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A Importancia Da Literatura Na Formaçao Do Homem

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A Importancia Da Literatura Na Formaçao Do Homem
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   1 A importância da literatura na formação do homem Teatro e literatura dramatizada: uma perspectiva de leitura Joana Amélia Sant’ Ana 1   RESUMO A introdução ao texto literário conduz a universos que proporcionam reflexão e incorporação de novas experiências, pois seu consumo induz a práticas socializantes, que se mostram democráticas, porque igualitárias. Em termos educacionais, o texto artístico é essencial para a formação do indivíduo, para seu aprimoramento intelectual e, sobretudo, ético. É preciso que a escola exerça seu papel de mediadora do conhecimento elaborado, propiciando condições para que sua apropriação aconteça, por representar uma forma fundamental de elevação cultural para quem dele se apodera, visto esse conhecimento referir-se a um meio exterior que favorece a produção de uma nova síntese de entendimento do mundo e da realidade. A autoconsciência do homem realiza-se a partir de sua determinação em conhecer a si mesmo, de modo a encarar a responsabilidade de seu destino. O texto literário pode funcionar como espelho no qual o leitor se percebe e formula questionamento sobre a própria existência. A literatura mediada pela atividade teatral conduzirá ao aperfeiçoamento e fluidez da leitura e da escrita, ao desenvolvimento vocabular, ao estímulo das possibilidades intelectuais, ao desenvolvimento da sensibilidade, do senso crítico e artístico, da sociabilidade e trabalho coletivo. A linguagem é instrumento fundamental para as relações humanas e a produção de cultura, é nela, por meio dela, que o homem lê o mundo e a própria história. Ao abrir espaço para o trabalho corporal com o texto literário, alcançar-se-á percepção da sociedade e a possibilidade de transformá-la, para que haja coesão social. Palavras-chave:  Literatura. Cultura. Teatro. ABSTRACT The introduction to the Literary Text leads to universes that provide reflection and incorporation of new experiences since its consumption induces to socialized practices that show themselves as democratic because they are egalitarian. In educational terms the artistic text is essential for the formation of the individual, for his intellectual and ethic refinement above all. It is necessary that the school perform its role as a mediator of the elaborated knowledge providing conditions so that the appropriation occur since it represents a fundamental way of cultural elevation for all the ones who can seize it, known that this knowledge refers to an external way that helps the production of a new synthesis of comprehension of the world and reality. Man self-consciousness takes place from his determination in understanding himself 1  Professora de Língua Portuguesa da Rede Estadual de Ensino do Paraná, participante do PDE (Programa de Desenvolvimento Educacional) da SEED, em 2007/2008.   2 so that he can face the responsibility of his own destiny. The Literary Text can work as a mirror in which the reader can feel and formulate queries about his own existence. Literature, mediated by the theatrical activity, will guide to the improvement and fluidity of reading and writing, to the lexical development, to the incentive of intellectual possibilities, to the development of critical and artistic sense sensibility, of the sociability, and it is a collective work. Language is a fundamental instrument for human relations and cultural production, it is in it, through it that man reads the world and his own history. In opening space for the corporal work with the literary theatre we will reach the perception of society and the possibility to transform it toward a social cohesion. Key-words: Literature. Culture. Theatre.  INTRODUÇÃO O dicionário Aurélio ((FERREIRA, 1988, p. 845) define literatura, no item 7º do verbete, como “... qualquer dos usos estéticos da linguagem: literatura oral”. A partir do conceito, é possível afirmar que os homens primitivos, ao produzirem/criarem palavras/linguagem para nomear objetos e ensinarem-nas para o grupo, ao sentarem ao redor do fogo e narrarem os fatos ocorridos durante a caçada – entremeando sons e gestos –, ou, ainda, ao detalharem crenças e mitos – berços da poesia, da religião e da filosofia – era literatura o que faziam, era teatro o que realizavam. A literatura e a arte teatral começam historicamente com o domínio que o homem, gradualmente, faz da linguagem. A história do homem, entretanto, recomeça em cada indivíduo que nasce, uma vez que a história da cultura humana é a incessante atualização dos conceitos elaborados desde os primórdios da humanidade, haja vista as descobertas e conseqüentes transformações que a prática humana realiza. Assim, à medida que o conhecimento evolui, cada indivíduo que nasce defronta-se com uma sociedade mais complexa, na qual deverá ser inserido. A sociedade atual, fruto da evolução constante do processo social, é determinada pela separação entre o trabalho manual e o trabalho intelectual, fator que gerou a