado fuera de la tradición religiosa griega. Es solamente gracias a la formación filosófica que es posible obtener el sentido profundo de una mitología que parece tan diferente de aquella griega. De hecho, se trata de un mito extranjero, absurdo y que, además, esconde en la trama del relato, el concepto del dualismo que solamente una interpretación filosófico-alegórica permite alcanzar. Palabras clave:  paideia, filosofía, Plutarco, Isis, dualismo religioso. Introdução Podemos imaginar o quanto a célebre resposta de Sólon “[...] envelheço aprendendo sempre coisas novas [...]” (  Fragmenta ,   fr. 20 W.) a Mimnermo, que declarava preferir a morte a uma  velhice desprovida dos dons de Afrodite (  Fragmenta ,   fr. 1 W.), pudesse ser cara a Plutarco, polímata   e filósofo   que viveu entre o I e o II século d.C., que se dedicou à investigação e à divulgação de múltiplos campos do saber. Entre os seus interesses basta recordar a astronomia, a biologia, a medicina, a matemática vinculada à geometria, a literatura, a história, a etopéia, a religião e a teologia. Todas as disciplinas constituíam, aos seus olhos, uma unidade perfeita e tudo era reconduzido à filosofia, pesquisa da verdade, reconhecimento da potência divina nos múltiplos aspectos do kosmos  e nas realizações da grandeza humana. Por exemplo, no  Non posse suaviter vivi secundum Epicurum , (c. 10), o pensador assevera:  Aprender a verdade em si mesma é coisa amável e desejável como o viver e existir porque conduz ao conhecimento, enquanto que o aspecto mais triste da morte é o esquecimento, a ignorância, a obscuridade.  268 Sanzi  Acta Scientiarum. Education Maringá, v. 36, n. 2, p. 267-278, July-Dec., 2014 Plutarco e a paideia Mas, Plutarco, além de advertir sobre quanto o conhecimento pertence ao rol das afirmações da dignidade do homem, adverte sempre acerca da necessidade de transmitir os conteúdos do conhecimento mesmo a qualquer um que desejasse aprender o saber e reparti-lo. Plutarco não se exime de dedicar-se à paideia, no sentido quantitativo e qualitativo, e se identifica com o duplo papel de sábio e pedagogo e exercita os dois com igual dedicação, seja em relação aos próprios filhos, que educou pessoalmente, seja em relação aos numerosos discípulos em Roma, em Queroneia e em Delfos. Ele repõe a força da própria didática não apenas sobre os conteúdos teóricos, mas também, e sobretudo, sobre a necessidade da transmissão direta e sobre a habilidade de construir as lições em relação à natureza, à inteligência e à personalidade do interlocutor. Mas, o ponto forte de Plutarco é uma dupla convicção: a) o exemplo e a aplicação prática mostrada pelo pedagogo valem muito mais do que uma fria preceituação; b) qualquer que seja o ensinamento, isso deve ser distribuído com sinceridade e honestidade e oferecido com modéstia (BARROW, 1967).  É notório como Plutarco nos  Moralia não era sistemático e como jamais tinha pensado em escrever um tratado sobre a educação dos rapazes.    Em todo caso, essa aparente ausência pode ser explicada por parte do sapiente que entende que a finalidade de educar não consiste somente no aprendizado de noções ou de técnicas, mas na construção do homem, isto é, na capacidade de ensinar o discernimento do bem e do justo. Por conseguinte, com a condição de aplicá-lo e de afirmá-lo em todas as ocasiões da vida, sejam as grandes ou as pequenas; apenas esta é a via para percorrer a estrada que conduz à eudaimonia . Seguro de tal convicção ele conduziu uma vida inteira na firme convicção de que a humanidade pudesse ser guiada para o bem, educada nos valores do espírito e da convivência civil, na obtenção daquela sabedoria “[...] sem a qual não se pode atrair nenhum proveito e nenhuma vantagem de outros conhecimentos [...]” (PLUTARCO,  An virtus doceri possit , 440B). Plutarco tem bem claro na sua mente que a tensão em relação à virtude é um processo que nunca se pode concluir e que não pode ser um dado constitutivo adquirível em definitivo: a razão não vence uma vez por todas as paixões, mas é chamada uma e outra vez a afrontá-las, a disciplinar os impulsos com o fim de