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A Viagem de Meu Irmao Alexei Ao Pais Da Utopia Camponesa

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Resenha: FERNANDES, Bernardo Mançano; MEDEIRO, Leonilde Servolo de; PAULILO, Maria Ignez (Orgs.). Lutas camponesas contempôraneas: condições, dilemas e conquistas, v. 1: o campesinato como sujeito político nas décadas de 1950 a 1980. São Paulo: UNESP, 2009
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  DOI: http://dx.doi.org/10.5007/2175-7976.2012v19n27p342 A VIAGEM DE MEU IRMÃO ALEXEI AO PAÍS DA UTOPIA CAMPONESA THE JOURNEY OF MY BROTHER ALEXEI TO THE COUNTRY´S PEASANT UTOPIA Óscar Gallo*FERNANDES, Bernardo Mançano; MEDEIRO, Leonilde Servolo de; PAULILO, Maria Ignez (Orgs.).  Lutas camponesas contempôraneas : condições, dilemas e conquistas, v. 1: o campesinato como sujeito político nas décadas de 1950 a 1980. São Paulo: UNESP, 2009.          A viagem de meu irmão Alexei ao país da utopia camponesa . 1  Escrito pelo economista Alexei Vasilievich Chayanov, a narração começa no terceiro ano da evolução Russa e desenrola-se, principalmente, em setembro de 1984. Neste cenário utópico, os  partidos campesinos têm o poder desde 1934; o governo decretou a eliminação das cidades de mais de vinte mil habitantes e ruralizou o país; 2  a propriedade camponesa está na base do sistema econômico, já que nela “o homem não confronta a natureza, nela o trabalho se efetua em contato criativo com as forças do cosmos, e cria novas formas de existência. Cada trabalhador é criador, cada manifestação de sua individualidade é a arte do trabalho”. 3  O país da utopia é a materialização de um projeto genuíno planejado  por Chayanov para o desenvolvimento econômico da Rússia. Chayanov quer transmitir a idéia de que os camponeses são a esperança da revolução e o desenvolvimento da sociedade, na ativação da sua excepcional força              pesquisas sobre a agricultura e os camponeses russos. 4  Não é possível afundar numa comparação entre a utopia camponesa de Chayanov e o campesinato * Doutorando no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de  Nível Superior (CAPES). E-mail: oscar.gallo@medellin.co  343 Revista Esboços, Florianópolis, v. 19, n. 27, p. 342-349, ago. 2012.  brasileiro, embora a leitura do livro  Lutas camponesas contempôraneas  deixe a impressão de que uma importante parte da esperança de justiça social esteve no campesinato brasileiro. Com efeito, os artigos da coletânea que aqui se             de seus atos, de suas lutas, força, resistência e resiliência; de sua capacidade de liderar e transformar seu futuro mediante formas de organização social: associações, sindicatos, cooperativas, partidos políticos. Nesses aspectos coincide com a utopia de Chayanov, 5  mas a realidade do Brasil apresentado nas  Lutas camponesas contempôraneas         de Chayanov. Todavia, a palidez de um mundo frente a outro está sim no sistema de governo e não na ausência de força e virtudes políticas do campesinato. Na Moscou de 1983, os ideólogos ambicionam a resolução dos problemas por um esforço no campo da criação social, não pelo monopólio das ideais ou a violência. 6  O Estado e seu aparato não é a única expressão da sociedade; as metralhadoras não funcionam como as dos bolcheviques; “o néctar e ambrósia já não são o alimento dos deuses do Olímpio, por isso decoram o lar dos simples camponeses”. 