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ALVES, E. C. AQUINO, M. a. a Pesquisa Qualitativa - Origens, Desenvolvimento e Utilização Nas Dissertações Do PPGCI-UFPB - 2008 a 2012

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Pesquisa Qualitativa - Origens, Desenvolvimento e Utilização Nas Dissertações Do PPGCI-UFPB - 2008 a 2012
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  79Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.22, p. 79-100, Número Especial 2012 memórias científicas srcinais A PESQUISA QUALITATIVA: srcens, desenvolvimento e utilização nas dissertações do PPGCI/UFPB - 2008 a 2012 QUALITATIVE RESEARCH: srcins, development and utilization of dissertations PPGCI / UFPB - 2008 to 2012 Edvaldo Carvalho Alves Doutor em Ciências Sociais pela Universidade São Carlos, Brasil. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba, Brasil. E-mail: edvaldocalves@gmail.com  Mirian Albuquerque Aquino Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil. Professora do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba, Brasil. Bolsista de Produtividade CNPq. E-mail: miriabu@gmail.com RESUMO: Discute as especi󿬁cidades da pesquisa qualitativa por meio da reconstrução de seu processo de desenvolvimento, em geral e, particularmente, no campo da Ciência da Informação. Explicita as contribuições deste tipo de pesquisa para um conhecimento mais aprofundado da realidade social, em especial, do fenômeno informacional e mapeia sua utilização nas dissertações defendidas no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação referente ao período de 2008 a 2012. Das 66 dissertações analisadas, veri󿬁ca-se uma predominância da pesquisa de natureza qualitativa nas duas linhas de pesquisa do PPGCI/UFPB, com a utilização de variados métodos, técnicas e instrumentos de coleta e análise de dados característicos deste tipo de investigação, em especial, a entrevista, análise documental, análise de conteúdo, semiótica e observação direta. Palavras-chave: Pesquisa Qualitativa. Ciência da Informação. Dissertações Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação.  ABSTRACT: Discusses the characteristics of qualitative research through the reconstruction of their development  process in general and particularly in the 󿬁eld of Information Science. Spells out the contributions of such research to a deeper understanding of social reality, in particular, the phenomenon informational maps and their use in dissertations in the Graduate Program in Information Science for the period 2008 to 2012. Of the 66 papers analyzed, there is a predominance of qualitative research in two lines of research PPGCI / UFPB, with the use of various methods, techniques and tools for collecting and analyzing data characteristic of this type of research, in particular, interviews, document analysis, content analysis, semiotics and direct observation. Keywords: Qualitative Research. Information Science. Dissertations Graduate Program in Information Science.  80Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.22, p. 79-100, Número Especial 2012 Edvaldo Carvalho Alves, Mirian Albuquerque Aquino 1 Introdução A questão que orienta a discussão empreendida neste artigo indica que a pesquisa qualitativa situa-se numa extensa e adversa história nas disciplinas das Ciências Humanas. Contudo, pode-se dizer, e já se tem como consenso no campo das Ciências Sociais, que a pesquisa qualitativa recobre hoje, como a󿬁rma Chizzotti (2003), um campo interdisciplinar e transdisciplinar, que percorre não só as ciências sociais e humanas, mas também algumas áreas das ciências da natureza e da saúde 1 . Além disso,  vivencia-se, nesta área, uma pluralidade de programas e estratégias de pesquisa que advogam o estatuto qualitativo, adotando e, muitas  vezes, mesclando e condensando, tradições e paradigmas oriundos do marxismo, positivismo, construtivismo, fenomenologia, hermenêutica, teoria crítica etc.Como corolário, tem-se que, apesar das nuanças e da diversidade inerente à prática da pesquisa qualitativa, é possível assegurar, de acordo com Poupart et al (2008), que os métodos, técnicas e instrumentos da pesquisa qualitativa são mais conhecidos, melhor aceitos e, às vezes, até mais valorizados, do que no passado. No entanto, este reconhecimento e prestígio que a pesquisa qualitativa goza atualmente no campo cientí󿬁co, não “caiu do céu”, mas é o resultado de um longo processo que se inicia no século XIX, com o surgimento das ciências que delimitam o homem como objeto de estudo - sociologia, antropologia, psicologia etc. -, e se prolonga durante todo o