pulverização da cultura, o conhecimento compartimentado. É a sociedade de mercado, da dissociação. Nela, o compartilhamento se dissolve, não há conexão com o outro. O homem culto, educado, associa valores de socialização e civilidade, proporcionados por valores morais e humanos. O homem preso à cultura   3 de mercado é o homem submetido à cultura do descartável, à cultura do menos, que não constrói, que degenera e cria o imediatismo das relações. O homem comum está envolto em completa des-significação, preso a uma teia que o reduz a nada, que o submete à ditadura do consumo exercida e veiculada diariamente pelos meios de comunicação de massa. A evolução e sobrevivência desse homem, no transcurso do processo de civilização, deveram-se à criação da linguagem. Esse mesmo homem, no entanto, hoje é submetido e preso à cultura do consumo, em oposição aos valores de socialização e civilidade, proporcionados por conhecimentos obtidos com a prática de valores humanistas, com a leitura da história humana. Os professores de Língua Portuguesa e Literatura têm como arsenal básico para a sua prática pedagógica o trabalho com a linguagem – mãe de toda criação humana –, ou seja, trabalham com a essência da comunicação e do conhecimento. A retomada de um trabalho que reacenda as brasas da verdadeira essência das relações sociais que, certamente, jazem em germe na alma do homem embrutecido por valores de troca, compra e acúmulo de bens faz-se necessária. Para tanto, são imprescindíveis a devolução de sua consciência crítica, a liberdade, a reciprocidade e a responsabilidade. A tarefa de inserção do homem na complexa teia da sociedade atual cabe, portanto, à educação. É preciso, entretanto, que se tenha em vista que a transformação do animal humano em cidadão consciente e crítico é efetuada não só através dos organismos especializados – escolas, colégios, faculdades – mas, também, através dos meios de comunicação a que se tem acesso, além das palavras e ações dos pais. Gullar (1983, p. 152), em discurso de abertura do XXV Congresso Mundial de Educação Através da Arte, afirmou que: Cada indivíduo é um professor a serviço da sociedade ou contra ela, mas sempre em função dos valores estabelecidos. E não poderia ser de outro modo. O homem é um ser social e sua vida não tem sentido se não se insere na sociedade. (...) Uma sociedade fundada sobre a injustiça educa para a injustiça. Donde se conclui que a sociedade tem que ser reeducada para poder educar. A educação exige que a sociedade seja justa para que o educador possa cumprir a sua alta missão de possibilitar a cada indivíduo o pleno desenvolvimento de sua personalidade.    4 Assim, para que a escola alcance êxito em seu percurso educativo é preciso que a educação institucionalizada tenha como premissa o homem integral. Perrone-Moisés (2003) afirma que, no que tange à questão cultural, é momento de encontrar, entre os escombros deixados pela barbárie globalizada, alguma promessa de futuro que não seja apenas técnica e econômica. Segundo a autora, A sociedade passa por um momento em que a luta não se trava mais entre concepções diferentes de cultura, entre cultura e a contracultura, alta cultura e cultura de massa, mas entre a cultura e a descultura pura e simples. (...) luta com as conseqüências muita mais diretas sobre o real, entre o poder econômico globalizado e as aspirações políticas e culturais localizadas. (...) Em termos filosóficos, é uma luta entre universalismo e particularismos (p. 203, 204). Ou seja, é momento de se pensar em uma educação solidamente assentada no saber proporcionado pela arte, que vise preservar e estimular nas crianças e nos  jovens a criatividade, procurando prepará-los para resistir ao processo de uniformização e pensamento único, uma arquitetura de paralelismo sem igual que os mantém reféns da tecnologia e da ciência que, de primeira à última análise, são conquistas do homem e cujo objetivo deve ser, unicamente, trazer benefícios a ele, servi-lo e não dominá-lo. A intencionalidade humana gera cultura, que gera objetos que, por sua vez, transforma a cultura, em eterno círculo gerador. O papel do professor, assim, é de ser um meio nessa engrenagem de elaboração da cultura, o mediador que coopera para a elevação da qualidade de vida da sociedade. Urge que a escola exerça seu papel de mediadora do conhecimento elaborado, para que sua apropriação aconteça como forma fundamental de elevação cultural, haja vista esse conhecimento referir-se a um meio exterior que favorece a produção de uma nova síntese de entendimentos do mundo e da realidade. É preciso que a escola se constitua em espaço onde o indivíduo possa realizar a ruptura com a situação cultural anterior, ascendendo a novo patamar onde possa ressurgir como outro, resultante de elaboração personalizada, de pensamento e disposições próprias, livre de amarras, sujeito de si e de seu conhecimento. Volvendo o olhar para o passado e para a história da humanidade, vê-se que a utilização pedagógica da obra literária não é novidade. Já na Antiguidade Clássica grega, os aedes  – narradores profissionais da palavra – declamavam os feitos bélicos
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