7  No Brasil, ao invés do Moscou de Chayanov, entre 1964 e 1985 o clima foi de repressão: os sindicatos foram colocados sob severa vigilância do Ministério de Trabalho (p. 298); as formas de organização  política foram enquadradas rigorosamente (p. 132); as “lideranças sindicais eram assassinadas e ameaçadas de morte” (p. 127) ou, em outros casos, a forte repressão ao movimento sindical incluía: prisão, tortura e intervenções nos sindicatos (p. 289). O livro organizado por Bernardo Mançano Fernandes, Leonilde Servolo de Medeiros e Maria Ignez Paulilo é uma “história social do campesinato  brasileiro” desde os anos 1950 (quando o campesinato surge como força social organizada em Brasil) até o século XXI. O enfoque “social” indica uma abordagem que rompe com a primazia do econômico e privilegia os aspectos ligados à cultura (p. 11). A partir desse enfoque social os treze artigos            de uma caricatura esgarçada do pobre coitado, isolado em grande solidão e         Apenas depois da leitura das primeiras páginas surge a pergunta pela diferença entre camponês e “campesinato”. Na apresentação da coleção diz: 8  o “campesinato” “como categoria analítica e histórica é constituído por  poliprodutores, integrado ao jogo de forças sociais do mundo contemporâneo” (p. 9). Por camponês, segundo o comitê editorial se entende:  proprietários e os posseiros de terras públicas e privadas; os extrativistas que usufruem os recursos naturais como povos  344 Revista Esboços, Florianópolis, v. 19, n. 27, p. 342-349, ago. 2012.      artesanais e catadores de caranguejos que agregam atividade agrícola, castanheiros, quebradeiras de coco-babaçu, açaizeiros; os que usufruem os fundos de pasto até os  pequenos arrendatários não-capitalistas, os parceiros, os foreiros e os que usufruem a terra por cessão; quilombolas e parcelas dos povos indígenas que se integram a mercados; os serranos, os caboclos e os colonos assim como os povos das fronteiras no sul do país; os agricultores familiares mais especializados, integrados aos modernos mercados, e os novos poliprodutores resultantes dos assen tamentos de reforma agrária (p. 11). De acordo com o anterior, o conceito “campesinato” é um enquadramento  político e acadêmico, e a expressão “camponês” envolve um grupo social                camponeses e trabalhador (ver Tabela 1) terem o número maior de repetições no            rural, daí a predominância das lutas pela terra e os direitos trabalhistas. Tabela 1 - Frequência de palavras PalavraRPalavraR  Sindicais e sindicatos837Brizola38Camponeses, camponês e lavradores681Desapropriação38Trabalhador587Repressão38Terra568Ocupação37Política e politização 461Assalariados36Luta361Santarém36Igreja, pastoral, teologia327Eletrosul35Engenhos e usinas 281Fronteira35Campesinato279Trabalhista35Governo254CNS34Posseiro247Ditadura34Greves, manifestações e mobilizações219Patronais34Família 201FETAEP33Lideres e Liderança164CPT 32Classes116CONTAG32  345 Revista Esboços, Florianópolis, v. 19, n. 27, p. 342-349, ago. 2012. Comunista116Exploração32Acampados, acampamentos, acampamento103Fluminense32Fazenda(s) e fazendeiros100Formoso30Pará88Grileiros30Disputa(s)86Esquerda29Militar84Democracia28MASTER80Revolução28Desenvolvimento77Terezinha28Seringueiros, seringais e borrachas70Araguaia26Colonização e colonos69Hidrelétricas26Pernambuco64Salário26Comunidade e comunidades58Arrendatários24Trombas57INCRA22 Nordeste56Militância22Imprensa 52Belém21Militante e militância50Brasília21Polícia49Latifundiários20Indígenas47Transamazônica20STR47Goulart17Floresta46Modernização16Participação44Mulheres16Acre43Mato Grosso14Atores43Gado13Despejo(s)41Assistencialismo7Médicos, doenças, saúde40Getúlio Vargas7CRAB39Previdência6Direito39Café5Golpe39Marxista4MST39Negros3Reivindicações39 Com efeito, a sistematização das palavras totais do livro oferece pistas do conteúdo 9  e ajuda a dimensionar o tipo de camponês escolhido pelos
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