século XX, sendo marcado mais 1 Este campo, em especial os estudos na área da saúde pública, vem trazendo, principalmente no Brasil, grandes contribuições para o desenvolvimento de novas estratégias, técnicas e métodos de investigação qualitativos. Sobre isso ver principalmente os estudos de Minayo (1998, 2003 e 2005). por clivagens, rupturas, tensões e con󿬂itos do que por acumulações progressivas.Assim, tomando como base essa característica, este artigo realiza uma reconstrução do processo histórico do surgimento e desenvolvimento da pesquisa qualitativa e sua utilização nas pesquisas realizadas no programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UFPB. Para tanto, encontra-se dividido em três partes: na primeira, efetua-se uma caracterização e uma de󿬁nição do que vem a ser pesquisa qualitativa, delimitando sua contribuição principal para a pesquisa social; na segunda, partindo das sínteses realizadas por vários autores, em especial Flick (2009); Denzin e Lincoln (2006); Chizzotti (2003 e 2006); Bodgan;Biklen (1994), reconstruir-se-á o percurso, por meio da adoção de uma periodização, que essa prática de investigação seguiu, tendo ciência do caráter arbitrário e, na maioria das vezes, reducionista, do enquadramento de processos históricos em períodos demarcados temporalmente; por último, apresenta-se uma descrição e classi󿬁cação, por linha de pesquisa, das dissertações defendidas no PPGCI/UFPB de 2008 a 2012 que utilizaram a abordagem qualitativa. 2 Conceituando a pesquisa qualitativa Diversos autores convergem para a ideia que a pesquisa qualitativa não se sustenta em um conceito teórico e metodológico uniforme, havendo, pois, múltiplas abordagens que embasam os debates, as discussões e as re󿬂exões referentes a prática dessa pesquisa (FLICK, 2009); (DENZIN; LINCOLN, 2006). Convergências e divergências de pontos de vista são decorrentes das diferentes perspectivas de desenvolvimento relativas à história da pesquisa qualitativa em  vários países.Sendo assim, para conceituar a pesquisa qualitativa é mister, inicialmente, entendê-la  81Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.22, p. 79-100, Número Especial 2012  A pesquisa qualitativa como um campo mais amplo onde se encontra “uma família integrada e complexa de termos, conceitos e suposições. Entre eles, estão as tradições associadas ao fundacionalismo ao positivismo, ao pós-positivismo, ao pós-estruturalismo e às diversas perspectivas e/ou métodos de pesquisa relacionados aos estudos culturais e interpretativos” (DENZIN; LINCOLN, 2006, p. 16)”. Na literatura, é possível encontrar a pesquisa qualitativa circundada por uma  variedade de métodos, abordagens e materiais empíricos e in󿬂uenciada por posturas éticas e políticas.No campo da pesquisa social, a pesquisa qualitativa pode ser entendida como uma práxis que visa a compreensão, a interpretação e a explicação 2  de um conjunto delimitado de acontecimentos que é a resultante de múltiplas interações, dialeticamente consensuais e con󿬂itivas, dos indivíduos, ou seja, os fenômenos sociais. Estes, além de possuírem as características de serem o produto das ações humanas, segundo Demo (1981) e Minayo (1992), possuem ainda outras características distintivas:a) são históricos, isto é, mudam, se transformam ao longo do tempo, sendo, portanto, transitórios e especí󿬁cos; b) possuem consciência história, ou seja, como produtos da ação dos indivíduos, os fenômenos sociais recebem, destes, sentidos e signi󿬁cados múltiplos;c) por não existirem independentemente dos indivíduos, só se manifestam por meio das ações, e sendo o investigador (pesquisador) também um indivíduo social, se encontra em uma situação de identi󿬁cação com o objeto em estudo; 2 É importante ressaltar que a pesquisa social também possui, desde sua srcem, uma intenção prática, isto é, de intervenção na realidade social, seja para transformá-la ou para conservá-la. d) é extrinsecamente e intrinsecamente ideológico, dado que, no processo de investigação, existe uma relação de co-determinação entre o pesquisador e seu objeto, pois a visão de mundo de ambos encontra-se impregnada ao longo de todo o processo investigativo;e) é essencialmente qualitativo, pois todo fenômeno social é o produto da ação humana, que, por sua vez, só é levada a cabo por meio de motivações subjetivas, ou seja, crenças, valores, ideais, sentimentos etc. que se encontram expressos nas instituições, estruturas e ações sociais.Portanto, a pesquisa social tem seu foco na apreensão, tanto dos aspectos mais profundos da realidade, que a especi󿬁cam e a tornam particular 3 , como os mais