direcionar o homem em cada momento da sua vida para conseguir e afirmar aquilo que é justo e resulta no bem. Será especialmente por isso, então, que o papel de pedagogo assumido pelo polímata de Queroneia não será dedicado exclusivamente aos rapazes, mas a todos os homens, ainda que particularmente os primeiros fossem os destinatários das suas preocupações mais atentas, pois se transformariam de adolescentes em homens, defensores do justo e do bem. Daí segue, portanto, a dificuldade em localizar nos  Moralia  escritos de caráter especificamente paidêutico, particularmente porque tal intento atravessa toda a coleção. O e liberis educandis   Nem causará estranheza que um pequeno tratado de conteúdo específico na coleção, o  De liberis educandis , seja de Pseudo-Plutarco,   à luz de sua especificidade argumentativa. Todavia, concentraremos nossas reflexões histórico-religiosas particularmente sobre este e sobre o  De Iside et Osiride , porque o primeiro representa um precioso testemunho da concepção pedagógica helenístico-romana de estampa filosófica médio-platônica; e o segundo,   a sublimação do ensinamento que se pode trazer da mitologia e da capacidade de guiar a sensibilidade em relação ao divino. O  De liberis educandis  experimentou grande notoriedade até a segunda metade do século XIX. Se D. A. Wyttenbach, no final do século XVIII, demonstrou a natureza pseudo-plutarquiana do  De liberis educandis , o seu juízo decisivamente negativo sobre o valor do conteúdo do pequeno tratado parece a manifestação irrefreável da sua vis destruendi . Segundo o filólogo, o opúsculo seria somente a declamação ingênua plena de locis communibus ,  sententiolis ,  losculis oratoriis aliunde decerptis  de um  jovem inexperiente que teria frequentado a escola de Plutarco (MARTINELLI TEMPESTA, 2010). Ora, seja o fato de ter frequentado a escola de Plutarco,   seja a acusação de ausência de brilhantismo contra o autor ignoto, a nosso juízo, constituem um motivo a mais para usar as suposições como uma voz geral do filósofo médio-platônico sobre a instrução e, em todo caso, para considerar o opúsculo como um memorandum  da reflexão sobre a  paideia nos primeiros séculos depois de Cristo. Em um caso como este, a ausência de srcinalidade de tais assuntos se revela um valor adjunto para o nosso conhecimento da realidade da  paideia  helenístico-romana; tal constatação teria valor além da presença ou da ausência do autor nas lições do filósofo de Queroneia. A constatação de que nela se mesclam, de modo inextrincável, reflexões antigas e recentes, pensamento sofista e pós-sofista, não deve ser vista como alguma coisa negativa; ao contrário, se  Paideia e filosofia nos Moralia  de Plutarco 269  Acta Scientiarum. Education Maringá, v. 36, n. 2, p. 267-278, July-Dec., 2014 refletimos sobre o fato de que o conjunto de reflexões encontra a sua amálgama na tradição e que particularmente esta, sobretudo por meio de anedotas e citações, acaba por legitimá-las, podemos acreditar que nos encontramos diante de uma pequena  summa  da tradição da paideia antiga. O autor declara desde o início o seu intento: “Que se poderia dizer sobre educação (  agoge ) dos rapazes livres e os seus métodos para fazê-los pessoas sérias e de bem? Vejamos um pouco!” (PLUTARCO,  De liberis educandis ,   1A). No opúsculo ele dirige-se imediatamente aos pais que, por meio do exemplo e por força da escolha de bons pedagogos, esforçam-se por colocar os filhos nas condições mencionadas. Concentraremos-nos nas páginas relativas à escolha de tais pedagogos e às matérias que devem constituir o objeto de estudo da parte dos discípulos. Depois de solicitar aos pais que concebessem em estado de absoluta sobriedade, unindo-se a   mulheres da mesma condição social, passa imediatamente ao problema da  paideia . Como introdução, assevera que, para alcançar uma conduta impecável (  areté  ), é preciso o concurso de três fatores: natureza (  physis ), palavra ( logos ) e hábito ( ethos ). Como não há motivo para discussão sobre a tradução de  physis , isto é,   a natureza, ou disposições naturais; para logos  e ethos , o