aparentes e super󿬁ciais, que a generalizam e que são passíveis de quanti󿬁cação. Historicamente a pesquisa qualitativa vem sendo de󿬁nida em contraposição a pesquisa quantitativa, que tem na quanti󿬁cação a única via de assegurar a validade/legitimidade de uma generalização, pressuposto para a construção de leis, de acordo com o o modelo das ciências físico naturais.No entanto, como nos adverte Denzin e Lincoln (2006) a construção de uma de󿬁nição da pesquisa qualitativa deve levar em conta o complexo campo histórico onde ela se srcinou e se desenvolveu, uma vez que ela adquiriu, ao longo desse tempo, diferentes signi󿬁cados. Essa concepção também é corroborada por Groulx (2008), quando a󿬁rma que a pesquisa qualitativa nos remete a um campo de práticas e discursos diversi󿬁cados e múltiplos. Contudo, apesar dessa pluralidade de signi󿬁cados, ambos os autores acreditam que seja possível construir uma 3 E é justamente desse aspecto da realidade social que a pesquisa qualitativa irá se preocupar.  82Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.22, p. 79-100, Número Especial 2012 Edvaldo Carvalho Alves, Mirian Albuquerque Aquino de󿬁nição genérica do que vem a ser pesquisa qualitativa. Para Denzin e Lincoln (2006, p.17), A pesquisa qualitativa é uma atividade situada que localiza o observador no mundo. Consiste em um conjunto de práticas materiais e interpretativas que dão visibilidade ao mundo. Essas práticas transformam o mundo em uma série de representações, incluindo as notas de campo, as entrevistas, as conversas, as fotogra󿬁as, as gravações e os lembretes. Nesse nível, a pesquisa qualitativa envolve uma abordagem naturalistica, interpretativa, para mundo, o que signi󿬁ca que seus pesquisadores estudam as coisas em seus cenários naturais, tentando entender, ou interpretar, os fenômenos em termos dos signi󿬁cados que as pessoas e eles conferem. Nesta mesma linha de pensamento, Minayo (2003, p. 21) de󿬁ne a pesquisa qualitativa como aquela que “trabalha com o universo de signi󿬁cados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos a operacionalização de variáveis”. A partir destas de󿬁nições, pode-se construir um modelo ideal típico, na perspectiva weberiana, em que a pesquisa qualitativa se caracterizaria principalmente pelos seguintes atributos:a) estudo dos fenômenos onde eles se manifestam;b) interação entre sujeito e objeto e reconhecimento da presença dos valores em todo o processo de investigação;c) 󿬂exibilidade na utilização de tradições e paradigmas teóricos, métodos, técnicas e instrumentos;d) compreensão e interpretação dos signi󿬁ca-dos atribuídos e das intencionalidades dos indivíduos sociais como objetivos da inves-tigação;e) visão da realidade social como processo, resultado das interações entre os indivíduos sociais.Assim, para efeito de análise, é possível a󿬁rmar que a presença, em maior o menor grau, dessas características em uma investigação cientí󿬁ca lhe atribui uma natureza qualitativa. Dito isto, partamos agora para a reconstrução do processo de desenvolvimento da pesquisa qualitativa. 2 Breve histórico da pesquisa qualitativa Como já ressaltado anteriormente, a história da pesquisa qualitativa foi marcada mais por clivagens, rupturas, tensões e con󿬂itos do que por acumulações progressivas. Sua evolução histórica, com todas essas questões e tensões – que ainda estão presentes atualmente -, foi sintetizada, como ressalta Chizzotti (2003), por vários autores nas quais se destacam as obras já clássicas de Flick (2009); Denzin e Lincoln (2006); Erikson (1986); Bodgan e Biklen (1994); Vidich e Lyman (2000), É importante destacar que todas essas obras discutem a evolução da pesquisa qualitativa em alguns países da Europa e nos EUA, sendo inexistente uma discussão que recupere o seu percurso no Brasil. Os autores aqui mencionados buscaram resumir suas transformações e destacar os momentos mais signi󿬁cativos desse processo. No entanto, essas obras têm um recorte regional, focando as análises do desenvolvimento da pesquisa qualitativa em alguns paises da Europa, em especial a Alemanha, Inglaterra e França e nos EUA. Como exemplo disso, temos a periodização proposta por Denzin e Lincoln (2006) que, erradamente, vem sendo utilizada por alguns autores brasileiros para ilustrar o desenvolvimento da pesquisa qualitativa em geral, quando a análise é circunscrita ao espaço-tempo estadunidense. No entanto, se levado em consideração essa particularidade da análise, ela pode servir de referencial para se entender a evolução da pesquisa qualitativa de uma forma geral. Para
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