autor esclarece imediatamente que, com tais palavras, quer entender o aprendizado e/ou a instrução ( mathesis ) e o exercício e/ou a aplicação (  askesis ):  As bases são oferecidas pela natureza, os progressos pela instrução, as aquisições pela aplicação, a perfeita saída da concomitância de todas as três. Se faltar uma, a virtude resulta inevitavelmente coxa daquela parte: a natureza sem a instrução é cega, a instrução sem a natureza é insuficiente, e o exercício, se faltam as outras duas, é inconcluso. (PLUTARCO,  De liberis educandis , 2A-B). Da comparação sucessiva com o mundo da agricultura, decorre que   as inclinações naturais sejam simbolizadas por um terreno fértil, o educador por um semeador experto, os ensinamentos e os conselhos pelas boas sementes (CÍCERO, Tusculanae  Disputationes , II, 5, 13): “[...] como um campo, apesar de que seja fértil, não pode dar frutos se não é cultivado, a mesma coisa acontece para um  animus que não é guiado pela doctrina ”. Se por um lado, Diógenes Laércio ( Vitae philosophorum,  V, 8) atribui este pensamento a Aristóteles, por outro,   não será uma surpresa que, em seguida, Plutarco afirme: Todas estas condições [...] se encontram e respiram  juntas para dar vida às almas, universalmente celebradas de Pitágoras, Sócrates, Platão e de todos aqueles que conseguiram uma glória que jamais desaparecerá. (  De liberis educandis , 2B-C). Marrou (1971) notou como, nesta passagem, logos  deve ser entendido como palavra e não como razão, porque, se assim fosse, se trataria de uma qualidade interna do indivíduo e seria somente um duplo de  physis ; o estudioso, evidenciando como o acento colocado sobre a definição da palavra logos enfatiza a dominante literária da educação helenístico-romana afirma: O fato é que o Verbo é o instrumento privilegiado de toda cultura, de toda civilização, porque é o meio mais seguro de contato, de troca entre os homens; que rompe a cerca encantada da solidão na qual a competência tende a encerrar inevitavelmente o especialista. (MARROU, 1971, p. 300). O aspecto interessante é que o nosso autor deixa espaço para aquele que não tenha sido dotado por um deus com todos esses dons: se a indolência faz falhar as boas qualidades naturais, o ensinamento ( didaché  ) corrige os defeitos, isto que é  contra naturam pode tornar-se melhor do que aquilo que   é  secundum naturam , graças à força do empenho ( epimeleia ). Segue uma longa série de exemplos tirados dos pilares da formação escolástica helenístico-romana, como  Xenofonte (  Memorabilia ,   IV, I, 3) e Cícero (  Rhetorica ad  Herennium ,   IV, 46), para concluir: “O caráter ( ethos ) é um hábito consolidado num longo arco de tempo e o homem que definiria como habituais as qualidades do caráter pareceria   dizer uma coisa dessintonizada [...]” (  De liberis educandis , 2E). Interessante notar como tal tema tanto de matriz platônica (  Leges , VII, 792E) como aristotélica (  Ethica Nicomachea ,   1103A, 17-25) tornou-se comum no período helenístico e depois helenístico-romano, sendo também desenvolvido por Plutarco em várias ocasiões (  De virtute morali , 443C;  De curiositate ,   520D;  De cohibena ira , 459B). Podemos  ver desde já como as observações, se não mesmo as declarações do nosso autor anônimo, encontram vigor e legitimidade na tradição, autêntica bússola no sentido   do discrimen veritatis  no mundo antigo e tardo-antigo. Não esquecer, além disso, que a referência à agricultura, na mente do homem de cultura antiga, remete automaticamente a Hesíodo, assim como à necessidade de recorrer ao empenho para conseguir, segundo a contenção ( eris ) positiva, resultados legítimos. Passa-se, portanto, a exortar as mães para que amamentem pessoalmente seus filhos, ou pelo menos escolham amas-de-leite que possam moldar desde o nascimento o caráter dos recém-nascidos (  De liberis educandis ,   3C). Essa indicação é importante porque está fundamentada em passagens de Platão (  Respublica,  II, 377 B-C; II, 377 D-378 E) e Focílides (  Fragmenta , fr. 15 G.P.), assim, uma vez mais a
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